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16

Maio
2022

EnEm Notícias

PorPor IberCultura

Ponte entre Culturas e Festival de Cultura Miskita: os projetos da Costa Rica selecionados no Edital de Apoio a Redes 2022

EnEm 16, Maio 2022 | EnEm Notícias | PorPor IberCultura

*Nome da articulação e do projeto: Ponte entre Culturas: Festival Cultural e Troca de Experiências

Diferentes nacionalidades e etnias latino-americanas se reunirão em “Ponte entre Culturas: Festival Cultural e Intercâmbio de Experiências”, um dos projetos costarriquenhos selecionados no Edital  IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2022, que se realizará entre maio e outubro. Este encontro acontecerá em torno da dança, uma atividade que une, forma e salvaguarda elementos culturais, identidades, lutas e desfrute dos diferentes povos. 

 O projeto foi concebido como um espaço de oficina/conversa e festival, onde os grupos participantes e a comunidade viverão e aprenderão mais sobre as danças dos povos afrodescendentes, indígenas e mestiços, reforçando o caráter multicultural da Costa Rica e outros povos latino-americanos. A intenção é promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências positivas de gestão cultural pelos representantes de organizações que utilizam algum tipo de dança como fator de representação cultural, resistência e/ou elemento narrativo dentro de cada cultura.

Foto: Kabrú Rójc Brunkajc Boruca

A identidade cultural é o centro do que se pretende fazer, estando exposta em todas as suas expressões, mantendo a dança como núcleo, mas arrastando consigo a música, os ritmos, as histórias, as tradições, as crenças, o legado, a gastronomia, entre outros. Pretende-se mostrar como tem sido o caminho de resistência e luta entre essas culturas que foram submetidas a pressões e que conseguiram sair adiante na defesa e salvaguarda dw suas tradições e costumes. 

A proposta busca expor traços histórico-culturais do folclore boruca, afro-limonense e latino-americano; realizar pelo menos um workshop sobre cada cultura e organização participante; estabelecer canais de comunicação entre organizações culturais que tenham a dança como elemento comum, e dar continuidade ao espaço do Festival Ponte Entre Culturas como canal de aprendizagem, fruição, solidariedade e comunicação entre diferentes culturas e comunidades. 

O Festival Ponte Entre Culturas está programado para os dias 16 a 19 de setembro de 2022, em Puerto Viejo de Talamanca, na província de Limón. Esta será a primeira vez na Costa Rica que será realizado um festival entre uma organização afrodescendente, um grupo indígena e um grupo artístico da Zona Norte, tendo como núcleo a identidade cultural através da dança, das tradições e do patrimônio imaterial que representa. 

As três organizações proponentes darão oficinas sobre sua cultura e as expressões que estão ligadas às danças e tradições. Haverá também representantes de coletivos do México, Colômbia, Equador, Peru, Brasil e Nicarágua, que viajarão por conta própria para participar do festival e dar oficinas de dança. A Direção de Gestão Sociocultural do Ministério da Cultura e Juventude de Costa Rica dará apoio logístico.

Integrantes da Asociación de Mujeres Afrodescendientes del Caribe

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A articulação

Essa articulação surgiu em 2017 na Zona Norte, onde o nome Puente Entre Culturas foi utilizado para intercâmbio de conhecimentos, oficinas de danças e danças tradicionais de diferentes culturas e um festival cultural realizado em La Fortuna de San Carlos. Optou-se por utilizar a mesma articulação este ano, concentrando-se nas culturas locais da Costa Rica, com a participação de outros países latino-americanos que compartilham a mesma realidade. 

A aproximação se deve a interesses mútuos no trabalho cultural pós-pandemia, onde a dança foi afetada, além do desejo de conhecer e ampliar o conhecimento sobre a pluralidade da cultura costarriquenha. Para essas organizações, as contribuições dos diferentes grupos afros, indígenas e mestiços fazem a Costa Rica hoje e são um importante campo de aprendizado e labor para apoiar desde o trabalho comunitário.

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Organizações participantes

A Associação de Mulheres Afrodescendentes do Caribe Costa Rica (AMACC), responsável pelo projeto, foi criada em 2016 na cidade de Limón, como uma organização formada por mulheres afrodescendentes que lutam para melhorar a qualidade da vida das mulheres em todas as áreas de desenvolvimento, garantindo que conheçam e exerçam seus direitos humanos. Seu trabalho está focado no estudo, na investigação da cultura em suas nuances, como gastronomia, dança, linguagem, direitos humanos e culturais das populações afrodescendentes, especialmente com uma abordagem de gênero. 

A Agrupação Artística Pasión Cultural , fundada em 2014 na cidade de La Fortuna, é um grupo dedicado à investigação e projeção da cultura costarriquenha através do estudo de danças populares e folclóricas, que são encenadas para recreação e representação da variada cultura do país. Além de divulgar as danças, o grupo procura inspirar e motivar pessoas de todas as idades a criar laços de amizade entre diferentes grupos, povos e nações, fortalecendo a partilha, o respeito e a aprendizagem que cada um tem para dar.

Agrupación Artística Pasión Cultural (Foto: Rosbing Corrales)

A Comissão Cabru^Rojc Bruncaj, que existe desde 2017 na cidade de Boruca, une todos os membros da comunidade indígena Brunca – desde crianças, jovens, homens e mulheres – para manter viva sua cultura. A manifestação denominada Jogo ou Festa dos Diabinhos (Cabru^rojc, na língua Brunca) foi declarada em 14 de dezembro de 2017 como patrimônio cultural imaterial para as comunidades de Boruca e Rey Curré, por meio do Decreto nº 40.766-C.

O Cabru^rojc é uma expressão cultural tradicional que representa o drama histórico da conquista: a luta dos Borucas, personificada pelos cabrû (diabinhos) contra os espanhóis, simbolizada na figura do touro, enfatizando a resistência indígena à colonização. Esta atividade tem uma série de regras, elementos de tradição e um significado relevante para ambas as comunidades. 

Embora não haja uma data definida de quando exatamente a tradição foi fundada, Boruca tem conseguido fortalecê-la ano após ano, de tal forma que sua realização nunca foi truncada, e esse planejamento é o que compete a esta comissão. O Jogo ou Fiesta de los Diablitos acontece na cidade de Boruca entre 30 de dezembro e 2 de janeiro. Na comunidade Rey Curré, desde 1979, é realizado no último fim de semana de janeiro ou no primeiro fim de semana de fevereiro.


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* Nome da rede ou articulação: Rede Comunitária para o Festival de Cultura Miskita

* Nome do projeto: Festival de Cultura Miskita

 O Festival de Cultura Miskita é uma atividade que visa mostrar as diversas manifestações culturais da comunidade indígena e migrante misquita, com a participação de grupos, associações e redes dedicadas ao trabalho de gestão social na comunidade de Pavas (São José). A proposta soma os esforços de gestores, artistas locais e lideranças comunitárias em busca de um objetivo comum: dar visibilidade à cultura misquita, apresentando suas danças, músicas, tradições, artistas, gastronomia e saberes.

O projeto pretende realizar pelo menos seis sessões (virtuais ou presenciais) para a coordenação dos aspectos logísticos do festival; criar um espaço cultural para dar visibilidade à cultura misquita na comunidade de Pavas, além de criar um espaço que proporcione à população misquita informações atualizadas sobre seus direitos e os serviços que podem acessar.

Coletivos, redes e associações de migrantes e indígenas misquitas participam do festival com várias relações colaborativas de incidência em questões que afetam a população migrante e indígena, como saúde, cultura, migração e educação. Ao propor a realização do Festival de Cultura Miskita, além de apresentar as manifestações culturais misquitas, essa articulação pretende mostrar a diversidade de outras comunidades indígenas pertencentes à província de San José, como Zapatón e Quitirrisi, áreas ricas em saberes e tradições.

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Organizações participantes

A Associação de Desenvolvimento Específico para Melhoramentos Comunitários de Bribri Pavas, fundada em 1980 na cidade de San José, é uma comunidade de migrantes e misquitas de Pavas-San José que promove ações para o bem-estar da população menor de idade, comemorações do dia dos direitos das crianças, atividades culturais e esportivas, oficinas, cinema e teatro. Na sala comunitária, que funciona como espaço de lazer, encontro e cultura, já foram ministradas oficinas de capacitação sobre diversos temas, como violência doméstica, reciclagem, direitos humanos e gestão de dependências, entre outros.

A Multiétnica Moskitia na Costa Rica, fundada na comunidade de Pavas em 2012, ajuda os imigrantes a obter autorizações de trabalho, redigindo cartas de recomendação e servindo como intermediário de serviços estatais, para que a população migrante possa ter acesso e informação sobre direitos e serviços. Além disso, eles participam de atividades culturais, palestras, feiras, encontros que lhes permitem dar a conhecer a cultura misquita a outras pessoas e comunidades.

O Conselho Local de Saúde dos Povos Indígenas (COLOSPI), que funciona em Pavas desde 2014, é composto por diferentes instituições, como a Fundação Nacional da Criança (PANI), a Força Pública, o Ministério da Educação Pública (MEP), Ministério da Saúde, Coopesalud RL e Associação Miskita. A entidade busca se aproximar das comunidades indígenas para entender melhor suas necessidades e exigências. É um espaço interinstitucional formado por uma equipe interdisciplinar que promove, orienta, facilita e coordena com os povos e comunidades indígenas os processos de interculturalidade em saúde e desenvolvimento social junto às instituições. 

26

nov
2021

EnEm Notícias

PorPor IberCultura

Conectando culturas, armando redes: os quatro projetos regionais selecionados no Edital de Apoio a Redes 2021 

EnEm 26, nov 2021 | EnEm Notícias | PorPor IberCultura

Dos 20 projetos selecionados no Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2021, quatro foram apresentados por redes/articulações que reúnem organizações e coletivos de diferentes países. A esses projetos chamamos de “regionais”. 

São eles: Diversidade Indígena Viva (Argentina, Brasil e Equador), Articulación Latinoamericana de Organizaciones Culturales Rurales (Argentina, Brasil e Chile); Intersecciones, X Encuentro Internacional de la Red de Mujeres x la Cultura (Argentina, Brasil e Equador); Estação Sonidos de Esperanza / O Som do Recomeço da Vida / Vozes dos Pontos de Cultura (Brasil, Argentina, Chile e México).

(Foto: Thydêwá)

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Nome do projeto: Diversidade Indigena Viva

Nome da rede: Diversidade Indígena Viva

Diversidade Indígena Viva é uma comunidade colaborativa de aprendizagem, composta por 12 indígenas de diferentes etnias, provenientes de Argentina, Brasil e Equador. Esses homens e mulheres, jovens e adultos, partilham experiências, opiniões, visões, saberes e sentimentos através das ferramentas digitais, ora de forma sincrônica, ora não, dialogando sobre a diversidade das sabedorias indígenas vivas que inspiram, e podem inspirar mais ainda, a nova humanidade que nasce. 

Além de fortalecer as capacidades dos membros da comunidade e suas redes, o projeto visa a produção de um conteúdo multimídia (e-book ou página web, um por etnia participante), com vídeos, textos, imagens, áudios que espalhem reflexões e semeiem provocações, desde e com a identidade indígena, para o mundo atual e suas gerações vindouras. Também está prevista a produção de conteúdo colaborativo para compartilhar a experiência da comunidade, seu processo e metodologia.

A ideia é pensar nos patrimônios imateriais de cada povo indígena participante e dos povos indígenas do mundo, pensar no bem viver de seu povo e no bem viver da humanidade. É pesquisar e sistematizar uma “sabedoria” partindo do identitário, valorizando essa ciência ou prática e compartilhando-a com os outros participantes da iniciativa. É produzir comunicação para a humanidade, para que a diversidade de sabedorias indígenas sirva como inspiração para todas as pessoas.

Diversidade Indígena Viva é um projeto realizado no ciberespaço por uma rede de 15 pessoas, formada para executar esta proposta apresentada ao Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes 2021. Das 15 pessoas que compõem a rede, 12 são indígenas: 4 do Brasil (dos estados de Alagoas, Santa Catarina, São Paulo e Amazonas); 4 da Argentina (provincias de Córdoba, Entre Ríos, Jujuy y Salta), e 4 do Equador (2 da região amazônica, 1 andino e 1 da costa). Os 3 não indígenas são provenientes do Brasil (1 da Bahia, 2 de Minas Gerais).

1ª Fogueira Digital do projeto Diversidade Indígena Viva

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Organizações participantes

Uma das organizações que apresentam o projeto é a brasileira Thydêwá, criada em 2002 na Bahia. Entre as mais de 70 iniciativas idealizadas e promovidas pela Thydêwá, destacam-se o Ponto de Cultura Índios On-Line, o Pontão Esperança da Terra, a Rede de Pontos de Cultura do Nordeste Mensagens da Terra, a rede e coleção de livros Índios na Visão dos Índios, a Rede Índio Educa, a Rede Risada, a Rede Pelas Mulheres Indígenas, Kwatiara, AEI – Arte Eletrônica Indígena e AIRE – Arte com Indígenas em Residências Eletrônicas.

Premiada duas vezes como Ponto de Mídia Livre e três vezes como Ponto de Memória, a organização tem trabalhado com indígenas de 30 etnias diferentes, especialmente na valorização dos patrimônios imateriais, seus direitos e no uso da informação e da comunicação. Além das parcerias com povos indígenas da Argentina e Colômbia, mantém parcerias com o Reino Unido, a Alemanha e a França, promovendo o diálogo intercultural e o bem-viver.

Mariela Tulian e Sebastián Gerlic, da Thydêwá: intercâmbio entre Pontos de Cultura Indígena começou em 2015

A parceria com comunidades indígenas da Argentina vem desde 2015, ano em que foram selecionados para o Edital IberCultura Viva de Intercâmbio e deram início aos primeiros projetos em conjunto com Mariela Jorgelina Tulián, casqui curaca de la Comunidad Indígena Territorial Comechingón Sanavirón “Tulián”, que também participa deste projeto apresentado ao Edital de Apoio a Redes 2021.

Situada em San Marcos Sierras (Argentina), a Comunidade Indígena Comechingón Sanavirón “Tulián” foi fundada em 2010 e está presente em escolas, tramitando bolsas de estudos  secundários, dando palestras e cursos de cosmovisão, compartilhando cerimônias com os membros dessas instituições e, de maneira mais efetiva, na escola secundária IPEM nº 45 Dr. Ernesto Molinari Romero, por meio de uma tutora intercultural que realiza atividades constantemente. 

Há vários anos eles participam de encontros com outras comunidades indígenas, integrando a Coordinadora de Comunicación Audiovisual Indígena de Argentina (CCAIA), onde uma de suas autoridades comunitárias exerce a função de vice-presidenta. E há algum tempo integram o Consejo Continental de Ancianas, Ancianos y Guías Espirituales de América.

Foi Mariela Tulián quem apresentou a Thydewá a parceira equatoriana neste projeto de 2021: a Fundación Guanchuro. Criada em 2010, em Pichincha (Equador), esta fundação promove a interculturalidade, os processos de economia solidária, o turismo comunitário, a educação intercultural bilíngue, a promoção da língua e da cultura. É uma das participantes da Rede DVV Internacional, organização de cooperação com sede em Bonn (Alemanha), especializada em educação de jovens e adultos com presença em mais de 50 países do mundo. 

Os três principais atores desta iniciativa trabalharam juntos no projeto AIRE – Arte com Indígenas em Residências Eletrônicas, realizado de janeiro a junho de 2021

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Nome do projeto: Articulação Latino-americana de Organizações Culturais Rurais

Nome da rede ou articulação: Articulação Latino-americana de Organizações Culturais Rurais

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Oito associações do Brasil, da Argentina e do Chile participam da Articulação Latino-americana de Organizações Culturais Rurais, que propôs ao Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2021 a realização de um seminário virtual sobre cultura comunitária e ruralidade, com a intenção de promover o debate sobre políticas culturais para territórios rurais e o diálogo entre afrodescendentes, migrantes, povos originários e camponeses. 

A proposta também prevê um encontro presencial de produção e síntese para incidir em políticas culturais e ampliar a reflexão sobre seus territórios, e a publicação de um livro em pdf sobre políticas culturais em territórios rurais com as experiências e debates produzidos. Este encontro será na localidade de Vieytes, provincia de Buenos Aires, no prédio onde se encontra a Escola Nacional de Agroecologia. 

Também na Argentina, na cidade de La Plata, será apresentada uma obra de teatro de criação coletiva chamada “Las capas de nuestra lucha“, realizada por jovens filhos de migrantes bolivianos produtores de cebola do sul da província de Buenos Aires. O projeto tem execução prevista para o período entre novembro de 2021 e abril de 2022.

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Histórico da rede

A Articulação Latino-americana de Organizações Culturais Rurais nasceu em junho de 2019 no Brasil, durante a I Teia Latino-americana de Pontos de Cultura e de Memória Rurais, com organizações culturais do Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Uruguai. Além de promover a integração, neste encontro foi possível elaborar ações para fortalecer as organizações culturais rurais, articular lutas em defesa da soberania alimentar e planejar ações sobre processos sociais, econômicos e sustentáveis. 

Nesse período, foram se fortalecendo os vínculos entre as organizações culturais comunitárias rurais e se instalando no Movimento Latino-americano de Cultura Viva Comunitária a necessidade de abordar o tema “cultura e ruralidade”, assim como o lugar dos migrantes, afrodescendentes e camponeses neste processo, para o 5º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, que se realizará no Peru em 2022.

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Organizações participantes

Criada em 2012, La Comunitaria de Rivadavia é uma cooperativa social, cultural e de produção que se desenvolve em uma ampla rede de povoados e paragens rurais em duas províncias argentinas: Buenos Aires e La Pampa. Seu trabalho territorial se desenvolve em 16 sedes e envolve cerca de 2 mil pessoas. O grande motor, desde 2006, é o teatro comunitário. Com o tempo se incorporaram mais de 120 oficinas artísticas, ofícios, propostas comunitárias, múltiplos eventos, encontros e viagens de intercâmbio com outros países e províncias. 

A cooperativa trabalha pela cultura dos povoados e paragens rurais, por arraigo, desenvolvimento de comunidades e diálogo intercultural. É parte do Movimento de Trabalhadores Excluídos Rural, da Rede Latino-americana de Cultura Viva Comunitária, Rede Nacional de Teatro Comunitário, da Rede de Jovens Rurais Cultura Comunitária, do Coletivo das Infâncias e da Articulação Latino-americana de Organizações Culturais Rurais.

