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Ações

As atividades do programa IberCultura Viva centraram-se inicialmente em dois eixos: a promoção do intercâmbio e o desenvolvimento de redes entre organizações culturais de base comunitária nos países ibero-americanos mediante editais, e ações de comunicação voltadas para a divulgação do programa. Em 2015 e 2016 foram lançados quatro editais, dois deles visando o trabalho conjunto e a troca de experiências entre organizações e redes. Em dezembro de 2016 também foi realizado o 1º Encontro de Redes IberCultura Viva. Em 2017, além de apoiar a realização do 3º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária no Equador, o programa pretende incentivar ações de formação em políticas e gestão cultural de base comunitária e o intercâmbio de gestores públicos para o fortalecimento de políticas.

Linhas de ação

Três linhas de ação estão previstas no planejamento do IberCultura Viva: 1) fortalecimento institucional; 2) articulação, integração e participação social; 3) comunicação e informação.  

1. Fortalecimento institucional

A linha 1 propõe a realização de estudos das políticas públicas culturais dos países membros, com o objetivo de impulsionar a criação de um observatório de cultura comunitária em rede. Com a criação de um centro documental virtual, pode-se divulgar e promover normativa, documentação técnica e estudos especializados. O levantamento e a compilação de informações contribuem para o diagnóstico da cultura de base comunitária da região, além de gerar insumos para a formulação de políticas nacionais e regionais.

Outras ações propostas na linha de fortalecimento institucional são a construção de indicadores de impacto e incidência sobre a conformação de políticas culturais de base comunitária; a realização de encontros de gestores públicos e sociedade civil; a articulação com outros programas de cooperação, e atividades para a colaboração e o encontro entre gestores públicos, com vistas a ajudar a consolidação e o fortalecimento das políticas culturais de base comunitária nos países membros.

2. Articulação, integração e participação social

A linha 2 tem como objetivo fortalecer as unidades, atores e redes culturais de base comunitária nos países ibero-americanos. Nesta linha estão previstas, entre outras iniciativas, a criação de um comitê assessor da sociedade civil para o diálogo com o Conselho Intergovernamental; a criação de mecanismos de articulação do projeto com outras instâncias (em níveis regional e municipal); a coordenação de uma linha de formação em políticas culturais de base comunitária voltada para gestores públicos; a realização de encontros de redes; e a promoção de editais que visem a produção conjunta entre organizações de diferentes países e o apoio a eventos de redes nacionais/regionais de cultura comunitária.

2.1 Edital de Intercâmbio (2015)

Uma das iniciativas desta linha de articulação, o Edital IberCultura Viva de Intercâmbio foi lançado em agosto de 2015, dividido em três categorias: 1) intercâmbio (mobilidade e criação de redes) entre agentes culturais; 2) participação no 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, em El Salvador; e 3) criação de conteúdos culturais (produtos) feita em conjunto por organizações da sociedade civil de dois ou mais países.

Ao todo, foram destinados US$ 90 mil. Desse montante, US$ 35 mil foram para a categoria 1 (US$ 5 mil para os sete primeiros colocados) e US$ 35 mil para a categoria 3 (US$ 5 mil para os sete primeiros lugares). Os outros US$ 20 mil, referentes à categoria 2, foram distribuídos entre 10 agentes culturais dos seguintes países: Chile (2), Brasil (3), Argentina (3) e Peru (2). Eles receberam US$ 2 mil como apoio à viagem a El Salvador.

As inscrições estiveram abertas de 4 de agosto a 1º de dezembro de 2015. Foram inscritos 76 projetos – 42 na categoria 1 e 34 na categoria 3. Os países com maior participação entre os habilitados da categoria 1 foram Argentina (15 projetos), Brasil (12), Costa Rica (5), Espanha (5) e Peru (5). Na categoria 3, Brasil (8), Argentina (6) e México (7) foram os três países mais presentes. Os sete mais bem colocados de cada categoria foram escolhidos os vencedores do edital.