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A Comunidade Kilombola Morada da Paz, de Triunfo (Rio Grande do Sul, Brasil), trabalha há 18 anos com a recuperação da história, memória, arte e cultura ancestral afro-brasileira, através de oficinas e experiências dirigidas a um público intergeracional. Certificados como quilombolas e reconhecidos desde 2012 como Ponto de Cultura (Omorodê Ponto de Cultura da Infância), atualmente fazem parte do Comitê de Gestão para a Implementação da Lei de Cultura Viva no estado do Rio Grande do Sul, além da Rede Nacional de Pontos de Cultura Rurais e da Rede de Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul.

A Rede Tucum é uma articulação formada em 2008 por grupos de comunidades da zona costeira que realizam turismo comunitário no estado do Ceará (Brasil). Respeitando os estilos de vida e entornos locais, os grupos comunitários que planejam e promovem esses intercâmbios culturais construíram uma forma de turismo que valoriza a diversidade cultural e fortalece atividades tradicionais, como a agricultura e a pesca artesanal. O movimento Rede Tucum amplia a mobilização para garantir os territórios tradicionais das populações costeiras com justiça socioambiental e autonomia econômica.

Também participam desta articulação dois coletivos de comunidades migrantes do Movimento de Trabalhadores Excluídos de Argentina: o MTE Rural de La Plata (Buenos Aires) e o MTE Rural Sur Cebollero, da zona rural sul da província de Buenos Aires. O primeiro começou suas atividades em 2015, com umas poucas famílias produtoras imigrantes que encontram no movimento um espaço de proteção. Hoje em dia, chega a reunir 4 mil produtores em La Plata, Florencio Varela e sua expansão para todo o país.  

Encontro do MTE Rural

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O Sur Cebollero, por sua vez, é uma regional do Movimento de Trabalhadores Excluídos constituída há cerca de três anos por uma série de povoados que atravessam a realidade dos produtores de cebolas (longas jornadas de trabalho, acompanhadas dos riscos do uso de agroquímicos). A partir da organização das famílias produtoras, luta-se pela melhora de condições trabalhistas e de habitação, assim como o acesso à terra e à cultura.

Outra cooperativa da Argentina que apresenta o projeto é COCAM, de Chos Malal, Neuquén. Criada em 2011, esta cooperativa realiza uma intervenção territorial colocando ênfase na defesa da vida camponesa e das comunidades mapuches do norte do país. Nesses anos tem se focado no desenvolvimento de ações estratégicas de intervenção para garantir o direito à terra, a um teto e ao trabalho. Implementando ações culturais e sociais para a ressignificação da identidade cultural, potenciando os direitos econômicos, sociais e culturais da população rural. 

Do Chile participa o Centro Cultural e Artístico El Cahuín, com sede em Molina, uma comuna eminentemente rural da Região do Maule. Criada em 2003, esta organização e iniciativa cultural comunitária se dedica à gestão, à promoção, à programação e ao desenvolvimento sociocultural através da arte, da cultura e da educação. O território de ação é Molina, tendo presentes os setores rurais e as populações. Realizam trabalho colaborativo e associativo com estabelecimentos educacionais, organizações sociais e culturais da comuna, a região do Maule e de outras regiões do país.


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Nome do projeto: Intersecciones, X Encuentro Internacional de la Red de Mujeres x la Cultura

Nome da rede ou articulação: Red de Mujeres x la Cultura

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O X Encontro Internacional da Rede de Mulheres pela Cultura é uma atividade de formato híbrido (presencial e virtual) que busca destacar a participação das mulheres afro e originárias no setor cultural e visibilizar as dimensões do trabalho de gestoras e realizadoras culturais, através de atividades de formação em um campus virtual e oficinas presenciais  nos territórios de três organizações da rede. 

Estas três organizações, com sedes em Buenos Aires, Quito e Rio de Janeiro, contam com projetos específicos sobre comunidades afro, originárias e migrantes, Neste projeto apresentado ao Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2021, realizarão atividades como um conversatório sobre os aportes das criações afro-cênicas na região, o significado ancestral do turbante da vestimenta afro, oficinas de dança afro tradicional e afro-fusão, e uma mostra de filmes produzidos por mulheres negras, indígenas e caribenhas.

O projeto tem como meta facilitar o intercâmbio de práticas de economias colaborativas e conceitos como associatividade, cooperação, ativismo cultural, empoderamento e feminismo. Também busca fortalecer uma comunidade de criadoras culturais a partir da construção de uma plataforma, que sob a modalidade de economia colaborativa desenvolve estratégias para apoiar a comercialização de produtos, serviços, o intercâmbio de saberes, e a visibilização de produções artísticas das mulheres. 

(Foto: Cinema Nosso)

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Histórias da rede

Mujeres por la Cultura é uma rede que nasce em 2012, impulsionada pela Fundação Proyecta Cultura. Seu objetivo é promover a perspectiva de gênero e a participação feminina, visibilizando o trabalho e impulsando o empoderamento dentro de um tecido que cresce sustentadamente. O coletivo tem presença em vários territórios de Ibero-América, integrando lideranças culturais de distintas gerações, com saberes e saberes diversos. 

Desde 2013 têm realizado encontros presenciais em países como Chile, México, Equador, Argentina e República Dominicana, e encontros virtuais nos últimos dois anos. Esta iniciativa busca realizar um décimo encontro de caráter híbrido e destacar a participação das mulheres afro e originárias no setor cultural. Assim mesmo, persegue visibilizar as dimensões do trabalho de gestoras e realizadoras culturais no Espaço Ibero-americano.

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Organizações participantes

Uma das organizações que compõem a rede Mujeres por la Cultura é Todo en Sepia– Associação de Mulheres Afrodescendentes na Argentina, criada em 2004 na Cidade Autônoma de Buenos Aires. A associação desenvolve um trabalho teatral com a companhia Teatro en Sepia, que desde 2010 apresenta cenicamente a afrodescendência no país e especialmente as opressões das mulheres negras. 

De Quito, Equador, participa a Casa Ochún, uma fundação sem fins lucrativos que se consolida oficialmente no ano 2007. Sua principal missão é gerar um fortalecimento identitário em crianças, jovens e mulheres afro e refugiados, nos setores periféricos da cidade. Da fundação se desprendem vários projetos relacionados com a arte e a cultura afro, como escola de música, escola de dança, oficina têxtil, turismo, gastronomia, capacitações em ofícios e direitos, entre outros. 

Do Brasil, participa Cinema Nosso, uma instituição sociocultural que, ao longo de seus 20 anos de trajetória, trabalha para a democratização do acesso aos bens culturais, especificamente o acesso aos produtos cinematográficos e de novas tecnologias, bem como o uso dessas ferramentas para potencializar a juventude periférica no Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, o Cinema Nosso vem realizando projetos e ações para fortalecer as capacidades de crianças, jovens, adultos e pessoas com transtornos mentais. Devido à pandemia da Covid-19, todas as atividades que eram presenciais migraram para o universo virtual, incluindo as formações e workshops em formatos de lives. Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, em 2020 foram produzidos 16 curtas-metragens e um jogo analógico educativo, “NIA – A Jornada de uma Jovem Negra”, desenvolvidos por jovens negras do projeto “Empoderamento e Tecnologia – Jovens Negras no Audiovisual”.

Nome do projeto: Estação Sonidos da Esperanza / O Som do Recomeço da Vida / Vozes dos Pontos de Cultura (CVC)

Nome da rede ou articulação:: Estação Sonidos da Esperanza / O Som do Recomeço da Vida / Vozes dos Pontos de Cultura (CVC)

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Estação Sonidos de la Esperanza / O Som do Recomeço da Vida / Vozes dos Pontos de Cultura (CVC) é uma articulação de oito organizações e coletivos de Brasil, Argentina, Chile e México que tem como principal objetivo salvaguardar a memória do movimento latino-americano de Cultura Viva Comunitária. Entre as ações propostas estão a criação de podcasts com informações sobre políticas públicas e narrativas do movimento que mostram a diversidade sociocultural ibero-americana, e a difusão de entrevistas com pessoas como Iván Nogales (sociólogo e ator boliviano, fundador do Teatro Trono e da Comunidad de Productores en Artes – COMPA, falecido em março de 2019), entre outras já realizadas e inéditas.

Através desse projeto, as organizações e coletivos participantes pretendem trabalhar na produção de programas radiofônicos que abordem temas vinculados à diversidade de gênero, povos originários, população afrodescendente e coletivos de comunidades migrantes. Esses programas, produzidos em formato de cápsulas, estarão disponíveis para serem transmitidos por rádios comunitárias e web rádios conectadas com o movimento de Cultura Viva Comunitária. O projeto tem como meta a produção de oito séries em formato de podcast, com cinco episódios de cada instituição participante. 

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Organizações participantes

A Radio Comunitaria Franklin, de Santiago de Chile, surgiu em agosto de 2015, como parte do programa Radio Escuela, da Subdireção de Cultura da Municipalidade de Santiago, que convocou vizinhos, vizinhas e organizações de bairro a participar de um processo de formação e capacitação comunitária, participação e novas tecnologias.

Inspirada nos princípios da comunicação comunitária, da autonomia, do pluralismo e da liberdade de expressão, Radio Franklin é administrada por vizinhos e vizinhas, que desenvolveram sua proposta editorial e elaboram os conteúdos de sua programação. Um espaço aberto que busca fortalecer o diálogo democrático, as identidades locais e o patrimônio do bairro, e os coletivos de comunidades migrantes.

Radio Comunitaria Franklin, do Chile

A Comunidade Huarpe Guaytamari– Organização de Nações e Povos Indígenas na Argentina (ONPIA) tem seu sede nas terras comunitárias de San Alberto Uspallata (departamento de Las Heras, Mendoza). Guaytamari surge por decisão de um grupo de famílias com ascendência Huarpe para reforçar a identidade cultural originária, baseada no trabalho solidário, como o faziam os antepassados, permitindo-lhes a recuperação de suas práticas e cosmovisão. 

De Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil), quem participa é a Rede Sapatà – Rede Nacional da Promoção e Controle da Saúde das Lésbicas, Bissexuais e Transexuais Negras. Lançada em dezembro de 2007, no Quilombo dos Alpes, a Sapatá tem como propósito pensar e agir para a qualificação e o atendimento a este segmento no Serviço Único de Saúde (SUS), bem como somar-se à rede nacional de controle da saúde da população negra.

Também integram a rede a Associação Urucungo/Ponto de Cultura Orquestra do Sertão, de Arcoverde (Pernambuco, Brasil); o Coletivo Conexão Catimbau (Brasil), La Coyotera Radio Comunitaria (México), a ONG Más Música, Menos Balas Guadalajara (México), e o Ponto de Cultura Associação do Culto Afro-Itabunense (Bahia, Brasil).

11

Maio
2018

EnEm EDITAIS
Notícias

PorPor IberCultura

Resistência, identidade e ancestralidade: os premiados no Concurso “Comunidades Afrodescendentes”

EnEm 11, Maio 2018 | EnEm EDITAIS, Notícias | PorPor IberCultura

“Resistência” talvez seja a palavra que mais venha à mente depois de assistir aos 10 vídeos ganhadores do Concurso de Curtas-metragens “Comunidades Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento”. Resistência em vários sentidos, inclusive o da recusa de submissão à vontade de outrem. Da luta que se mantém como ação de defender-se. Da reação a uma força opressora. Da qualidade de quem demonstra firmeza, persistência. Da força que anula os efeitos de uma ação destruidora. Ou como diz a narradora de um dos vídeos premiados: “Resistir é trabalhar dia a dia na conformação de nossa identidade”.

O concurso foi lançado em novembro de 2017 pelo programa IberCultura Viva em colaboração com o Escritório de Representação da UNESCO no Brasil,  como uma das ações promovidas pela Década Internacional para os Afrodescendentes (2015-2024), declarada pelas Nações Unidas em 2015, com o tema “Povos afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.

Entre 20/11/2017 e 15/02/2018, o programa IberCultura Viva recebeu 132 inscrições para o concurso. Desse total, foram habilitados 90 trabalhos. Os 10 vídeos que tiveram as maiores pontuações da Comissão de Avaliação foram divulgados na última terça-feira (08/05), e receberão prêmios de 500 dólares. O prazo de recursos terminou nesta quinta-feira (10/05).

Foram levados em conta na seleção critérios como a criatividade e a originalidade temática, assim como a consideração da organização comunitária dos coletivos afrodescendentes, a reflexão sobre práticas culturais racistas e a ênfase na centralidade da cultura afrodescendente no desenvolvimento cultural comunitário, nacional e/ou regional.

Diante da grande quantidade, qualidade e diversidade dos vídeos recebidos, a Comissão de Avaliação decidiu incorporar 10 menções honrosas (sem prêmios em dinheiro). Os vídeos selecionados expressam uma grande diversidade de comunidades e práticas culturais da região ibero-americana e serão divulgados junto con os vídeos ganhadores pelos canais de comunicação da cooperação ibero-americana.

Confira  a lista com o resultado definitivo dos selecionados e conheça os 10 vídeos premiados, que apresentamos a seguir. São histórias de luta, força, fé e resistência, com duração máxima de 3 minutos, gravadas no Brasil, na Argentina e no Chile.

 

OS PREMIADOS

1. ABAYA | resistência e ancestralidade (Brasil)  – Frederico Moreira

Curta-metragem de autoria de Grazie Pacheco, Frederico Moreira e Renan Vasconcelos, ABAYA apresenta o encontro de integrantes da associação Ilú Obá de Min com mulheres do movimento Mães de Maio e do grupo de cultura afro-brasileira UMOJA – a união, a luta, os ideais e as resistências em uma noite onde a Rainha Mãe toma forma para denunciar a falsa abolição da escravatura.

“A abolição da nossa escravatura foi assinada a lápis, uma lei que qualquer um apaga (…) neste país racista, que mata pobres e persegue negros”, afirma Débora Silva, uma das Mães de Maio. “Pela nossa negritude, a gente luta sempre. Amo a minha cor, mas só quem é da cor sabe o que é ser negro”, diz Rose Eloy, integrante do UMOJA.

ABAYA é uma produção do DocVozes, coletivo de documentaristas formado em São Paulo, em 2013, e que se propõe a reverberar narrativas de impacto social. O primeiro filme do grupo foi lançado no YouTube em 2014: Uma tarde no shopping, um retrato da resistência da juventude periférica em São Paulo. Também são deles os documentários AI-5 da democracia, Procura-se: a negra do cartaz e PsicoApatia, entre outros. A primeira obra de ficção do coletivo, Mortalha, será lançada em 2018.

2. 111 tiros na alma negra (Brasil) – Pedro Henrique Lima de Oliveira

Em 28 de novembro de 2015, 111 tiros foram disparados por policiais contra cinco jovens negros em Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro. Carlos, Cleiton, Roberto, Wesley e Wilton voltavam de uma lanchonete no Parque Madureira, onde foram comemorar o primeiro salário de Betinho, quando o carro em que estavam foi parado por policiais. Segundo a Polícia Militar, foram disparados 81 tiros de fuzil e 30 de pistola.    

O curta 111 tiros na alma negra, dirigido por Pedro Oliveira e Filó Oliveira, mostra a mobilização da juventude negra após a chacina em Madureira. Vestidas de preto, centenas de pessoas andaram pelas ruas com cartazes (“Racismo, não!”) e palavras de ordem contra o genocídio da população negra no Brasil. De acordo com o Atlas da Violência 2017 (Ipea/FBSP), a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negros.

A produção faz parte do Acervo Cultne, lançado em 2009. Esse acervo digital reúne 3 mil horas de material sobre cultura negra registrado nos últimos 38 anos.

3. Alma crespa (Brasil) – Rebecca Joviano

O filme de Paulo China e Rebecca Joviano gira em torno de Iza (Raphaela Joviano), uma jovem carioca que sonha ser reconhecida por sua alma, e não por sua cor. Em um passeio pelo Rio de Janeiro, cidade com fama de ter pessoas livres e tolerantes (será mesmo?), a jovem se pergunta por que sempre olham para ela de forma estranha (“vai alisar esse cabelo, garota!”).

Caminhando em frente aos antigos sobrados, Iza lembra que ali, em outros tempos, eram os escravos e escravas que faziam tudo: cozinhavam, costuravam, varriam o assoalho, limpavam a prataria, serviam de brinquedo. “Não tinha justificativa: uma pessoa, só por causa de sua cor, servir a um senhor branco e trabalhar até suas últimas forças… Séculos se passaram e ainda temos muito o que conquistar. Mas, apesar dos pesares, agradeço a todos os que lutaram e lutam pela nossa liberdade de expressão. A minha, luto diariamente para conquistar.”

Alma crespa é um curta-metragem da produtora Memory Audiovisual, com sede no Rio de Janeiro.

4. Afrografías (Argentina/Brasil) – Denise Braz

O que é resistir? “É construir em nossos entornos cotidianos”. “É nos nutrirmos de nossa história e nos apropriarmos de nossos saberes ancestrais”. “É legitimar nossa presença em espaços institucionais e políticos”. “É reconstruir estereótipos acerca de nossos corpos”. “É trabalhar dia a dia na conformação de nossa identidade como mulheres afro”. “É a sua história.”

É assim, com muitas respostas para uma pergunta, que a Colectiva Afrovisual Luz Negra (Lia Castillo Espinosa, Sandra Milena Forero Rojas, Maryury Díaz, Lisset González Batista, Leticia Sánchez Garris, Denise Luciana de Fátima Braz, Bruna Stamato dos Santos, Natalia Pinilla Rodríguez) aparece pelas ruas de Buenos Aires, buscando legitimar e dar visibilidade à presença das mulheres negras em espaços comuns e cotidianos na Argentina. Com o curta Afrografías, elas pretendem reconhecer a identidade afro como construção política, algo que se constrói e reinventa dia a dia.

5. Bate Folha: identidade ancestral (Brasil) – Carla Maria Ferreira Nogueira

Realizado com o apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o vídeo apresenta o Terreiro Bate Folha, uma casa de culto de religião de matriz africana (de origem Congo-Angola) localizada no bairro da Mata Escura, em Salvador. Fundado há 102 anos por Manoel Bernardino da Paixão, o terreiro situa-se numa zona urbana com 15 hectares de Mata Atlântica e foi tombado em 2003 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Entendemos que nosso desenvolvimento depende do desenvolvimento do bairro, da nossa comunidade, e de todo o povo negro”, afirma Carla Nogueira, uma das “filhas” do Bate Folha. “Por isso, com compromisso cidadão, desenvolvemos atividades para a juventude negra, procurando relacionar noções de empreendedorismo e iniciativas pessoais à luta contra o racismo e a intolerância religiosa, como forma de preparar os jovens para os novos tempos, sem a perda dos referenciais identitários e de pertencimento.”

6. Nyotas (Brasil/Chile) – Paulina Victoria Fernandez Quintana (Pola Fernandez)

Pola Fernandez é uma artista visual chilena que vive no Brasil. Pedagoga e fotógrafa, é especialista em artes visuais, intermeios e educação, com especial interesse pelo tema da cultura africana e pela memória da mulher negra brasileira. Em sua experimentação visual, ela produz fotografias híbridas, impressas em diversos suportes, que ganham contornos e relevos em intervenções da técnica do bordado.

O projeto “Navio Atavos”, proposto por ela, reuniu um grupo de mulheres negras da cidade de Salto, no interior de São Paulo, na montagem de um grande painel com aplicação de bordados com trechos do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves. São os depoimentos dessas mulheres, todas com mais de 50 anos, que compõem o curta-metragem Nyotas. É um nome de origem africana. Nyota significa guerreira, que é o que nós somos”, diz uma das entrevistadas. “Descobrimos isso juntas: que nós podemos.”

7. Tu cultura te pertenece, estés donde estés… (Chile/Colômbia) – Sor Angela Popo Mejia

Sor Angela Popo Mejía é uma colombiana que vive na cidade de Iquique, no Chile. O preconceito a acompanha desde o primeiro momento fora de seu país. “O senhor do ônibus que me trouxe disse que por ser negra e colombiana não me deixariam passar na fronteira”, conta. Passou, mas esta primeira impressão segue até os dias de hoje. “Desde que cheguei ao país, o que senti foi isso”.

Com roteiro de Mariela Muñoz Pérez, Tu cultura te pertenece, estés donde estés mostra um dia na vida da migrante em Iquique, e seu relato sobre discriminação e salvaguarda de sua identidade. Sor Angela ingressou na universidade em março de 2017, mas diz que as pessoas são muito fechadas e que se sente discriminada em sala de aula. “É muito duro”, afirma a colombiana, que trabalha orientando outros migrantes na organização dos documentos, no conhecimento dos direitos trabalhistas, etc. “Esteja onde estiver, tenha presentes seus valores culturais, sua gastronomia, e reúna-se com seus companheiros para recordar”, ensina.

8. Argentina negra (Argentina) – Federico Fernando Pita

Em Argentina negra, nove entrevistados, mulheres e homens afrodescendentes, refletem sobre o racismo em seu país e o orgulho de ser negro. Dois dos depoimentos são de Dora Cuello e Elsa Cuello, gêmeas nascidas na Argentina, netas e bisnetas de argentinos, ainda que muitos não queiram acreditar.

“As pessoas sempre perguntam: de onde vocês são? Dizem que tenho sotaque estrangeiro. Mas se nasci aqui, que acento posso ter? Argentino!”, reclama uma delas. A irmã também não se conforma: “Vejo essa gente como ignorante. Porque sou negra tenho que vir de outro lado, não posso ser da Argentina? Sou igual aos demais. Ser negra, para mim, é um orgulho”.

O vídeo é uma produção da organização Diáspora Africana de la Argentina. A autoria é de Federico Fernando Pita, e a direção de Franco De Nunzio.

9.Sem folhas não tem orixás (Argentina/Brasil) – María Fernanda Sáenz

Gravado em Salvador (Bahia), o vídeo realizado por Natalia Favre e María Fernanda Sáenz trata do candomblé, o culto aos orixás, uma das religiões de matriz africana mais importantes do Brasil. Uma entrevista com Sandra Bispo, da Casa de Oxumaré, entremeada por imagens de cerimônias, aborda temas como ancestralidade, o processo de ser e existir (“Você não é, você está sendo. Você é resultado de todo um processo histórico, vivencial, de sua família, de seu povo”), os princípios e valores dessa caminhada.

Com um discurso de paz, amor, acolhimento e irmandade, Sem folhas não tem orixás passeia pelos fundamentos do candomblé e sua importância na construção da identidade brasileira e na desconstrução de preconceitos instaurados.

10. Na ponta dos pés  (Argentina/Brasil) – Sebastián Gil Miranda

Tuany Nascimento é professora de balé no Morro do Adeus, Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Moradora do bairro, dá aulas para meninas de 4 a 18 anos num projeto social que ela mesma criou, chamado Na Ponta dos Pés. A iniciativa nasceu em 2012 e, de lá para cá, mudou a vida de mais de uma centena de meninas, a maioria afrodescendentes, ajudando a desenvolver habilidades, aptidões, oportunidades e reforço positivo em relação à sua origem e identidade.

“O balé é uma das artes mais belas e transformadoras, capazes de moldar alguém”, afirma a professora no vídeo dirigido por Sebastián Gil Miranda. “Fazer balé, para elas, é uma experiência de vida: elas sabem que vão encontrar desafios, que podem não conseguir algo hoje, mas se persistirem conseguem. O balé transforma a vida delas e faz com que sejam mais capazes de enfrentar os desafios que tenham pela frente.”

 

 

AS MENÇÕES HONROSAS

1.Tambores afro uruguaios (Brasil) – Rafael Ferreira

Os tambores trazidos pelos africanos escravizados durante a colonização espanhola sobreviveram e ganharam novas forças no Uruguai. O candombe, símbolo de um povo reprimido pelos colonizadores, se tornou uma necessidade de expressão e liberdade dos africanos e hoje tem presença especial no carnaval uruguaio, como mostra o vídeo de Naouel Laamiri e Rafael Ferreira, readaptação de uma produção da TV Caiçara e do Canal Futura.

“No início, candombe era música religiosa, ritmo, canto e dança para oferendar aos orixás ou aos ancestrais, ou a entidade que fosse. Depois, a história se encarregou de tapar com alegria toda aquela grande força religiosa que tinham nossos antepassados e convertê-la  somente em um ritmo recreativo”, conta Chabela Ramírez, educadora, cantora e diretora do coro Afrogama. “Para nós, o candombe serviu para fortalecer e também para dizer nossas coisas.”

2. Cuerpos sin frontera. Migrantes afro en Santiago de Chile (Chile) – Isabel Araya Morales

Com roteiro e pesquisa de Isabel Araya, Pablo Mardones e Lissien Salazar, o curta narra a vida de um grupo de migrantes africanos e afrodescendentes estabelecidos em Santiago, no Chile. Todos ele são cultores e professores de dança e música de seus países de origem: Cuba, República da Guiné, Haiti, Peru e Venezuela. Radicados no Chile, país conhecido por não dar visibilidade às raízes afro, eles buscam fazer do corpo e de sua expressão canais para desconstruir estereótipos.

Em seus relatos, Brian Montalvo, Diarra Conde, Evens Clercema, Rosa Vargas e Yoxelin Rivas falam de como sentem o racismo e a xenofobia no Chile, e do que significa representar a arte e o patrimônio cultural afro no país em que hoje vivem. Cuerpos sin frontera é uma produção do Centro de Pesquisa Africarte, em parceria com Alpaca Producciones.

3. Antares de mujeres. Encuentro de danza afrocandombe (Uruguai) – Tania Ramírez

A segunda edição de Antares de Mujeres – Encuentro de Danza Afrocandombe foi realizada em 28 e 29 de outubro de 2017, na Escola de Candombe de Melo (Cerro Largo) e no Espaço Cultural Nación Zumbalele de Salinas (Canelones), no Uruguai. Participaram dos encontros mulheres que são referência no que diz respeito à cultura afro-uruguaia, e que aproveitaram este espaço de diálogo e intercâmbio para reforçar o reconhecimento da dança afro do candombe como patrimônio imaterial.

O vídeo realizado por Tania Ramírez, Juan Platero e Florencia Cesilia é um registro desses dois encontros de dança que giraram em torno da identidade de mulheres afrodescendentes e do candombe. O curta é uma realização do Mizangas Mujeres Afrodescendientes, coletivo de feministas que lutam contra o racismo, o machismo e a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

 

4. Margarita (Argentina) – Gaby Messina

Bem-me-quer ou mal-me-quer? Brincando com uma margarida, tirando pétala por pétala, a artista visual e realizadora audiovisual Gaby Messina segue neste curta com seu projeto de pesquisa estética sobre visibilidade afro na Argentina.

Margarita é uma proposta discursiva para pensar a contemporaneidade argentina”, escreve Boubacar Traoré, professor e pesquisador, especialista em história da arte africana e afro-americana.

“Cada vez mais um setor da sociedade argentina está convencida de que os afro-argentinos que descendem diretamente de escravos africanos representam também o presente, ainda que para muitos foram desaparecendo gradualmente. (…) Se muitos acreditam que a presença de negros está vinculada a estrangeiros de origem africana que se radicaram na Argentina nos últimos tempos, Gaby Messina propõe um olhar para desconstruir e despotencializar o discurso sobre a desaparição deste coletivo.”

Para assistir: MARGARITA – Visibilidad Afro en Argentina from Gaby Messina on Vimeo.

5. Ser livre (Brasil) – Alessandra Martins Souza

Em 2017, foram lançadas no Rio de Janeiro duas antologias poéticas com diversas expressões femininas de 40 poetisas. As duas publicações (da editora Quártica Premium) estão vinculadas ao Movimento Mulheres Reais (MMR), um coletivo de mulheres que escrevem formado em 2016.

Alessandra Martins, que assina a direção e o roteiro de Ser livre, participa de uma dessas antologias, Mulheres Reais: Linguagens Plurais. “Mostro em meus versos a vulnerabilidade que se encontra a luta e resistência do corpo negro. Ser mulher negra viva em uma sociedade tão racista e machista é um ato revolucionário”, afirma.

Ser livre, o curta, é poesia declamada por vozes negras. “Sou preta”, gritam as mulheres ouvidas por Alessandra no vídeo. Segundo ela, trata-se de um grito de liberdade.  “É o grito do corpo negro que vem há anos sendo morto e estigmatizado por um sistema racista, machista, opressor.”

6.Mestres Jongueiros (Brasil) – Luciano Santos Dayrell 

Editado por Luciano Dayrell, o vídeo é uma realização da Rede de Jovens Lideranças Jongueiras do Sudeste, com o apoio do Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu. Trata-se de uma homenagem aos mestres jongueiros, em especial aos que faleceram nos últimos tempos. O curta mostra que é preciso cuidar dessa memória, lembrar, reviver, e transformar a dor em força e alegria.

O Pontão de Cultura do Jongo é um programa desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com 15 comunidades jongueiras do Sudeste e a Rede de Jovens Lideranças Jongueiras. Esta, por sua vez, surge da necessidade do envolvimento intergeracional entre mestres, lideranças e jovens jongueiros, para que a tradição continue viva. Em 2005, o jongo do Sudeste foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural brasileiro.

7. Ni sí, ni no, ni blanco, ni (Argentina) – Mónica Graciela Champredonde

O curta se propõe a dar visibilidade ao conteúdo afro na configuração da identidade  e da cultura nacional dos argentinos, assim como de promover uma reflexão acerca da matriz racista que modela o pensamento do cidadão comum. O recurso é o de explicitar as evidências que, por uso ou omissão, se manifestam na linguagem cotidiana.

Por que se diz humor negro? Negro de alma, mercado negro, dia negro, ovelha negra, magia negra? Por outro lado, por que bandeira branca? Mentira branca, magia branca, pomba branca? Por que negro e não branco? Por que branco e não negro?

A realizadora Mónica Champredonde criou e organizou em 2010 o Festival Nacional de Cultura Afro-argentina na cidade de La Plata, província de Buenos Aires. A segunda edição foi realizada em 2017.

8. Alabados y Arrullos en la Pablo Neruda (Equador) – Rocío Rodríguez

Dona Insita Quintero desempenha um papel importante.em sua comunidade, em um bairro ao sul da cidade de Guayaquil (Equador). Durante 12 anos, foi coordenadora de plano internacional e atendeu 33 partos na comunidade como comadrona. Os cantos tradicionais da cultura afro, no entanto, aprendeu dos vizinhos e não em sua província natal, Esmeraldas.

Faz 29 anos que vive na cooperativa Pablo Neruda de Guasmo Sur, e “os Alabados y Arrullos” ali ouvidos têm mais de uma década em seus lábios, para consolo e orgulho de suas amigas/os e vizinhos/as. “Eu me sinto bem orgulhosa de viver aqui, e ainda compartilho isso com os jovens, que estão sempre ao meu lado”, afirma.

Como reforça Rocío Rodríguez, que assina a direção, o roteiro, a produção, a edição e a fotografia do curta, “as culturas não morrem enquanto todas as gerações as valorizem e se deem o trabalho de praticá-las e difundi-las dia a dia”.

 

9. Herederos del calypso (Costa Rica) – José Pablo Román Barzuna

No povoado limonense de Cahuita, em Costa Rica, existe um coletivo de calypsonians que se esforçam para criar o Instituto Nacional do Calipso, com o objetivo de manter vivo o canto de seus antepassados. A intenção é criar uma escola de calipso para meninos e meninas, um museu da história do calipso, um estudo de gravação e uma plataforma para a organização de concertos.

“O calipso é um ritmo que nasce justamente no mar do Caribe, no contexto da diáspora africana na América, partindo de algum porto de Trinidad e Tobago em companhia do mento jamaicano para encalhar, entre outros rincões da região, na província de Limón em Costa Rica”, explica o realizador do vídeo Herederos el  calypso, José Pablo Román Barzuna.

“A música, como ato de expressão coletiva, encarna o núcleo essencial da cultura dos povos caribenhos. Para quem tem enfrentado as mais ásperas condições de vida, a arte se volta assim uma reivindicação da identidade, seja individual ou coletiva.”

 10. Siembra de tambores (Argentina) – Mariela Elisa Carrera

A agrupação Fuerza Mayor, um coletivo de música integrado por 70 adultos da terceira idade, mantém viva a chama dos afrodescendentes em Córdoba (Argentina) por meio da fabricação de tambores que oferecem como presentes a escolas de baixos recursos com o objetivo de semear a música neles.

“Venho de afrodescendentes, levo eles no sangue. Por isso, cada vez que estou em um tambor, é um sentimento muito profundo. (…) O tambor é a projeção de nosso corpo, e o tambor é o corpo em si de alguém”, comenta uma das integrantes da agrupação. “Levar tambores a crianças, como agora, é fazer que acenda essa chama neles também, para que surjam novas sementes.”

O curta Siembra de tambores, realizado por Mariela Elisa Carrera, Mariano Salinas, Franco Colamarino e Iván Guerrero, é uma produção de “Artistas que cambian el mundo”, produtora audiovisual que visibiliza personagens, organizações e ações sociais.

 

Veja a lista dos selecionados:

Informação aos Interessados IV: Etapa de Seleção – Seleção Definitiva – Concurso de curtas audiovisuais “Comunidades Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento” 

Informação aos Interessados III: Etapa de Seleção – Concurso de curtas audiovisuais “Comunidades Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento” 

Informação aos Interessados II: Etapa de Habilitação – Concurso de curtas audiovisuais “Comunidades Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento” 

Informação aos Interessados I: Etapa de Habilitação – Concurso de curtas audiovisuais “Comunidades Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento”.

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24

fev
2017

EnEm EDITAIS
Notícias

PorPor IberCultura

Conheça os 10 vídeos premiados no Concurso “Mulheres, culturas e comunidades”

EnEm 24, fev 2017 | EnEm EDITAIS, Notícias | PorPor IberCultura

Dez vídeos de realizadoras de quatro países (Brasil, Argentina, Peru e México) foram selecionados no Concurso de Videominuto “Mulheres: culturas e comunidades”. Cada uma delas receberá US$ 500 como prêmio. O concurso teve como objetivo dar visibilidade ao papel fundamental das mulheres na cultura e na organização comunitária, fazendo frente a atitudes e estereótipos que contribuem para a desigualdade de gênero e a violência.

As inscrições estiveram abertas entre 19 de setembro e 1º de dezembro. Os vídeos deveriam ter duração máxima de um minuto e estar voltados para o público em geral, com classificação indicativa livre. Poderiam ser de qualquer gênero (documentário, ficção, animação, etc) e utilizar qualquer uma das línguas oficiais dos países ibero-americanos.

Mulhere-se (Brasil)

Participação

As mulheres foram protagonistas não somente como tema central del concurso, mas também em termos de participação. Das 55 candidaturas habilitadas (de um total de 57), 48 foram apresentadas por mulheres e sete por homens. Todos os vídeos premiados foram realizados por mulheres.

Brasil foi o país com o maior número de candidaturas (33 do total), seguido por Peru (7), Argentina (6) e México (5). Chile, Costa Rica e El Salvador apresentaram cada um uma peça audiovisual.

Huellas de mujeres (Perú)

Avaliação

O regulamento foi construído com a participação de alguns membros mulheres do Comitê Intergovernamental do programa IberCultura Viva. Um Comitê de Avaliação foi formado por mulheres vinculadas aos Ministérios de Cultura da Argentina, do Brasil, da Costa Rica, da Espanha, do Peru e do Uruguai.

Entre os critérios a serem avaliados foram considerados os seguintes: se oferecia uma imagem equilibrada e não estereotipada de mulheres e homens; se provocava reflexão sobre práticas culturais machistas; se dava ênfase à centralidade da mulher na comunidade: se fomentava uma mensagem de acordo com a igualdade de gênero e/ou defendia os direitos das mulheres e se propiciava a ruptura de estereótipos. Por último, se considerou se o vídeo apresentava grupos prioritários, como mulheres indígenas, afrodescendentes, transexuais ou sobreviventes de violência.

Os vídeos apresentaram uma diversidade de contextos, com a presença de mulheres rurais (do interior, de comunidades quilombolas e ribeirinhas) e urbanas (geralmente da periferia), tanto jovens como da terceira idade. Entre as temáticas abordadas estavam a organização ou participação em atividades culturais comunitárias, o reconhecimento da memória e a transmissão de saberes tradicionais, a expressão e criatividade artística e/ou consciência crítica, a denúncia de violência de gênero, a expressão da liberdade, e a ruptura de estereótipos.

Sustento (Brasil)

A seguir, publicamos os 10 selecionados com maior pontuação no concurso. 