2.2 Editais IberCultura Viva 2016

Em 2016 foram lançados três editais voltados a experiências culturais de base comunitária: um para apoio a redes, outro para a seleção de textos, e um concurso de videominuto chamado “Mulheres: Culturas e Comunidades”. Distribuiu-se um total US$ 100 mil para o Edital de Apoio a Redes – metade desse montante foi para a categoria 1, metade para a categoria 2 (cada projeto recebeu até US$ 5 mil). O concurso de vídeo teve um total de US$ 5 mil em prêmios (US$ 500 para os 10 primeiros colocados). A convocatória de artigos não previa prêmios em dinheiro – os textos selecionados farão parte de um livro sobre experiências em políticas culturais de base comunitária no âmbito ibero-americano.

O prazo de inscrições começou em 19 de setembro e terminou em 1º de dezembro de 2016. No Edital de Apoio a Redes foram habilitados 13 projetos na categoria 1, dirigida ao apoio a eventos de redes nacionais e/ou regionais que tenham como objetivo a preparação para o 3º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, que será realizado em novembro de 2017 em Quito (Equador). Na categoria 2, dedicada ao apoio para a realização de eventos de redes de cultura de base comunitária municipais, estaduais, nacionais ou regionais, foram habilitados para continuar no processo de avaliação 67 projetos. Receberam os prêmios os 10 que obtiveram maior pontuação em cada categoria.

No Concurso de Videominuto foram habilitadas 55 propostas de vídeos. Dez vídeos de realizadoras de quatro países (Brasil, Argentina, Peru e México) foram premiados no concurso, que teve como objetivo dar visibilidade ao papel fundamental das mulheres na cultura e na organização comunitária, fazendo frente a atitudes e estereótipos que contribuem para a desigualdade de gênero e a violência.

O edital para a seleção de textos sobre políticas culturais de base comunitária segue em processo de avaliação. Já foram divulgados os nomes dos autores dos textos habilitados. A próxima etapa, de análise dos textos, será de responsabilidade do Comitê Curador, composto por representantes de Argentina, Brasil, Chile, El Salvador e Uruguai.

2.3 Encontro de Redes IberCultura Viva

O 1° Encontro de Redes IberCultura Viva, realizado de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2016, no Centro Cultural San Martín, em Buenos Aires (Argentina), contou com três grupos de trabalho formados por pesquisadores, representantes de governos e organizações sociais que desenvolvem políticas culturais de base comunitária em 17 países ibero-americanos.

Durante três dias, os participantes se dividiram nas seguintes mesas temáticas: “Participação social e cooperação cultural”, “Legislação para as políticas culturais de base comunitária” e “Formação em políticas culturais de base comunitária e construção de mapas e indicadores”. As atividades foram realizadas de maneira simultânea às exposições, rodas de conversa e fóruns do 3º Encontro Nacional de Pontos de Cultura, organizado pelo Ministério de Cultura da Argentina.

3. Comunicação e informação

A linha 3, voltada para a criação, a divulgação e o estudo de conteúdos culturais, busca sensibilizar sobre as especificidades da cultura viva comunitária e sua contribuição ao desenvolvimento e coesão social da região. Este site é uma das ferramentas criadas para divulgar, articular e promover ações vinculadas ao programa.

Além de uma identidade visual, o programa passou a contar, em 2015, com esta página web (www.iberculturaviva.org) que divulga notícias, experiências e publicações relativas ao tema Cultura Viva, uma página no Facebook (facebook.com/iberculturaviva) e uma conta no Twitter (twitter.com/iberculturaviva). Desde 2016 também é publicado um boletim informativo mensal, com versões em português e em espanhol.

Também constam no planejamento da linha 3 a edição de um livro sobre políticas culturais de base comunitária (incluindo os textos selecionados na convocatória lançada em 2016), o mapeamento de experiências e sistemas de informação, a identificação de sistemas nacionais de registro para o conhecimento das unidades e redes de atores culturais de base comunitária e para o intercâmbio de plataformas e metodologias.