LISTA DEFINITIVA DE VÍDEOS PREMIADOS

(Título do vídeo – País – Nome da candidata)
  1. Que todo el mundo se entere – Argentina – Sonia Elena Bertotti

  2. Mujeres constructoras – Argentina –  Sofia Bensadon

  3. Guardianas de la vida – Peru –  Andrea Pilar Valencia Rivero

  4. Sustento – Brasil –  Sylara Silva Silvério

  5. 1 minuto de Mulhere-se – Brasil –  Aline Daiane Frazão

  6. Huellas de mujer Peru – Cusy Mejía Paz  

  7. Ironia – México – Emilia Michel

  8. Peinando amistad, trenzando comunidad – Brasil – Raissa Alonso Capasso da Silva

  9. No es No – Brasil – Manu Campos

  10. A bela palavra da Kunhã Karai Brasil – Paola Correia Mallmann de Oliveira

(*Texto atualizado em 1 de março de 2017)

 

Para assistirhttps://www.segib.org/videos-ganadores-de-mujeres-culturas-y-comunidades/

 

Para baixar:

Informação aos interessados VIII: Concurso de Videominuto – Etapa de Avaliação – RELAÇÃO DEFINITIVA

Informação aos interessados VII: Concurso de Videominuto – Etapa de Avaliação

Informação aos interessados VI: Edital de Apoio a Redes – Etapa de Avaliação – RELAÇÃO DEFINITIVA

Informação aos interessados V: Edital de Apoio a Redes – Etapa de Avaliação

Informação aos interessados IV: Edital de Apoio a Redes – Etapa de Habilitação – RELAÇÃO DEFINITIVA

Informação aos interessados III: Concurso de Videominuto – Etapa de Habilitação – RELAÇÃO DEFINITIVA

Informação aos interessados II: Edital de Apoio a Redes de Cultura de Base Comunitária – Etapa de Habilitação

Informação aos interessados I: Concurso de Videominuto – Etapa de Habilitação

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12

Maio
2022

EnEm Notícias

PorPor IberCultura

Artivismo, identidades e patrimônio: os projetos do Chile selecionados no Edital de Apoio a Redes 2022

EnEm 12, Maio 2022 | EnEm Notícias | PorPor IberCultura

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Os dois eventos do Chile selecionados no Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2022 são o “Festival de Artivismos de Disidencia Isleña (FADI)”, proposto pela Red Sudaka Artivista, e a iniciativa “Cantar e contar: Pela salvaguarda das tradições, identidades e culturas locais”, organizada pela rede Poner en Valor Arica y Parinacota. O primeiro projeto, que envolve grupos do Chile, da Colômbia e da Argentina, tem realização prevista para outubro, na Ilha de Chiloé, em Ancud. A segunda ocorrerá em julho na cidade de Arica. 


* Nome da rede ou articulação: Red Sudaka Artivista

* Nome do projeto: Festival de Artivismos de Disidencia Isleña – FADI

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O Festival de Artivismos de Disidencia Isleña (FADI), proposto pela Red Sudaka Artivista, será realizado na Ilha de Chiloé, na localidade de Ancud (Chile), de 13 a 16 de outubro de 2022. A programação deve incluir seis oficinas de diversas disciplinas artístico-culturais, três palestras, um microfone aberto, uma gala artística, uma feira livre e um diálogo de encerramento. Todas as atividades são pensadas, articuladas e trabalhadas a partir, por e para as mulheres e a comunidade LGBTQIA+.

A intenção é gerar e fortalecer uma rede de artistas e ativistas da dissidência sexual e afetiva na Ilha de Chiloé, além de visibilizar e difundir questões dissidentes, especialmente no meio rural. As atividades serão realizadas na comuna de Ancud, nas localidades rurais de Chacao, Pilluco, Coipomo e Puntra, na Casa da Cultura de Ancud, no Teatro Municipal, na Escola San Juan e em vários espaços públicos.

A proposta selecionada no Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2022 prevê reuniões de planejamento, coordenação e fortalecimento para organizações culturais comunitárias (OCC) que compõem a Rede Sudaka Artivista e colaboradores locais da comunidade de Chiloé. Também estão previstas a criação colaborativa da identidade do festival e a publicação de material audiovisual com as gravações feitas durante as atividades.

(Foto: Mujeres al Borde)

O projeto propõe ações para reconhecer e fortalecer a identidade cultural existente na ilha e seu diálogo com outras culturas, a partir da temática das dissidências territoriais e afetivo-sexuais. As ações de compartilhamento de saberes e expressões artísticas, segundo a rede proponente, abrem as portas para a comunidade de Chiloé reconhecer e fortalecer sua própria identidade cultural, organização em rede e criação de espaços seguros para elas.

A rede considera o tema inovador e relevante para a comunidade ao romper com o contexto heteronormativo existente na comuna, pois, apesar de haver artistas e ativistas que trabalham e constroem a partir da dissidência sexual-afetiva, não há espaços ou visibilidade para suas plataformas. 

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Organizações participantes

A Rede Sudaka Artivista é o elo entre três organizações culturais comunitárias: Movimento Mogaleth, de Puerto Montt (Chile); Corporación Mujeres Al Borde, de Bogotá (Colômbia), e Bloque Antirracista, de Rosário (Argentina). Todas trabalham com temáticas territoriais dissidentes e sexo-afetivas, utilizando expressões artísticas como forma de ativismo. 

Chile – O Movimento Mogaleth, de Puerto Montt-Ancud, desde 2011 realiza acompanhamento entre pares, reuniões de acompanhamento, oficinas de autocuidado e bem-estar para pessoas LGBTIQA+, palestras, sessões de treinamento para funcionários públicos para reduzir a discriminação, capacitações e conferências com entidades de saúde pública. Entre algumas das atividades realizadas por esse movimento organizado de gays, lésbicas, trans e heterossexuais que atuam na defesa e promoção dos direitos da diversidade sexual estão a publicação da revista Educa tu sexualidad, entre 2015 e 2017, junto com o Instituto Nacional da Juventude (INJUV); capacitações sobre direitos humanos com perspectiva de gênero (2017) e sobre a participação de gaykeepers – agentes comunitários na prevenção do suicídio (2021).

(Foto: Mujeres al Borde)

Colômbia – A Corporación Mujeres Al Borde, criada em 2001 na cidade de Bogotá, tem um longo histórico de trabalho direto com comunidades trans e dissidentes sexuais em vários países da região. Nos primeiros 8 anos, Mujeres al Borde esteve focada na articulação com o movimento em nível local e nacional, defendendo uma política pública LGBT em Bogotá e participando do Projeto Planeta Paz para construir propostas de paz para a Colômbia. Por mais de uma década elas participaram ativamente de processos colaborativos com organizações feministas, transfeministas, de mulheres e do movimento LGBTQIA+ em nível regional e internacional. Na América Latina são reconhecidas como pioneiras na prática artivista sexual-dissidente, por desenvolver e consolidar propostas permanentes de artivismo e pedagogia transfeminista, inovando nas formas de compreender a ação político-comunitária. 

Argentina – O Bloque Antirracista Rosario é um coletivo autoconvocado com ativismo/artivismo antirracista, migrante, em defesa de direitos como a reparação histórica da afro-argentinidade e políticas públicas como a incorporação de uma perspectiva étnico-racial na cultura deste território e a união de todas as identidades de gênero. Criado em 2019 na cidade de Rosário (Argentina), o grupo tem entre suas atividades a construção de espaços autogestionários que habitam desde suas raízes e miscigenação, fechamento de ruas por situações de racismo em diversas instituições, ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade e festivais como o Festival do Dia da Consciência Negra (novembro de 2020) e o Festi Quilombo (setembro de 2021).

(Foto: Bloque Antirracista)


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* Nome da rede ou articulação: Poner en Valor Arica y Parinacota

Nome do projeto: “Cantar y contar: Por la salvaguarda de las tradiciones, identidades y culturas locales”

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O projeto “Cantar e narrar: Pela salvaguarda das tradições, identidades e culturas” propõe a articulação de artesãos/ãs, artistas performáticos/as, gestores/as e agentes culturais, patrimoniais e comunitários que garantem a salvaguarda do patrimônio natural da região de Arica e Parinacota, uma das 16 regiões do Chile.

Na programação que se realizará na cidade de Arica, de 8 a 29 de julho de 2022, estão apresentações artísticas, oficinas e palestras sobre temas relacionados ao patrimônio cultural e natural, identidades locais e artes cênicas. A ideia é realizar oficinas de artesanato típico da região, uma mostra de artes cênicas que abordem temas ligados à identidade local e às tradições do povo tribal afrodescendente chileno, que na região tem a maior população em nível nacional.

Ao final de cada jornada se realizará a cozinha Chocolate Quente Afro-Ariqueño, tradicional atividade de Páscoa de Negros, quando equipe técnica, artistas e animadores se reunirão com os participantes para colher suas impressões e gerar um diálogo em torno das atividades realizadas. E após cada contação de histórias, será realizada uma conversa com o público em torno dos temas propostos pela obra e seu contexto de produção. 

Como resultado das atividades, espera-se criar e fortalecer uma rede que assegure a salvaguarda do patrimônio cultural e natural da região e a valorização das identidades locais, e que ao mesmo tempo promova o desenvolvimento de novos e melhores políticas públicas para a sua valorização. Por outro lado, espera-se gerar um diálogo com a população, fortalecendo o vínculo entre as organizações integrantes da rede e as comunidades. Este projeto tem uma versão anterior intitulada “Muestra Ariqueña de Narración Oral y Ópera”, que reuniu narradores orais locais e cantores líricos.

(Foto: Centro MB2)

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Organizações participantes

A rede Poner en Valor Arica y Parinacota reúne cinco organizações com destacada experiência na região e com trabalho colaborativo prévio entre elas, como oficinas de dança para crianças e apresentações de artes cênicas, além de dias de comemoração pela declaração da cultura chinchorro como Patrimônio da Humanidade.

A Agrupación Social y Cultural MB2, criada em 2011 em Arica, possui uma infraestrutura que começa como um laboratório criativo para a produção e exibição de obras de artes cênicas e depois atua como um centro cultural aberto à comunidade. A organização desenvolve uma escola de formação de longa duração, conta com profissionais capacitados que atuam no campo artístico regional e possui um elenco estável que gera conteúdo original e vinculado à identidade cultural local. Além disso, organiza um festival de artes cênicas de abrangência regional (Escena Movida), e o encontro de teatro jovem que inclui comunidades com deficiência e escolares. Também mantém processos de mediação cultural com estabelecimentos e organizações educacionais do território. (Saiba mais)

Manos con Memoria

O Círculo Ancestral, outra organização de Arica que participa do projeto, é uma associação cultural multidisciplinar que desde 2009 tem focado seu trabalho na articulação entre arte, memória e aprendizagem. Esse trabalho tem sido desenvolvido através da criação e apresentação de obras cénicas, participação em programas educativos e organização e produção de feiras e oficinas. Desde 2019, a organização conta com a Escola Oficina de Artes e Ofícios Manos con Memoria, que trata dos ofícios de cestaria de junco, tecidos aimarás, argila e técnicas de tingimento pré-colombianas baseadas na produção de corantes naturais. 

Desde 2016, o grupo Observadores de Aves de Arica y Parinacota realiza atividades educativas com alunos, idosos e comunidade em geral, utilizando expressões artístico-culturais. A intenção, segundo eles, é estimular a capacidade de admiração, criatividade e pensamento crítico, promover a reflexão diante da urgência de educar e gerar ações inovadoras para buscar soluções para os problemas ambientais, articulando arte e ciência para resgatar seu patrimônio natural.

Mixtura Afroazapeña

Também participa do projeto a agrupação infantil e juvenil Mixtura Afroazapeña, uma organização ancorada em Paco de Gómez com integrantes de 4 a 22 anos. A organização é responsável por manter vivas as tradições e costumes dos povos tribais afro-chilenos na zona rural da região de Arica e Parinacota, apostando em um trabalho territorial que estimule a participação de diferentes gerações. As oficinas artísticas que realiza estão relacionadas com a  cultura afro-americana, como a Páscoa dos Negros, e particularmente com a identidade das mulheres afro-rurais da região.

A Associação de Embaixadores e Amigos da Cultura Chinchorro, por sua vez, é uma organização sem fins lucrativos que foi formada em 2021 com o objetivo de divulgar informações relacionadas à cultura chinchorro em reuniões de bairro, clubes de terceira idade, fundações e organizações territoriais. Um dos eventos realizados pelo grupo foi a celebração da Declaração da Cultura Chinchorro como Patrimônio da Humanidade, na qual participaram artistas locais de dança, teatro, música e gestores culturais. Outra ação foi o “Chinchorro para crianças”, que buscou divulgar esse patrimônio cultural por meio de espetáculo de teatro, narração oral e oficinas de arte e artesanato para crianças e jovens.

03

dez
2021

EnEm Notícias

PorPor IberCultura

Pontos de Cultura: uma década promovendo a cultura comunitária, pluriétnica, diversa e popular na Argentina 

EnEm 03, dez 2021 | EnEm Notícias | PorPor IberCultura

Texto: Puntos de Cultura
Fotos: Soledad Amarilla/Ministerio de Cultura de la Nación

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O programa Pontos de Cultura da Argentina, inspirado no Cultura Viva do Brasil, completou 10 anos fortalecendo a cultura popular comunitária através de uma ampla rede de organizações e coletivos que continua em expansão em todo o país e representa  políticas públicas que promovem a diversidade cultural da América Latina.

A primeira década de vida de Puntos de Cultura (PDC) foi celebrada semanas atrás com um encontro em Tecnópolis, com a participação do ministro de Cultura, Tristán Bauer, e a deputada brasileira e criadora da Lei de Cultura Viva, Jandira Feghali, como principal convidada.

O secretário nacional de Gestão Cultural, Maximiliano Uceda, foi o encarregado de abrir o encontro e dar as boas-vindas aos representantes de organizações sociais comunitárias que formam parte da Rede Nacional de PDC, protagonistas de uma jornada que incluiu oficinas, rodas de conversa e espetáculos.

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Ao nascer, em 2011, PDC reunia 98 organizações sociais comunitárias e comunidades indígenas. Hoje, a Rede Nacional de PDC está integrada por mais de 1.200 coletivos e mais de 1.600 projetos, através dos quais se promove a cultura solidária, a inclusão social, as identidades locais, a participação popular e o desenvolvimento regional através da arte e da cultura.

Durante a pandemia, o orçamento destinado ao programa Pontos de Cultura, que sofreu cortes por parte do governo neoliberal de Mauricio Macri (2015-2019), representou um investimento histórico, com um Aporte Econômico Extraordinário e uma VII Convocatória Nacional que encerrou com a inscrição de 942 novos projetos. 

O secretário Uceda lembrou que o programa “nasceu em um momento expansivo de nossa Pátria Grande, onde podíamos pensar em nós integralmente como um continente país, um continente nação. E podíamos tomar políticas de outros países e explorar com as mesmas políticas de futuro e de território”.

O Ministério de Cultura, explicou Uceda, reconhece na comunidade a base da construção de sentido, de cidadania, de história e de cultura, e entende o território e a quem compõem o território, que são as organizações, como o motor de mudança e cimento das políticas públicas.

A deputada Jandira Feghali, o ministro Tristán Bauer e o secretário Maximiliano Uceda (Foto: Mauro Rico)

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Na abertura, o ministro Bauer assegurou que o programa é “a coluna vertebral” de sua gestão. Para a Argentina, “é um programa fundamental, que temos expandido, ao qual temos dado um crescimento exponencial e vamos seguir fazendo”, e inscreveu estas iniciativas “na Pátria Grande, na unidade latino-americana e na diversidade cultural”.

Bauer advertiu sobre as pressões externas que “tratam de transformar a nós, latino-americanos, em consumidores de uma única monolítica cultura hegemônica, e a isso dizemos não. Hoje comemoramos os 10 anos de PDC, mas este programa nasceu no Brasil de Lula, de Gilberto Gil. Sempre temos que voltar a esses dias”.

Jandira Feghali concordou com Bauer que “os países capitalistas centrais têm a necessidade de dominar culturalmente os nossos, de que sejamos mercados homogêneos para que seus bens culturais sejam consumidos por nós: sua música, seu cinema, sua vestimenta, seus alimentos, como se fossemos um mercado consumidor único. Mas jamais seremos homogêneos, nós somos diversos, pluriétnicos”.

“Ser culto, disse Feghali, não é ter cultura erudita, não é a cultura da escolaridade. O povo é culto, o povo tem sua cultura. O Estado não produz cultura. A cultura é produzida pelo povo. E os Pontos de Cultura não são gestores de eventos, e sim administradores de processos sociais, de transformações, e devem integrar muitas políticas. A cultura atravessa a saúde, o meio ambiente, a tecnologia, a ciência e a comunicação democrática”.

Conversatório com representantes de organizações

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Durante o conversatório “10 anos de Pontos de Cultura”, que encerrou o dia de apresentações, o diretor nacional de Diversidade e Cultura Comunitária, Gianni Buono, destacou que a rede formada pelas organizações de PDC “é o potencial maior que o programa tem”, que não apenas financia projetos, mas também fortalece essa rede. 

Nessa linha, Buono anunciou que serão retomados os encontros regionais, postergados devido à pandemia, e que se impulsionará a criação de um Conselho de Cultura Comunitária Federal, com as ferramentas necessárias para que as organizações possam trasladar suas propostas e que permitam visibilizar a cultura e a diversidade a partir do território”. 

“Gosto de falar de culturas, porque há culturas antagônicas: a cultura do individualismo, à qual preferimos a cultura da solidariedade; a cultura da meritocracia, que confrontamos com uma cultura da participação e da organização; a cultura da homogeneização versus a cultura da diversidade, essa cultura popular contra a das corporações”, destacou Buono. 

No conversatório que percorreu os 10 anos de PDC e seus próximos desafios, e que foi moderado pelo coordenador do programa, Diego Benhabib, participaram representantes de sete organizações históricas de distintas regiões do país: Nora Mouriño (Grupo de Teatro Comunitario Catalinas Sur, CABA), Margarita Palacios (Asociación de Mujeres La Colmena, José León Suárez, PBA), Eduardo Balán (Asociación Civil El Culebrón Timbal, Moreno, PBA), Claudia Herrera (Comunidad indígena Guaytamari, Uspallata, Mendoza), Nancy Coronel (Asociación Civil Juan XXIII, Corrientes), Luisa Paz (DIVAS, Consultorio Inclusivo, Hospital Provincial, Santiago del Estero), e Alberto “Cuio” Ingold (Centro Cultural La Fragua, Villa Elisa, Entre Ríos). 

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Abertura do encontro em Tecnópolis:

Conversatório

19

out
2020

EnEm Notícias

PorPor IberCultura

4º Encontro de Redes: um balanço do evento na reunião do Conselho Intergovernamental

EnEm 19, out 2020 | EnEm Notícias | PorPor IberCultura

Ao longo de 38 dias, o 4º Encontro de Redes IberCultura Viva apresentou uma conferência, 15 conversatórios, 3 seminários, 8 espetáculos de títeres e um obra de animação. Se incluirmos os números da Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano 2020, que a Secretaria de Cultura do Governo do México organizou para o encontro, somamos outros 5 conversatórios, 4 ciclos de cinema, 2 entrevistas, uma retrospectiva e uma oficina, com um total de 83 curtas-metragens e 7 longas exibidos. 

Este foi o maior evento realizado pelo programa IberCultura Viva desde o início de sua implementação, em 2014. Foram mais de 45 horas de transmissão ao vivo, iniciadas em 8 de setembro com a conferência “Cultura comunitária e desenvolvimento social em contexto de emergência sanitária”, que reuniu autoridades de ministérios e secretarias de Cultura de 8 países, e encerradas em 15 de outubro com a reunião extraordinária do Conselho Intergovernamental, com a participação de representantes dos 11 países que integram o programa.

Nesta reunião, em que foi apresentado um balanço do 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, também foram eleitas as novas autoridades do Conselho Intergovernamental para o período 2021-2023. Por consenso, foi acordado que a Secretaria de Cultura do Governo do México presidirá o programa nos próximos três anos, e que a Secretaria de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Argentina assumirá a vice-presidência. O Comitê Executivo será composto por representantes do Chile, da Colômbia e da Costa Rica. Esses três países, mais o Peru, formarão a comissão especial que trabalhará com a Unidade Técnica na elaboração do Plano Estratégico Trienal (PET 2021-2013) e do Plano Operativo Anual (POA 2021). 

A reunião que encerrou o 4º Encontro de Redes teve três horas de duração e foi transmitida ao vivo pelo canal do programa no YouTube, a página de Facebook e o site criado especialmente para o evento: www.encuentroderedes.org. Esta foi a primeira vez que se transmitiu uma reunião  do Conselho Intergovernamental.  

 

As boas-vindas

Na abertura, as palavras de boas-vindas foram de Maximiliano Uceda, secretário de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Argentina e presidente do Conselho Intergovernamental. Após saudar todos/as os/as participantes, com um agradecimento especial à Secretaria de Cultura do México, que se encarregou de parte da programação do evento, Uceda fez algumas considerações sobre a implementação do projeto, reforçando “como conseguimos fazer comunitário este encontro virtual”, e como é importante fortalecer estas instâncias virtuais para ter mesas de trabalho com continuidade.

Ao comentar a situação da Argentina neste momento, o secretário de Gestão Cultural lembrou o anúncio que o Ministério de Cultura havia feito dois dias antes, sobre o investimento de dois bilhões de pesos para o setor, e a possibilidade de apoiar mais Pontos de Cultura. “No início da pandemia havíamos anunciado uma linha de 100 milhões de pesos para os Pontos de Cultura, um investimento histórico, e havíamos conseguido selecionar ao redor de 450 projetos entre a primeira e a segunda convocatória. Com esse novo incentivo de 105 milhões de pesos argentinos, vamos apoiar cerca de 700 projetos mais”, afirmou, ressaltando a “clara diretriz de reativar a cultura de baixo para cima, entendendo o abaixo como a base que solidifica toda a construção do sistema cultural argentino”.

Em seguida, o coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano, Enrique Vargas Flores, felicitou a realização do 4º Encontro de Redes em nome da Secretaria Geral Ibero-americana (Segib). “O que tem sido este encontro nos permite assegurar a saúde com que está o programa, a saúde e o entusiasmo, a confiança criada entre os países ao longo destes anos, e a clareza com que se tomam as decisões, sem nunca perder o foco no trabalho de base comunitária”, elogiou. 

Vargas também recordou que de 4 a 8 novembro se realizará o 7º Congresso Ibero-americano de Cultura (“Cultura e Desenvolvimento Sustentável”), com a participação dos 22 ministros e secretários de Cultura da região, e comentou a importância do diálogo com a cidadania para que o congresso possa se nutrir da voz das comunidades.

Os informes

A apresentação inicial do balanço do 4º Encontro de Redes esteve a cargo de Emiliano Fuentes Firmani, secretário técnico do IberCultura Viva, que disse ter alcançado as metas propostas em todo o processo, comentou os encontros anteriores e explicou que o evento se insere em um dos objetivos estratégicos do programa (“Fortalecer as capacidades de gestão e a articulação em rede das organizações culturais de base comunitária e dos povos originários”). 

Além de apresentar alguns dados desta quarta edição (110 pessoas convidadas como painelistas, 52 representantes de organizações culturais comunitárias, 4 representantes de povos originários, 48 representantes de governos, entre outros números), Fuentes Firmani destacou as articulações que possibilitaram as ofertas de formação, que contaram com 335 pessoas participantes. As parcerias com o Centro de Referência para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial na América Latina (Crespial) e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), que organizaram dois dos três seminários do encontro, segundo ele, foram importantes para alimentar o planejamento estratégico do próximo período.

“Tivemos um seminário que deu início  a uma relação que esperamos que seja fecunda e trace muitas pontes e tecidos, como dizia Adriana Molano, diretora geral do Crespial. Esta articulação nos permite avançar em um tema que até agora não temos explicitado e que entendemos que deve se incorporar ao planejamento. Nem toda cultura comunitária é patrimônio cultural imaterial, mas todo patrimônio cultural imaterial é cultura viva comunitária. Aí está uma linha de trabalho para vermos”, adiantou, lembrando também o seminário” que se fez com Flacso-Argentina, com quem o programa já vinha provando o trabalho conjunto e colaborativo.

O secretário técnico apresentou, ainda, um informe de execução do Edital de Apoio a Redes 2020: COVID-19 e Redes Culturais Comunitárias, que selecionou 53 iniciativas de 10 países, que em seu conjunto assistem a mais de 72 mil pessoas em suas respectivas comunidades. Como o único país que completou a cota prevista foi Argentina, acordou-se o remanejamento dos fundos previstos nesta convocatória extraordinária para aqueles países que apresentem propostas de apoio às organizações culturais comunitárias para sua sustentabilidade. As propostas devem ser aprovadas pelo Conselho Intergovernamental, sendo que o Uruguai foi o primeiro país a apresentar um projeto. 

Terminada a apresentação dos informes da Unidade Técnica, o gerente de Cooperação do Escritório Sub-regional Cone Sul da SEGIB, Marcos Acle, apresentou o informe de execução financeira do Fundo IberCultura Viva.

O balanço dos países

El Salvador Walter Romero, diretor das Casas da Cultura e Parques Culturais do Ministério de Cultura de El Salvador, foi o primeiro dos representantes nacionais ante o programa (REPPI) a comentar a participação de seu país no 4º Encontro de Redes. “Temos um balanço muito positivo. Me parecia um grande desafio pela situação que estamos vivendo, mas no final o encontro significou um debate continental muito destacado”, afirmou o diretor, que ressaltou a presença da antropóloga salvadorenha Marielba Herrera Reina no conversatório “Estudos sobre cultura comunitária”, e a exibição do documentário “25 anos do TNT”. “Para nós, foi muito importante encontrarmo-nos neste espaço, poder nos comunicar e trasladar aportes com todas as energias e alegrias.”

Uruguai Juan Carlos Barreto, assessor em Gestão Territorial da Direção Nacional de Cultura do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai, celebrou o trabalho das redes e da equipe que levou mais de um mês de atividades, e comentou a importância da proximidade com as organizações culturais comunitárias nos territórios dos países da região. Também destacou a possibilidade de designar, extraordinariamente, parte dos fundos do Edital de Apoio a Redes 2020 (a parte que cabia a seu país) a uma proposta de fortalecimento dos Pontos de Cultura do Uruguai, desenvolvida com o Ministério de Desenvolvimento Social (MIDES), para melhorar os espaços físicos onde funcionam esses coletivos. 

Chile Marianela Riquelme Aguilar, encarregada do componente Fortalecimento de Organizações Culturais Comunitárias do programa Red Cultura, do Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio do Chile, felicitou e agradeceu (em nome da REPPI Patricia Rivera Ritter) a realização desta “aventura ambiciosa que resultou em um encontro muito interessante e muito enriquecedor”, valorizou a participação chilena nos conversatórios (Lorena Berríos, Cristian Mayorga, Tomás Peters, Carolina Herrera), e manifestou interesse na continuidade do Curso Internacional em Políticas Culturais de Base Comunitária, que o programa realiza em conjunto com Flacso-Argentina. Ademais, comentou que o Chile está com uma convocatória aberta para conceder financiamento a iniciativas postuladas por organizações culturais comunitárias, que permitam sustentar espaços de participação, intercâmbio, integração, criação artística e comunitária em contexto de emergência.

Espanha Pela primeira vez numa reunião do Conselho Intergovernamental, Alfonso Gentil, subdiretor geral de Relações Internacionais e União Europeia do Ministério de Cultura e Esporte de Espanha, falou do compromisso para conseguir uma melhor difusão e um maior alcance para aumentar a participação das organizações culturais comunitárias espanholas nas distintas instâncias do programa. Também mencionou que em seu país há um crescente protagonismo territorial, de localidades menores, e que nesta mesma quinta-feira havia sido lançada uma publicação em torno da ruralidade da cultura, “Pensar y hacer en el medio rural. Prácticas culturales en contexto”. “Nesta publicação, o que se põe em relevo é a importância da comunidade nestes tempos de pandemia. Na Espanha, os confinamentos estão mais territorializados, por municípios ou comunidades, e a cultura tem que se mover em um âmbito mais interno. Desse modo, o que a cultura faz é contribuir mais e melhor para o desenvolvimento sustentável do entorno mais próximo”, sublinhou.

Colômbia Luis Sevillano Boya, diretor de Populações do Ministério de Cultura da Colômbia, ao comentar o 4º Encontro de Redes, valorizou a grande participação de organizações diversas e de distintas regiões do país. Também comentou os nove projetos colombianos selecionados no Edital de Apoio a Redes 2020, elogiou a parceria com Flacso-Argentina, e apresentou a proposta do programa Mujeres Narran su Territorio. “Neste programa construímos conteúdos próprios, com diferentes formas de representação territorial: a partir da palavra, da música, da cozinha, da literatura, etc. O que pretendemos é incentivar a criação e a circulação desses conteúdos criados por mulheres. Temos seis capítulos com enfoque populacional e comunitário (mulheres afrodescendentes, palenqueras, ciganas, com deficiência, mulheres diversas, camponesas) e pensamos que isso poderia gerar um curso virtual de narrativas de território e virtualidade para mulheres”, sugeriu.

ArgentinaDiego Benhabib, coordenador dos Pontos de Cultura da Argentina, também a  alta participação do país em todas as propostas do 4º Encontro de Redes, tanto nos conversatórios como na Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano, e também no grupo de trabalho “Participação social e cooperação cultural”. “Houve uma aposta importante por parte de nosso ministério e acho que isso se refletiu nas organizações e redes de cultura comunitária do país, em sua vontade de participar e dar sua opinião, de escutar e mostrar suas vozes e produções”, observou. O grande número de postulações da Argentina para o Edital de Apoio a Redes 2020 (do total de 34, foram selecionadas 10) e o reforço orçamentário para o programa Pontos de Cultura foram outros assuntos comentados por Benhabib em sua intervenção.

Costa Rica Eduardo Reyes, coordenador de Pontos de Cultura de Costa Rica, considerou que seu país teve “uma participação muito bonita” no 4º Encontro de Redes, com a presença de painelistas como Andrea Ruiz, Elides Rivera, Layly Castillo e Flory Salazar. “Essas quatro gestoras culturais trabalham fora do centro de San José e apresentaram experiências de território bastante enriquecedoras. Assim como a participação de Andrea Mata e Carolina Picado em outros espaços, que também consideramos muito satisfatórias”, afirmou. Ademais, Reyes destacou que a Direção de Cultura acaba de concluir duas convocatórias com número recorde de postulações: a do programa Pontos de Cultura, recém-encerrada com 100 propostas, e a de “Becas Taller”, também com muitos projetos recebidos, para além das expectativas.

México Esther Hernández Torres, diretora geral de Vinculação Cultural da Secretaria de Cultura do México, felicitou o trabalho conjunto pelo 4º Encontro de Redes,  que considerou “muito rico, valiosíssimo em termos de experiências, vozes, críticas, consonâncias e dissonâncias”. “Uma coisa de que gosto muito neste Conselho e neste encontro é que não há uma só voz, uma só perspectiva, e sim um um espaço diverso, que se abre ao diálogo de maneira constante”, festejou. A diretora também apresentou balanços quantitativos das atividades do encontro que foram organizadas pela Secretaria de Cultura: a Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano, o GT “Participação social e cooperação cultural” e a enquete para agentes culturais ibero-americanos sobre os impactos comunitários da pandemia de Covid-19.

Equador Jorge Xavier Carillo, diretor de Política Pública de Artes e Empreendimentos do Ministério de Cultura e Patrimônio do Equador, agradeceu às pessoas que participaram das diversas ações do 4º Encontro de Redes, e recordou que o artigo 122 da Lei Orgânica de Cultura do Equador dispõe sobre a implementação da Rede de Gestão Cultural Comunitária, um trabalho que se pretende retomar. Também citou a linha de apoio à cultura viva comunitária que havia sido aprovada antes da fusão dos institutos de fomento e que estão tentando dar seguimento. “Uma das coisas mais interessantes é como desde as experiências da cultura viva comunitária se pensam também os empreendimentos, as economias populares e solidárias. Tem sido um momento complexo, mas temos visto que apesar das enormes dificuldades, as organizações e as pessoas seguem levando a cabo, e a responsabilidade de nós, que estamos nas instituições, é de empurrar, de ajudar que isso siga se firmando”, observou.

Peru Carlos La Rosa, diretor de Artes do Ministério de Cultura do Peru, fez  um breve resumo da participação ativa de seu país no 4º Encontro de Redes, não somente por parte das organizações, mas também dos agentes de instituições públicas, começando pelo ministro da Cultura, Alejandro Neyra, que esteve presente na conferência inaugural. “É uma política importante no ministério, o reconhecimento e contínuo fortalecimento das estratégias a favor da cultura comunitária”, disse o diretor, que calculou em 49 o número de pessoas do Peru que participaram ao longo das diversas ações e espaços do encontro. “Creio que este será um rito importante em termos de desenvolvimento e enriquecimento das ações que se podem estabelecer desde os espaços dos programas ibero-americanos”, afirmou.

 

A nova gestão

Terminada a leva de comentários dos/das representantes dos países sobre o evento, confirmou-se a eleição das novas autoridades do programa e passou-se a palavra para a nova presidenta do Conselho Intergovernamental, Esther Hernández, que agradeceu a todos/as por abraçar a postulação do México, felicitou a gestão da Argentina (responsável pela presidência nos últimos três anos), e manifestou seu interesse em fortalecer a comunicação com os/as representantes nacionais e também com as organizações de base comunitária de seu país. “É um momento propício para estreitar os laços, para envolver mais efetivamente a rede, envolver outras organizações que ainda não fazem parte da rede, e estender o convite a outros governos locais para que se somem ao programa”, comentou.

O encerramento

No encerramento da reunião, o coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano, Enrique Vargas Flores, recuperou algumas palavras que havia dito na conferência inaugural, ao comentar a relevância que os governos estão dando à cultura comunitária em suas políticas públicas. “Talvez o foco midiático tenha estado (legitimamente) nas indústrias culturais, nos artistas, mas a pura presença desses ministros e tudo o que tem significado este encontro manifestam o compromisso que se tem desde a institucionalidade com o trabalho de base comunitária. (…) É sobretudo um reconhecimento às pessoas que estão na base comunitária, que tem sido parte fundamental disso. Todos os que estamos aqui somos apenas mediadores. O verdadeiro trabalho é deles e é para eles que devemos seguir trabalhando”.

Enrique Vargas também lembrou que a presidência do México se inaugura em um contexto mais complexo do que aqueles que tínhamos em anos anteriores. “A economia do mundo vai começar o próximo ano com uma média de 10% a menos, com novos pobres, com classes médias que infelizmente voltaram à pobreza. Vivemos na região mais desigual do mundo, e tudo o que fizermos tem que ajudar a reverter esta triste realidade. (…) Temos que redobrar esforços e dar um valor adicional a esta nova realidade que todos estamos enfrentando. Somente juntos vamos conseguir cumprir os objetivos traçados por este programa”.

O firme compromisso de trabalhar em conjunto com as organizações e redes culturais comunitárias também foi reforçado por Diego Benhabib, que encerrou a reunião agradecendo a todos e todas em nome da presidência do programa. “As organizações culturais comunitárias tiveram e têm um papel fundamental neste contexto de pandemia. Essas organizações vêm ajudando às populações a tentar mitigar as condições geradas pela emergência sanitária, e têm feito isso desde seus espaços militantes, comprometidos, com propostas em articulação com os estados (nacionais, estaduais, municipais). Este papel tem sido fundamental e vai seguir sendo”, afirmou Benhabib, ressaltando que este compromisso é o espírito prioritário e essencial do IberCultura Viva. 

 

Confira o informe do 4º Encontro de Redes

Confira o informe do Edital de Apoio a Redes 2020

 

Confira a ata da reunião do Conselho Intergovernamental

Veja o vídeo da transmissão ao vivo 

 

Leia também:

México assumirá a presidência do Conselho Intergovernamental IberCultura Viva

 

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19

set
2020

EnEm Notícias

PorPor IberCultura

Un cine junto al pueblo: seis películas de Jorge Sanjinés se exhiben en la Muestra de Cine Comunitario

EnEm 19, set 2020 | EnEm Notícias | PorPor IberCultura

En Bolivia, un país formado en su mayoría por comunidades indígenas, hasta la década de 1960 no se había visto ninguna película hablada en lengua originaria. Jorge Sanjinés fue el primer director de cine en producir películas en aymara y quechua. Uno de los más importantes nombres del cine boliviano, exponente del Nuevo Cine Latinoamericano, autor del manifiesto “Teoría y práctica de un cine junto al pueblo” (1979), Sanjinés siempre profesó en sus producciones el respeto a los pueblos indígenas. 

Su cine militante, crítico, con un discurso impregnado de originalidad, es uno de los destaques de la Muestra de Cine Comunitario Iberoamericano que se desarrolla durante el 4º Encuentro de Redes IberCultura Viva. Cinco largometrajes y un corto realizados por el director junto al Grupo Ukamau entre las décadas de 1960 y 1980 se presentarán del 20 al 24 de septiembre en la página web del evento (www.encuentroderedes.org).

La Retrospectiva Jorge Sanjinés será lanzada este domingo 20 de septiembre a las 17:00 (hora de Argentina), con un encuentro virtual que tendrá la participación de Pedro Lijerón, representante de la Fundación Grupo Ukamau, del realizador audiovisual Miguel Hilari (Bolivia) y de Manuel Trujillo (México), del Programa Cultura Comunitaria de la Secretaría de Cultura de México, que organiza la Muestra de Cine Comunitario Iberoamericano. 

 

Una estética propia

“Ukamau (1966)”, que abre la retrospectiva este domingo, fue la primera película boliviana en aymara. El título significa “Así es”, y acabó convirtiéndose en el nombre del grupo de cineastas del que forma parte Sanjinés. Desde su creación en los años 1960, el Grupo Ukamau ha dedicado su cinematografía a la resistencia cultural y política de las comunidades indígenas de Bolivia. Y ha sabido crear su propia narrativa y métodos de trabajo para construir un discurso único en el mundo por su coherencia y originalidad. 

En 2013, en entrevista a Cristina Alvares Beskow (publicada en la revista Cinema Comparat/ive Cinema, Vol. IV, Núm 9, 2016), Jorge Sanjinés explica cómo se dio ese proceso de pensar una estética política y militante. “Comprendimos que ese cine que tenía como objetivo llegar a la mayor cantidad de espectadores bolivianos tenía que construirse bajo los preceptos inspirados en los mecanismos internos de otra visión del mundo, la visión mayoritaria, la visión de las culturas indígenas. Y fuimos elaborando una estética propia, un lenguaje, una narrativa que va a culminar después en ‘La nación clandestina’, donde ya construimos el plano secuencia integral, que es una manera de contar que interpreta el sentido del tiempo circular del mundo andino”, comenta el director.

Este plano secuencia integral que acabó marcando su cine fue adoptado como un elemento narrativo para resaltar las nociones de comunidad, según él detalla en la entrevista: “Buscábamos un plano en el que el protagonista fuera colectivo, un plano que los pudiera integrar a todos y que prescindiera del close up, que es propio del lenguaje europeo, del individualismo, donde se incrementa y se exalta la individualidad. No es que en ‘La nación clandestina’ no tengamos primeros planos, los tenemos, pero no por corte, sino porque llegamos a ellos en un movimiento natural con la cámara, integrando a todos en el movimiento. Eso fue determinante porque ese plano viene de la manera de contar las historias de los propios pueblos indígenas”.

Entre los aymaras y quechuas, el tiempo no es lineal, no responde a la lógica cartesiana. “Un espacio en el cual el tiempo gira y todo regresa, eso es lo que hace la cámara también al narrar cada secuencia”, observa. “Los aymaras lo entienden así, que el futuro no siempre está delante, puede estar atrás, como se muestra tranquilamente en la película: en la última toma se ve que entierran a Sebastián, que ha muerto en la danza de la muerte, pasa el cuerpo y, cuando la cámara vuelve sin cortes, el último que acompaña el cortejo fúnebre es él; pero es el Sebastián renacido, él es el futuro, el futuro está atrás mirando el pasado por delante”.

La nación clandestina (1989), una de las seis películas que conforman la Retrospectiva Jorge Sanjinés, tiene su exhibición prevista para el jueves 24 de septiembre. Antes se presentan Ukamau (día 20), Yawar Mallku (día 21), El coraje del pueblo (día 22), Las banderas del amanecer (día 23), y el corto Revolución, que estará disponible del 20 al 24 de septiembre. 

 

PROGRAMACIÓN

Domingo 20 de septiembre

Ukamau 

(Jorge Sanjinés, Bolivia, 1966, 72 min)

Metáfora sobre la recuperación de la soberanía indígena. Una joven campesina aymara es violada y asesinada por un comerciante mestizo. Antes de expirar, ella logra decirle a su esposo el nombre del asesino. Transcurre un año de paciente espera hasta que llega el día de la venganza, que se efectúa en un duelo a muerte.

 

Lunes 21 septiembre

Yawar Mallku – Sangre de Condor

(Jorge Sanjinés, Bolivia, 1969, 70 min)

Esta película basada en hechos reales cuenta la historia de una lejana comunidad Quechua, en la que un equipo del Cuerpo de Paz estadounidense se dedica a esterilizar a mujeres indígenas sin su consentimiento. Ignacio, jefe de la Comunidad, descubre el crimen y toma represalias junto a los comuneros.

 

Martes 22 septiembre

El Coraje del Pueblo 

(Jorge Sanjinés, Bolivia, 1971, 90 min)

El 24 de junio de 1967 debía realizarse un ampliado obrero nacional para discutir qué tipo de apoyo se daría al Che Guevara y sus guerrilleros, que se encontraban luchando en Ñancahuazú. El ejército boliviano, presionado por la misión militar norteamericana, asalta en la noche de San Juan el campamento minero del siglo XX, apresando y asesinando dirigentes y causando la muerte de muchas personas. Se trata de una reconstrucción histórica fidedigna.

 

Miércoles 23 septiembre

Las Banderas del Amanecer

(Jorge Sanjinés y Beatriz Palacios. Bolivia, 1983, 70 min)

Documental sobre la lucha popular que hizo posible la recuperación del proceso democrático, interrumpido por el golpe militar del coronel Natusch en 1979 y el asalto al poder del general García Mesa tan solo un año más tarde. Acompañando los acontecimientos, sin interpretaciones ni análisis, la película da cuenta del alto grado de conciencia social y política del pueblo de Bolivia.

 

 

Jueves 24 septiembre

La Nación Clandestina 

(Jorge Sanjinés, Bolivia, 1989, 2h 8min)

Sebastián Mamani regresa a su comunidad aymara de origen, de la que fue expulsado tiempo atrás, cargando la gran máscara de la muerte, para danzar hasta morir, en una suerte de expiación de los pecados que ocasionaron su exilio y como una manera de renacer en su identidad cultural perdida. Durante su viaje rememora su pasado.

 

Toda la semana

Cortometraje Revolución

(Jorge Sanjinés, Bolivia, 1963, 9 min)

“Revolución” muestra las condiciones miserables de vida de una gran mayoría de los habitantes en Bolivia, afectados por el desempleo, la alimentación inadecuada, el hábitat y la mortalidad infantil, con referencias a las manifestaciones obreras y la represión policial a que son sometidos. “El pueblo combate, combate por esa tristeza, por esa camisa a pedazos, por esos ojos apagados”.

 

 

 

 

04

set
2019

EnEm EDITAIS
Notícias

PorPor IberCultura

Sabor à Ibero-América: conheça as histórias de receitas selecionadas no concurso

EnEm 04, set 2019 | EnEm EDITAIS, Notícias | PorPor IberCultura

A Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB), junto com os programas de cooperação IberCultura Viva e Iber-Rutas e a iniciativa IberCocinas, anunciaram nesta terça-feira 3 de setembro o resultado do concurso “Sabor à Ibero-América”, lançado em abril para premiar histórias de receitas culinárias tradicionais das comunidades migrantes da região. As 10 propostas selecionadas receberão prêmios de US$ 500 cada.

Além das 10 ganhadoras, a Comissão Avaliadora decidiu conceder quatro menções honrosas (sem prêmios em dinheiro) a postulações que não se ajustavam aos requisitos de premiação por não se tratar de pessoas migrantes, mas que apresentavam nas receitas as histórias de migrações de seus ancestrais. 

Fruto de programas de cooperação dos países ibero-americanos nas áreas de cultura, cozinha e migração, o concurso buscou fortalecer a visão da Ibero-América como uma região cujo desenvolvimento está estreitamente vinculado às migrações internacionais. Sua meta era dar visibilidade às experiências de interculturalidade que se dão através da cozinha tradicional e da inovação criativa como expressão da diversidade.

As inscrições de “Sabor à Ibero-América” estiveram abertas de 3 de abril a 15 de julho de 2019 na plataforma Mapa IberCultura Viva. Podiam participar do concurso maiores de 18 anos de nacionalidade e residência em algum dos 22 países ibero-americanos. As propostas deveriam incluir uma receita da comunidade de procedência do postulante, a história por trás dela e a forma como essa receita se insere na sociedade de acolhida, no contexto de uma experiência migratória. 

Das 43 inscrições enviadas ao concurso, 42 foram habilitadas e passaram para a segunda etapa da convocatória. Entre os critérios de avaliação estavam a representatividade da preparação para a comunidade de origem; o processo de interculturalidade na experiência de inserção na comunidade receptora; a originalidade da história; a origem da receita, ingredientes e sua história, e a presença de significados e valores associados. 

 

 

Confira a ata com o resultado do concurso:

Informação aos Interessados III:   Etapa de seleção – Concurso Sabor à Ibero-América

 

A seguir, apresentamos alguns trechos das receitas premiadas e das reconhecidas com as menções honrosas. Nos próximos dias, publicaremos as receitas ganhadoras do concurso, acompanhadas de suas histórias e modos de preparação. 

 

AS 10 PREMIADAS

 

  • Nome da receita: Feijoada Baiana de mi Madre
  • Nome da candidata: Djanira Nascimento Abreu
  • País de nascimento: Brasil
  • País de residência: Argentina

Um trecho da história da receita:

“La receta me la enseñó mi madre. Desde chica me gustaba ayudarla en la cocina. Casi siempre yo me ponía a su lado para observar como ella preparaba a mis comidas preferidas. Con mi hermana seleccionábamos los porotos dispuestos arriba de la mesa, separando los granos buenos y descartando a los que no tenían buen aspecto. Me acuerdo que ese proceso era muy divertido para nosotras. Con los años,  aumentaban las responsabilidades en el hacer de la feijoada: preparar la farofa; ayudar a cortar las cebollas, los tomates; alcanzar los ingredientes o utensilios mientras mi madre cocinaba. (…)

“Los mayores beneficios de hacerla en Argentina están relacionados al plan de lo simbólico. He logrado acceder a valores subjetivos existentes en el acto de cocinar y de comer que únicamente se me presentaron al encontrarme en la condición de migrante. Cuándo me invaden los sentimientos de añoranza, mi cuerpo se llena de memorias. En esas ocasiones, resuelvo cocinar una feijoada. Entonces, el sabor de la comida ausente se hace presente en mi boca. Sus colores, texturas y sonidos me hacen recordarlas con vehemencia. Mi corazón vuelve a sentir el calor del plato que me fue servido con afecto. También suelo cocinarla para los ensayos de samba en mi casa. La Roda de Samba grupo de Santa Fe, formado por músicos argentinos y brasileños que tocan samba brasileña, muchas veces vienen a ensayar en mi casa y aprovecho la ocasión para hacer la feijoada. Generalmente somos un total de veinte personas, entre los y las integrantes y algunos otros invitados. El ensayo de la Roda de Samba se parece más a una excusa que hacemos entre amigos para compartir la feijoada, cantar, tocar y bailar samba”.

 

 

  • Nome da receita: Encoca’o de sancocho de pescado
  • Nome da candidata: Clara Inés Palacios Burbano
  • País de nascimento: Colômbia
  • País de residência: Uruguai

Um trecho da história da receita:

“Soy colombiana, provengo de la zona del río San Juan, del corregimiento de San José del Salado (300 habitantes), con cuna donde se ubica una de las dos torres mudéjar de Latinoamérica, en el Valle del Cauca. Si bien en mi pueblo no hay tradición fuerte por los frutos del mar, en casa gracias a mi padre, mi madre, mi abuela y su pasión por la comida de mar, desde muy pequeña consumíamos semanalmente pescado o mariscos. Cuando yo tenía 5 años, hace ya 37 años, fuimos en familia a Buenaventura, a un humilde pero renombrado restaurante ubicado en una casa de palafito junto al mar, “Donde Pancha”, que era una mujer negra recelosa de sus recetas, cuya sazón hizo que varios presidentes de Colombia la visitaran en su humilde casa/restaurante. Llegamos muy temprano, lo que permitió que mi madre con su dulzura campesina, “le cayó en gracia” a la cocinera y por ello fué participe de la elaboración del sancocho de pescado, la misma Pancha le explico a mi mamá como lo elaboraba, diciéndole que el secreto era el amor. 

  La receta la comenzamos a preparar en casa desde ese entonces y la hemos ido mejorando a medida que ha pasado el tiempo, en principio mi madre y luego yo también comencé a hacer aportes, que han permitido perfeccionarla y explorar con aciertos y fracasos. Regularmente la realizamos para cumpleaños en especial el de mi papá o alguna festividad especial, cuando hay buen tiempo de sol, se realiza en fogón de leña y se comparte en familia, ya tiene muy buen reconocimiento, nos llaman a preguntar cómo la hacemos. Y muchos invitados que en principio manifestaban su total disgusto por el pescado, han pedido hasta 3 platos. Una vez preparé un sancocho para compañeros de la universidad y un profesor alemán que se supone era alérgico al pescado, pidió dos platos y su alergia no apareció por ningún lado”.

 

  • Nome da receita: Anticuchos del Corazón
  • Nome da candidata: Ederlinda Santos Rojas Yaipen
  • País de nascimento: Peru
  • País de residência: Uruguai

 

Um trecho da história da receita:

“El anticucho es uno de los platos bandera de la comida peruana, en su simpleza representa la más cálida acogida a la familia que llega de visita un domingo por la tarde, a las ferias populares, a la actividad pro salud para ayudar a un amigo o familiar enfermo, o simplemente comerte ese ansiado antojo. 

La receta la aprendí de una tía y ella de mi abuela. A los 11 años me gustaba mucho visitar en vacaciones a mi tía en Motupe (Lambayeque – Perú) ella vendía fuera de su casa parrillada y anticuchos. Me llamó mucho la atención, ver cómo los trozos de carne insertados en unos palitos se cocinaban con el implacable fuego sin quemarse, pero esbozando un olorcito particular que hacía a las personas quedarse paradas alrededor de la parrilla esperando por su ansiada porción. Fue en ese entonces en que quise aprender no solo la entrega en el plato o la mano sino la preparación.

El anticucho es un plato típico peruano que como tal se popularizó durante la época colonial, siendo uno de los platos más importantes servidos a los esclavos del antiguo Perú. Se caracteriza por el uso de corazón de res insertado en un pincho y asados bajo el fuego de una parrilla. En Perú, es considerado un plato tradicional de las Fiestas Patrias, durante el mes de julio, como parte de las tradiciones gastronómicas de las festividades. Desde que aprendí hacer ese platillo, al regresar a mi casa de vacaciones siempre me pedían hacerlo, y cada vez que lo realizaba sentía la misma sensación que al estar en casa de mi tía, esa sensación de ver a la gente esperar su brocheta y terminar con una sonrisa de agradecimiento”.

 

  • Nome da receita: Cochinita Pibil
  • Nome da candidata: Josahandi Avila Pérez
  • País de nascimento: México
  • País de residência: Chile

Um trecho da história da receita:

“La receta original es de mi bisabuela Margarita, originaria de Yucatán. Mi abuelita se le enseñó a mi mamá y mi mamá a mí, pero es una receta en la que es difícil llegar a la cocción perfecta de la carne, hay que entender los tiempos al fuego y el manejo de los cítricos, más las cantidades exactas de los aliños para que no quede muy intensa pero tampoco puede quedar sin sabor. Yo recién logré llegar a la sazón cuando cumplí 18 años. A pesar de los esfuerzos de mi mamá por enseñármela no lo lograba, entonces mi abuela decidió guiarme hasta lograrlo. Con esta receta vendí tacos en México durante 3 años para ayudarme a pagar mi carrera de universitaria, me volví la taquera preferida de muchos transeúntes de Avenida Coyoacán. Es una receta a la que le debo mis estudios, pero sobre todo le debo la conexión con mi abuela y todo mi linaje materno acerca de cómo mantener nuestra sazón, de la importancia de nuestros estados de ánimo al cocinar, la conexión con los ingredientes para saber cuánto le pongo de cada uno. 

Con los años he ido perfeccionando la receta, ahora la hago en Chile con toda la fusión de ingredientes de diferentes países. Creció, encontró su sazón peculiar. Con las enseñanzas en cocina también he ido aprendiendo que en la calidad de los ingredientes radica el sabor, por lo tanto en Chile apoyo al comerciante particular, la carne que ocupo para mis recetas siempre son de animales libres. En Chile se ha perdido mucho las carnicerías, las verdulerías, las fruterías, la mayoría compra en el supermercado y el pequeño comerciante ha ido desapareciendo. Yo extraño eso de México, poder salir y encontrarme con la señora que vende los limones de su limonero, el caballero que vende la carne de los animales de su granja que él cuida y mantiene. Así que esto trato de transmitir en clase a mis alumnos y también en cada receta que degustan mis comensales, hablar de lo importante que es la calidad de los ingredientes y su obtención. De alguna manera esta receta marcó mi emprendimiento, conexión y valor fue lo que me dejó”.

 

 

  • Nome da receita: El Chipaguazu de Ña Mechi
  • Nome do candidato: Santiago Carneri
  • País de nascimento: Argentina
  • País de residência: Paraguai

 

Um trecho da história da receita:

“El chipaguazú es una de la dos principales guarniciones de Paraguay. Es una comida universal en toda América, pero con detalles particulares en este país de inmensa cultura indígena guaraní. Es una comida accesible y popular. Se puede encontrar en casi cualquier bar o restaurante de Asunción o del resto del país. El maíz crocante de los bordes y la suavidad del maíz cocinado en el interior, mezclado con queso y cebolla es una explosión de sabores dulces, amargos, salados y ácidos espectacular. Y, como siempre en estos casos, la mejor receta es la de la madre o abuela del clan familiar. 

La receta ha viajado con formas y proporciones distintas por todo el continente, desde el sudamericano chipaguazú paraguayo al norteño “Corncake” (pastel de maíz) afroestadounidense. Yo soy nacido argentino, criado español por padres migrantes, vuelto a migrar en busca de trabajo en 2012 y residente paraguayo desde hace seis años. Mi pareja paraguaya me abrió hace cuatro años un mundo de nueva cultura, historias y recetas. La más destacada y viajera es el chipaguazú. La madre de mi pareja, Ña Mechi, como es conocida en su gran familia de 20 hermanos y en su barrio de la periferia de Asunción, le debe su superviviencia y la de su hija a su buen oficio con la cocina, su fuerza de voluntad y su inmensa paciencia. Y su chipaguazú es mi favorito de todo Paraguay y, probablemente, del mundo”.

 

  • Nome da receita: Mi Causa
  • Nome do candidato: Deyvis Andy Davila Silvano
  • País de nascimento: Peru
  • País de residência: Uruguai

 

Um trecho da história da receita:

“La causa limeña es uno de los platos tradicionales del Perú, un plato infaltable en los agasajos familiares. Este plato data de la época del virreinato donde no se conocía con un nombre específico; fue con la llegada del libertador José de San Martín que para solventar los gastos de la campaña militar, en las esquinas de las calles limeñas se vendía este plato para apoyar a “la causa” de la independencia; es en este contexto en que el plato ganó el nombre de “causa”. 

Este es uno de mis platos favoritos, el plato que se hacía esperar cada viernes al terminar la semana en el comedor popular donde mi abuelita cocinaba. Yo era infaltable y esperaba sentado en la mesa la llegada de mi platillo favorito, y al llegar primero lo comía todo junto lo que hacía sentir un sabor indescriptible, ese toque de limón, esa frescura y esa contundente papa amasada que te dejaba lleno. Luego me dio mucha curiosidad y cuando me servían el plato empecé a separar las capas de papa y los otros ingredientes para saber qué era eso que tanto me gustaba. Era aún pequeño y mi abuela no nos dejaba entrar mucho a la cocina por el miedo a quemarnos, siempre me quede con las ganas de aprender. Un día cuando tenía 13 años estaba en la secundaría, pidieron que preparáramos un plato para representar en el concurso por las fiestas patrias, en ese momento no dude que mi plato a presentar sería la causa. Le pedí a mi abuela que me enseñara y ella al ver mi emoción me enseñó. 

Desde ese entonces siempre trate de mejorarlo y fue mi forma de agasajar y demostrar mi cariño a mi familia y amigos al prepararlo. Creo que fue esa experiencia la que me hizo estudiar cocina. Dicen que hay experiencias que te marcan y cada vez que hago ese plato, regreso ese viernes último de julio, en el centro de mi colegio junto con todos los otros platillos, esperaba con ansias al jurado para que probara mi preparación”.

 

  • Nome da receita: Repochetas Nicaragüenses a lo Nica y a lo Tico
  • Nome da candidata: Mabel Betania Castrillo Orozco
  • País de nascimento: Nicarágua
  • País de residência: Costa Rica

Um trecho da história da receita:

“Aprendí la receta de las repochetas de mi mamá. No sé nada sobre el origen, para mi las inventó mi madre porque eso fue lo que viví. Eran épocas difíciles. Después de la revolución sandinista vino la contrarrevolución. Yo no recuerdo nada de eso, era muy pequeña. Lastimosamente uno de mis tíos favoritos murió por esas horribles guerras. Aunque no se hablaba de eso, de segurito que la pobreza en que vivíamos fue fruto de todo ese proceso, aunque mi papá decía que era la tierra que estaba cansada y ya no producía como antes. 

Se imaginan, mis papas debían mantener once hijos y así un día mi madre preparó una masa, le puso los frijoles molidos, la ensalada y la cuajada encima. Nos dijo: “Vayan a vender estas repochetas a la escuela”. Yo las llevaba a la escuela y al salir a recreo me ponía a venderlas a los compañeros. Un córdoba por repocheta y fueron un éxito. Con lo ganado ya podíamos comprar un poquito de carne para comer u otras cositas para el hogar. Incluso al pasar el tiempo ya nuestra madre nos daba un córdoba a cada hermano para comprarnos lo que quisiéramos.

 Todos los hermanos aprendimos a preparar las repochetas y así se convirtió esto en un pequeño negocio familiar donde todos participábamos, incluido mi padre que se encargaba de mantener la milpa, el frijolar y los sembradíos de cebolla y tomate. Al principio fue en el recreo en la escuela, luego íbamos de casa en casa (lograba hasta cuarenta repochetas vendidas, se iban volando), luego ampliamos la venta en la escuela con el turno del colegio por las tardes y lográbamos colocar hasta 400 repochetas por día. Claro que ya a ese nivel teníamos que pagar a la escuela para poder mantener un puesto fijo. Toda la familia se dedicó a eso y lo hacíamos todo en conjunto.

(…) Cuando preparo las repochetas, los olores y los sabores, siento que me traslado hacia mi casa. En mi mente veo a mi madre ahí, siempre en su cocina, junto a la tabla limpiecita bien aseadita para preparar los alimentos (no teníamos cañería, sino que traíamos baldes de agua del pozo). (…) Las repochetas son como un consuelo para mi y me encanta ver a la gente comiéndolas con todo gusto y al final decir: “¡Qué ricas, deme otra! Eso me emociona”.

 

  • Nome da receita: Pupusas Salvadoreñas a la Leña
  • Nome da candidata: Sulma Pérez
  • País de nascimento: El Salvador
  • País de residência: Costa Rica

Um trecho da história da receita:

“Las pupusas salvadoreñas son la comida típica del El Salvador,​ probablemente por la tradición instituida de generación en generación. En el caso de esta receta fue una enseñanza de mi familia, a mi abuela le enseñó la suya, yo le enseño a mis hijxs y nietxs. Comúnmente se prepara en familia o para eventos comunitarios y fiestas populares nos reunimos grupos de mujeres a preparar pupusas, siendo esto un espacio de intercambio y trabajo colectivo. Los ingredientes en su mayoría son frescos del mercado o sacados de la huerta.

Esta receta se sigue conservando de generación en generación, ya que es una comida cotidiana, en la comunidad migrante salvadoreña y es común su preparación en casa de familias. La receta ha tenido que ser modificada ya que se ha tenido dificultad con conseguir ingredientes tradicionales como el loroco; y por motivos económicos y de salud se ha evitado hacerlas con carne, como se hace en la actualidad. Algunos ingredientes por lo que se reemplazan son el ayote rayado, los frijoles molidos, las espinacas y el tomate a cambio de la carne. En nuestro caso la mayoría cosechados de la huerta en casa, o comprados / truequeados a vecinos de la comunidad. La receta vegetariana ha despertado interés de personas vegetarianas o que prefieren alimentos sanos sin carne, por lo que se ha vuelto común en los últimos años. 

En nuestra comunidad de Longo Maï, aquí en Costa Rica, es el plato más aclamado por el turismo y voluntarios que nos visitan, para festivales comunitarios, actividades de la iglesia y escuela. Actualmente hacemos talleres de pupusas a visitantes, con ventas de las mismas, ayudando a la economía familiar. Es común pasar a casa de cualquier persona de la comunidad y que te ofrezcan una deliciosa pupusa con café. Cada quien le pone su sabor y detalles personalizados haciendo esto una tradición que emigró también con nuestras familias y seguirá en la mesa de salvadoreñas, ticxs, nicaragüenses, etc”.

 

 

  • Nome da receita: Sopes (pellizcadas)
  • Nome da candidata: Erika Jennifer Solís García
  • País de nascimento: México
  • País de residência: Uruguai

Um trecho da história da receita:

“En la mayoría de los hogares mexicanos del centro y sur del país es muy común que se cocinen “sopes” (especialmente en el sur se le conocen como “pellizcadas” o “picadas”), y que la receta sea transmitida a las nuevas generaciones, sobre todo de madres a hijas. Sin embargo, nuestro caso fue diferente y particular (…) Estando en México se tiene acceso tan fácil a los “antojitos mexicanos” lo que muchas veces impide que nos aventuremos a la preparación de estos platillos, así que fue hasta que decidimos migrar (primero a Valparaíso, Chile y ahora a Montevideo, Uruguay) que descubrimos la necesidad de cocinarlos por cuenta propia, lo que sin duda significó un reto, sobre todo porque tuvimos que poner en práctica lo que recordábamos de aquellas domingos en familia, y ahora se ha convertido en un gusto personal y en la manera de acercarnos al sabor de casa. (…) 

Quizá para mí, un poco más que para el resto de los migrantes, los sopes signifiquen tanto, ya que alrededor de ellos tengo acumulado una serie de recuerdos. Mi cumpleaños, al ser en septiembre, era celebrado siempre con una “kermés”, en el que mi madre cocinaba lo más mexicano que se le ocurriera, agua de horchata, jamaica y limón, para formar los colores de la bandera, papel picado y rebozos en las mesas, globos de color verde, blanco y rojo, yo vestida con botas y sombrero, y lo que nunca podía faltar eran los antojitos, entre ellos y mis preferidos, los clásicos sopes, bien dorados y con mucha crema. Claro que preparar sopes, ahora en Montevideo, nos remonta al olor de México en septiembre, con el montón de puestos de antojitos en el Centro de la ciudad, a los mexicanos con el fervor patrio de esas fechas, con la bandera tricolor en la cara, la música ranchera, el mariachi y el tequila. Viniendo de la capital no podemos negar que los sopes saben a México, son la combinación perfecta de los ingredientes básicos de nuestra cocina y de nuestra alimentación, el maíz, los frijoles y la salsa, infalibles en las mesas mexicanas con su mosaico de sabores y colores”. 

 

  • Nome da receita: Sopa de Platano Verde Frito
  • Nome da candidata: Lorena Castellanos Rojas
  • País de nascimento: Colômbia
  • País de residência: Uruguai

Um trecho da história da receita:

“Mi abuela, quien nos ha transmitido estos conocimientos culinarios, aprendió la receta de su madre desde muy joven, ya que a la edad de 12 años mi abuela se encontraba huérfana y migrando del campo a la gran ciudad, Bogotá. Esta sopa no solo es mi sopa preferida, sino que al cocinarla me remonta a los años en que residía en Bogotá, pues su ingrediente principal, el plátano, tan consumido en mi país y en la región del Caribe, me conecta siempre con mi lugar de origen. El olor de la sopa me recuerda a mi país y la añoranza de recibir la llamada de mi abuela diciéndome “mijita, hice sopa de plátano venga a tomarse un platico”. 

En cada oportunidad que regreso de visita a Colombia no puede faltar el plato de sopa de plátano frito esperando en la mesa, ya que el mismo no es un plato que tenga alguna fecha especial o época para ser preparado, solamente cumple el antojo de la nieta e hija menor, por lo tanto, se prepara en cualquier momento año. El hecho de migrar hacia otro país me permitió aventurarme por primera vez a realizar esta receta y a perfeccionarla cada vez más con el objetivo de que algún día sepa tan deliciosa como la de mi abuela, siendo un reto complicado porque ni la de mi mamá después de años de práctica sabe tan bueno. Es una receta que, a pesar de la distancia y la hibridación de mi alimentación con sabores y recetas locales me permite mantener las tradiciones culinarias de mi familia y resaltar muchos de los ingredientes cultivados por nuestros campesinos y consumidos por las familias populares de Colombia, al ser una receta de bajo costo.

(…) Cocinar esta receta y compartirla con los demás tiene suma importancia en el intercambio de los sabores y saberes presentes en los distintos platos de cada país, comunidad o familia, ya que nos permiten romper las fronteras, conocer y transmitir un poco del país y la cultura que se encuentra en los sabores, aromas y colores de cada plato”.

 

 

AS 4 MENÇÕES HONROSAS

 

  • Nome da receita: Kipe de Zapallo o Kipe Hervido
  • Nome da candidata: Nerina Raquel Dip
  • País de nascimento: Argentina
  • País de residência: Argentina

 

Um trecho da história da receita:

“Esta receta es resultado de una mezcla, de una unión entre dos pueblos, de un matrimonio y sus circunstancias de vida. De un deseo de dos culturas de fusionarse. Mi abuelo Elias vino de Siria y mi abuela Cecilia era de Simoca, un pueblo del interior de Tucumán, una pequeña provincia al norte de Argentina. La situación económica era fluctuante y tuvieron 8 hijos. El extrañaba mucho su comida, especialmente su kipe. Kipe/kippe/kipi/kupi/kibbeh… y otras varias formas de nombrar un plato muy conocido y cocinado en el norte de Argentina, el lugar más elegido por los árabes para instalarse. Pero ese es solo un detalle de la lengua. 

Ahora, volviendo a la casa de mis abuelos, Cecilia aprendió de Elías a cocinar ese kipe de la nostalgia. Lo que él quería era degustar lentamente ese sabor que lo trasladaba miles de kilómetros y lo hacia regresar aunque sea con el paladar a la ciudad de Skelbie, de donde se había visto obligado a salir. No siempre había dinero suficiente para comprar carne molida para preparar el plato de la memoria. La mesa era larga y la carne era sin dudas el ingrediente más caro del plato original. Ella venía de una tradición culinaria criolla. Del maíz. Del trigo. De la papa. Del zapallo. (…) Cecilia fue al fondo de su casa y vio cómo había crecido aquel lindo zapallo criollo… ese que le dicen plomo por su color. Y quiso que Elías comiera su kipe… y tuvo un poco de esa “picardía criolla” y puso zapallo en vez de carne. Una versión vegetariana diríamos hoy. Y en esa prueba nació el kipe de zapallo de mi familia. Para Elías el plato era sirio, para Cecilia era su invención. 

Treinta años después realicé un curso de posgrado en la Facultad de Artes de la Universidad Nacional de Tucumán sobre Cultura Popular y cocina a cargo del Dr. Eduardo Rosenzvaig. El trabajo final consistía en un banquete de fusión con una reflexión sobre el origen de los ingredientes. Presenté este plato cocinado por mi mamá Delia y… gran sorpresa… era una receta que también cocinaban otras familias tucumanas…. Elías murió en 1970. Cecilia en 1985. En 2007 le regalé a mi madre Delia el libro Patrimonio culinario del Líbano del Chef Ramzi y juntas encontramos en la página 308 y en la 400 dos versiones de Kibbeh de Calabaza. No son iguales a la de Cecilia. Tienen sus variantes. Grande fue nuestra sorpresa. Cecilia nunca supo que inventó lo inventado. Elías nunca dijo que esa “invención” de Cecilia” era un plato conocido en Siria. Una de las pocas veces que el silencio pudo ser amor”. 

 

  • Nome da receita: El Plato Paceño
  • Nome do candidato: Manuel Patricio Guzmán Masson
  • País de nascimento: Equador
  • País de residência: Equador

Um trecho da história da receita:

“Es lógico suponer que si los principales ingredientes del plato paceño (excepto el haba que proviene de Europa), se cultivan en tierras sudamericanas desde tiempos pre incásicos, éste plato se haya preparado en muy diversas versiones y tendencias a través de las épocas y los territorios. En mi caso particular fui conociendo la receta primeramente a través de Fanny (mi madre), quien seguramente la aprendió de mi abuela en las tareas de la casa y el campo. Y después lo aprendí de la cultura popular que sabe que la papa, el maíz , el melloco, los chochos, el tomate, el ají, etc, se siembran y se comen en la región andina desde hace al menos 6. 000 años; decantando su sabor en el agua que hierve en utensilios de barro, piedra y metal abrazados por el poder del fuego. Poder que bien conocen los habitantes de las tierras montañosas del Océano Pacífico. 

Al ser un plato que se ofrece como sìmbolo de bienvenida, bienestar y celebración, y cuyos ingredientes- en los países tropicales andinos -pueden encontrarse durante todo el año, es un bocado fàcil de preparar en todo momento y por cualquier persona sin distingo de edad, credo, género o etnia. En el Inti Raymi, fiesta celebrada en honor al Sol y a la cosecha (de maíz) por ejemplo, la preparación de los alimentos implica todo un ritual social que inicia con el saludo a la plantas y a los elementos que permiten su crecimiento: la tierra el agua, la luz del sol. Entonces, el ritual atraviesa todo un arte de selección, pelado, desgranado, cocción, molienda, fritura, condimento, presentación y servicio. Arte en el que intervienen todos los miembros de la comunidad, del más grande al más chico, como un acto de amor sincero para recibir a los hermanos y hermanas que llegarán de todo lado para compartir los alimentos para el cuerpo y el espíritu, con la música y el baile del san juan y bebiendo la chicha de jora”. 

 

  • Nome da receita: Panza con pinol
  • Nome do candidato: Blanca Viridiana Chanona López
  • País de nascimento: México
  • País de residência: México

 

Um trecho da história da receita:

“En la suma de aromas y sabores de la práctica alimentaria en Chiapas subyace un intrincado tejido vegetal y animal que forma parte de esa dinámica de tradición de su diversidad cultural y que se nos presenta en platillos cuyos sabores y colorido dan cuenta de la historia de la región y sus pobladores, así como de sus relaciones humanas, su historia económica, su imaginario literario y musical y sus representaciones del mundo en sus danzas y ceremonias, a lo largo de toda la geografía estatal. 

Así ocurre con una de sus prácticas alimentarias vigente en un platillo tradicional que se consume en el municipio de Pijijiapan, en la Costa de Chiapas: la panza con pinol. La práctica por el consumo del desperdicio o desechos de la ganadería tiene, para el caso de una tradición alimentaria de la región del Istmo-Costa de Chiapas, su importancia debido a la herencia africana a través de la llegada de los esclavos negros en el siglo XVI a dicha región y su ulterior actividad en los curatos y en las estancias ganaderas conocidas como fincas (…) 

Al paso del tiempo este platillo formó parte de esa herencia tradicional culinaria, que si bien ya no se llega a matar una res para la celebración del difunto o del casamiento por los costos elevados, se llegan adquirir al interior de la comunidad a través del comercio en los mercados. (…) Aunque los ingredientes se siguen adquiriendo dentro de la propia región, así como su preparación, el valor de este platillo ha cambiado a través de las nuevas generaciones porque algunas cocineras la preparan por ser de una herencia generacional, pero desconocen de la historia que guarda la misma dentro de ese sabor y olor, un poco porque siguen siendo comunidades marginadas y porque se asumen de esa forma por su misma condición afromestiza, como si de pronto quisieran borrar su historia para ser aceptadas al resto del mundo. Sin embargo, para las que las preparan, que ahora son las llamadas cocineras tradicionales, suele ser una forma de unión entre los mismos”.

  • Nome da receita: Rosquillas Morenas -Dulzuras Zamoranas
  • Nome do candidato: Belén E. Rodriguez
  • País de nascimento: Argentina
  • País de residência: Argentina

 

Um trecho da história da receita:

“Mi abuela Ernestina Ferreras de la Fuente nació en 1939 en Villarrín de Campos, Zamora, España. Tras la guerra civil, en el año 1956, emigró hacia Argentina junto con sus padres, hermanos y hermanas. Con ellos vinieron sus expectativas, sueños y las esperanza de una mejor vida. Pero tambièn trajeron parte de su tierra en cada bolsillo, en el acento, en las costumbres, en la cocina. Es así como gracias a ella, esta receta traspasó generaciones y fronteras. La historia remonta a mi tátara abuela, se llamaba María y falleció en Villarrin de Campos en el año 1945. Ella era panadera, pero en el pueblo no había panaderías tal como las conocemos hoy. La gente se acercaba a la casa de la panadera con la harina y cocinaba su propio pan en el horno para la familia. 

En Villarrin de Campos, cuando se aproximan las fechas festivas tales como 1º de Mayo, el día de Cristo, bautizos, casamientos, entre otras, desde aquellos tiempos hasta la actualidad, los vecinos se juntan para cocinar varias docenas de rosquillas en el horno del panadero o panadera y luego las reparten. La receta de las rosquillas llegó a las manos de mi bisabuela, quien comenzó a hacerlas pero ahora no como oficio sino para consumo familiar. Con el golpe de la Guerra Civil y la difìcil recuperación del orden en el país, faltaba harina para cocinar y se vieron forzadas a pausar la tradición culinaria.

Al venir a Argentina mi bisabuela afortunadamente pudo retomar la tradición. Luego, tras su fallecimiento, la familia recordaba con anhelo las rosquillas, por lo que mi abuela decidió tomar las riendas y comenzar a cocinarlas; su padre le pasó la receta y a partir de ahí nunca más faltaron las rosquillas en las fiestas. (…)

En el año 2007 mi abuelo, también inmigrante español, junto con otros españoles, fundaron el Centro Castellano y Leonés en Bahía Blanca, un lugar de encuentro para aquellas personas oriundas de España y sus familias. Toda mi familia, y yo incluida, somos voluntarios de este Centro, colaborando en los eventos. Mi abuela, miembro de la comisión, asiste y organiza reuniones, cenas y té-bingo para recaudar fondos. Buscando homenajear la comida típica de su tierra, mi abuela propuso cocinar a los socios las tradicionales rosquillas morenas. Desde aquel día en que las sirvieron, son el infaltable de todos los eventos y siempre preguntan por “las masitas de Ernestina”. Se convirtieron en un símbolo tradicional para el Centro Castellano y Leonés, que con su sabor, la añoranza del pasado se hace presente en cada encuentro, reaviva recuerdos y alimenta los lazos interculturales”.

 

 

 

 

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Entrelaçando Experiências: conheça as propostas de intercâmbio selecionadas no edital

EnEm 16, ago 2019 | EnEm EDITAIS, Notícias | PorPor IberCultura

Treze propostas de organizações e coletivos culturais que se apresentaram como comunidades anfitriãs para receber intercâmbios em seus territórios foram selecionadas no Edital IberEntrelaçando Experiências, lançado pelo programa IberCultura Viva em dezembro de 2018. As capacitações serão realizadas em oito países membros do programa, neste segundo semestre de 2019.

As 13 comunidades anfitriãs selecionadas garantirão hospedagem, alimentação e traslados dentro do território local para as pessoas facilitadoras convidadas, assim como a divulgação e a produção da atividade. O programa IberCultura Viva se encarregará da compra de passagens aéreas e seguros de viagem. 

 

Duas etapas

O Edital IberEntrelaçando Experiências foi organizado em duas etapas: uma para construir e dar visibilidade a um banco de saberes da cultura comunitária no Espaço Ibero-americano, e outra para apoiar a mobilidade destas experiências em outras comunidades.

Na primeira etapa, que teve inscrições abertas de 10 de dezembro de 2018 a 15 de março de 2019, 25 propostas de 9 países foram habilitadas. Um banco de saberes foi publicado na página web www.iberculturaviva.org com estas capacitações e espaços de intercâmbio que organizações e coletivos de cultura comunitária dos países ibero-americanos puseram à disposição para compartilhar com outros coletivos.

A segunda etapa, para a seleção das comunidades anfitriãs, esteve aberta de 15 de maio a 30 de junho de 2019 na plataforma Mapa IberCultura Viva. Nesta fase, organizações de cultura comunitária dos países membros do IberCultura Viva puderam escolher que propostas do banco de saberes queriam receber em seus territórios. Foram habilitadas 23 postulações de Argentina (3), Brasil (3), Chile (1), Cuba (1), Equador (1), México (7), Peru (3) e Uruguai (4). 

 

A seleção

Algumas oficinas foram solicitadas por mais de uma organização. Para a seleção foram levados em conta critérios como a trajetória em projetos relevantes para a área cultural, especialmente em temas relacionados com a organização comunitária, o desenvolvimento de políticas, a construção de cidadania e a valorização de identidades culturais.

Na seleção também se buscou que ao menos uma organização por país integrante do programa recebesse uma oficina como comunidade anfitriã (acolhendo um projeto em seu território) e oferecesse algum saber a outro país (com pessoas facilitadoras viajando com as passagens pagas pelo programa). No entanto, nem todos os países apresentaram propostas para ir e vir. Os países que tiveram dois projetos de comunidades anfitriãs selecionados foram os que apresentaram maior número de propostas – e cujos projetos, além de contemplar a diversidade regional e temática, obtiveram maior pontuação na avaliação. 

No caso do Brasil, para receber o apoio, é necessário que as organizações selecionadas estejam incluídas na Rede Cultura Viva. Caso as entidades/coletivos ainda não estejam cadastradas nesta plataforma da rede de Pontos de Cultura, elas devem fazer esse registro e encaminhar à Unidade Técnica o comprovante do “cadastro realizado”, por meio do correio eletrônico programa@iberculturaviva.org.

 

 

Confira a lista de projetos selecionados:

Informação aos interessados 2 – Etapa de seleção – Edital IberEntrelaçando Experiências – resultado

Conheça as propostas:

 

  1. ARGENTINA 

As organizações Mujeres de Artes, Centro lekotek Argentina e Creche Espacio Cultural recebem “Baila a tu manera, el cuerpo como texto”, de Akántaros Asociación Cultural (Espanha)

Quem viaja:

Dance à tua maneira (Espanha)

Pessoa facilitadora: Laura Anahí Fernández Szwarc

Organização responsável: Akántaros Asociación Cultural

A proposta “Dance à tua maneira, o corpo como texto” consiste em gerar um laboratório em que se reflexione e se coloque em prática a dança como manifestação de desfrute e o corpo como texto. Uma ocasião para bailar sem fronteiras de idade, fisionomia corporal ou aptidões físicas. A experiência quer oferecer a seus participantes algumas ferramentas para descobrir e fortalecer um canal de comunicação e expressão.

Quem recebe:

Três coletivos/organizações culturais comunitárias da Argentina se propuseram como comunidades anfitriãs da proposta oferecida por Akántaros Asociación Cultural no banco de saberes de IberEntrelaçando Experiências. A pessoa facilitadora, portanto, receberá uma passagem aérea de Madri para Buenos Aires para compartilhar sua experiência com Mujeres de Artes (“uma coletiva artivista para o empoderamento de mulheres e feminidades”); Centro lekotek Argentina (organização que há 29 anos trabalha para integrar crianças com necessidades especiais e em situação de risco social a suas famílias e à comunidade) e Creche Espacio Cultural (um “laboratório de ideias culturais” aberto desde 2013 em Arequito, Santa Fé). O intercâmbio será entre 1 e 14 de dezembro de 2019.

 

  1. BRASIL 

O Ponto de Cultura Caiçaras recebe o “Taller de cine comunitario para niños”, de CinemaTequio (México)

Quem viaja:

Pessoas facilitadoras: Eduardo Bravo Macías e Alejandra Domínguez

Organização responsável: CinemaTequio

CinemaTequio é um coletivo artístico que ministra oficinas de cinema comunitário para crianças, principalmente em comunidades indígenas do México e da América Latina. Com base nos relatos da tradição oral se elabora um roteiro que se converte em um curta-metragem. No processo, as crianças participam em postos técnicos ou artísticos, de acordo com seus interesses, que vão desde a formação do elenco até a integração da equipe técnica, como operadores de câmera, gravação de som direto, funções de produção, arte e direção. Ao longo de dois dias, se leva a cabo a produção (a gravação das cenas do curta-metragem) e nos dois últimos dias se realiza a pós-produção – edição, efeitos especiais digitais, elaboração de créditos, edição de som, etc – para culminar com a projeção do curta-metragem.

Quem recebe:

O Ponto de Cultura Caiçaras é uma organização não governamental fundada em 2013, em Cananeia (São Paulo, Brasil), e que desenvolve e/ou apoia projetos e programas participativos e colaborativos em diferentes áreas do conhecimento, em especial vinculados à educação formal e não formal, à cultura e ao meio ambiente, em busca da promoção do desenvolvimento sustentável. O intercâmbio com os mexicanos do Cinematequio se realizará com crianças indígenas e de comunidades quilombolas e caiçaras presentes no município de Cananeia. Estas oficinas de cinema comunitário buscam contribuir para a valorização da cultura e da identidade local. Data combinada: de 5 a 10 de outubro de 2019.

 

  1. CHILE 

A Agrupação Cultural Margot Loyola recebe “Ipadê Encuentros con Axé”, del Grupo Senzala Foz (Brasil)

Quem viaja:

Pessoas facilitadoras: Pedro Almeida e Mãe Edna de Baru

Organização responsável: Ile Aleketu Ijoba Bayo Ase Baru Orobolape (Grupo Senzala Foz)

Esta comunidade religiosa e sociocultural, também conhecida como Ilê Baru, foi fundada em 1994 na cidade de Foz do Iguaçu, por Mãe Edna de Baru (foto). No Ilê são realizadas ações como festividades a divindades de candomblé e umbanda, palestras, debates e rodas de formação sobre religiosidade afrodescendente, e atividades artísticas com temáticas e protagonismo negro. A proposta oferecida no banco de saberes inclui vivências e diálogos com agentes locais sobre os desafios da permanência e difusão das culturas afrodescendentes na Ibero-América. 

Quem recebe:

Agrupación Cultural Margot Loyola é uma organização cultural comunitária com 10 anos de trajetória, dedicada ao trabalho de pesquisa, documentação da cultura tradicional do Chile e do trabalho colaborativo através da arte. A expectativa em torno do intercâmbio é a de colocar em discussão e dar visibilidade à existência do povo afrodescendente chileno, e dar a conhecer a realidade de outros países quanto ao tema do reconhecimento e sua cultura. As atividades serão realizadas majoritariamente no setor de Tierras Blancas e em La Serena (Região de Coquimbo). Data combinada: de 9 a 13 de outubro.

 

  1. CUBA 

O Projeto Comunitário Granjita Feliz recebe “Juegos de ritmo, creación colectiva y arte comunitario”, de La Bombocova (Argentina)

Quem viaja:

Juegos de Ritmo – La Bombocova

Pessoas facilitadoras: Santiago Comin e Laura Rabinovich 

Organização responsável: Asociación Civil y Productora Artística La Bombocova

Com sede na cidade de Buenos Aires, La Bombocova leva mais de 25 anos de trajetória na criação de espetáculos, seminários e oficinas, e desde 2005 vem desenvolvendo a metodologia “Jogos de ritmo” para representantes do trabalho criativo em grupos. No banco de saberes, se propôs desenvolver combinadamente as propostas de seminários de “Jogos de ritmo” com as de “criação coletiva”. A metodologia busca fortalecer o desenvolvimento de processos grupais, de produção e trabalho, em uma proposta pedagógica integral em que o ritmo é o eixo principal e a brincadeira, a linguagem comum. 

Quem recebe

O Projeto Comunitário “Granjita Feliz”, de Guanabacoa (Havana, Cuba), desenvolve atividades artístico-culturais vinculadas à agricultura e ao meio ambiente. Com este intercâmbio com La Bombocova, busca uma possibilidade para ampliar seu universo de trabalho no espaço da interculturalidade. O encontro dos dois projetos permitirá a cada um assimilar as práticas e experiências que possam enriquecer sua visão artística, assimilar novos valores artísticos no âmbito da dança, da música e do teatro no espaço comunitário. Data combinada: de 16 a 21 de dezembro.

  1. EQUADOR 

O Festival del Sur recebe  “Ipadê Encuentros con Axé”, do Grupo Senzala Foz (Brasil)

Quem viaja:

Pessoas facilitadoras: Pedro Almeida e Mãe Edna de Baru

Organização responsável: Ile Aleketu Ijoba Bayo Ase Baru Orobolape (Grupo Senzala Foz)

Esta comunidade religiosa e sociocultural, também conhecida como Ilê Baru, foi fundada em 1994 na cidade de Foz do Iguaçu, por Mãe Edna de Baru. No Ilê se realizam ações como festividades a divindades de candomblé e umbanda, palestras, debates e rodas de formação sobre religiosidade afrodescendente, e atividades artísticas com temáticas e protagonismo negro. A proposta oferecida no banco de saberes inclui vivências e diálogos com agentes locais sobre os desafios da permanência e difusão das culturas afrodescendentes na Ibero-América. 

Quem recebe:

O Festival del Sur – Jornadas Internacionales de Arte y Cultura foi criado em 2001 no bairro La Magdalena como uma proposta para dar visibilidade às artes cênicas e à gestão cultural no Sul de Quito. Desde 2017 o festival está vinculado à população afro de Esmeraldas, principalmente a comunidade de Telembí. Com este intercâmbio se busca gerar aprendizagem e fortalecimento mútuo entre povos afrodescendentes da diáspora e outros através da ritualidade, oralidade, musicalidade e outras manifestações próprias de raigambre africana presentes em toda a América del Sur. Estão previstas atividades em Quito e Telembí, entre 17 e 26 de novembro de 2019.

 

  1. MÉXICO 

A organização Kundarí A.C. recebe “Diccionarios Audiovisuales Comunitarios”, de La Combi-arte rodante  (Peru)

Quem viaja:

Dicionarios Audiovisuais realizados por La Combi

Pessoas facilitadoras: Carolina Martín de Ramón e Teresa del Castillo Rovira

Organização responsável: La Combi-arte rodante

La Combi-arte rodante é uma associação cultural peruana criada em 2013 que leva a cabo atividades artísticas e projetos culturais com diferentes populações do Peru e da América Latina, organizando oficinas audiovisuais, de fotografia, artes visuais, animação, entre outras. As oficinas DAC (Dicionários Audiovisuais Comunitários) buscam trabalhar conjuntamente com as comunidades uma série de ações para fortalecer e revitalizar suas respectivas línguas originárias através do aprendizado de técnicas audiovisuais. 

Quem recebe:

Kundarí A.C. é uma organização civil de Atlixco (Puebla, México) que se dedica a ministrar oficinas e cursos para pessoas de poucos recursos e/ou indígenas, para que possam melhorar sua vida cultural, artística e econômica. O intercâmbio proposto se destina a crianças indígenas da etnia mixe-popoluca, assim como docentes e/ou líderes comunitários de Cabañas, Acayucan, Veracruz. A intenção é fortalecer e prestigiar o uso da língua materna (mixe-popoluca), assim como oferecer condições para que a própria comunidade possa replicar a experiência, inspirando outras atividades com fins similares. Data inicialmente combinada: de 19 a 23 de agosto de 2019.

 

  1. MÉXICO 

IMDEC recebe “Teatro social sobre cuestiones de género, sus raíces y sus transformaciones colectivas”, do Colectivo Mujeres de Fuego (Colombia)

Quem viaja:

Mujeres del Fuego

Pessoas facilitadoras: Ariane Denault Lauzier e Ingrid Osorio Castro

Organização responsável: Teatro del Presagio y Colectivo Mujeres de Fuego

Além de suas atividades de criação teatral, este grupo de teatro de Cali (Colômbia) exerce um trabalho de docência teatral e em comunidad. Alguns membros têm desenvolvido uma linha de trabalho criativo sobre temáticas de gênero e violência contra as mulheres, desenvolvida pelo Coletivo Mujeres de Fuego. Em sua proposta para o banco de saberes, o grupo oferece um laboratório teatral sobre gênero, adaptando várias técnicas do Teatro do Oprimido e outras linguagens artísticas (escrita, artes plásticas, performance). A ideia é explorar diferentes temas para chegar à criação de cenas baseadas em opressões de gênero.

Quem recebe:

O Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC), fundado em 1963, tem como objetivo primordial aportar, a partir da educação e a comunicação popular, para a defesa do território e dos bens comuns, a refundação da democracia e a vigência plena dos direitos humanos em sua integralidade. Atualmente, estão sendo desenvolvidos no IMDEC três processos de educação popular e agroecologia em territórios distintos da zona metropolitana de Guadalajara (Jalisco). As mulheres têm sido as principais dinamizadoras destes processos, nos quais sobressaem as violências vividas (sexuais, econômicas, emocionais e psicológicas). Espera-se que este intercâmbio, a partir do Teatro do Oprimido, seja enriquecedor para o processo pessoal e coletivo, para que reflitam sobre seus contextos de opressão e possam gerar um processo de empoderamento coletivo acompanhadas de outras companheiras de territórios distintos. Data combinada: de 27 de outubro a 1 de novembro de 2019.

 

  1. PERU 

La Mancha Taller de Arte recebe “Taller de herramientas lúdicas para payasos terapéuticos”, de Codacc San Vicente (El Salvador)

Quem viaja:

Pessoa facilitadora: Rosa Adelaida Jovel

Organização responsável: Codacc San Vicente

A oficina de ferramentas lúdicas oferecida pela salvadorenha Rosa Adelaida Jovel (foto) busca compartilhar experiências e que as/os participantes encham ainda mais seu “baú lúdico”, aumentando o inventário de ferramentas criativas para a hora de interagir com crianças nas comunidades, especialmente nos setores vulneráveis. Os conteúdos incluem jogos de integração, relaxamento e expressão corporal, além de lendas e jogos tradicionales de El Salvador.

Quem recebe:

La Mancha Taller de Arte aposta na educação livre e nas artes expressivas para complementar a escolaridade de crianças e adolescentes. Com as atividades, os participantes melhoram a gestão de suas habilidades socioemocionais, a brincadeira e a exploração das possibilidades visuais. A proposta de intercâmbio se dará com adolescentes que pertencem a um entorno de risco social, com o propósito de lhes oferecer novas ferramentas para seu desenvolvimento socioemocional, a gestão de suas emoções e conflitos e para ampliar o horizonte de crescimento pessoal. A oficina lhes permitirá conhecer a história de conflito e transformação social de El Salvador, suas organizações de base comunitá e o trabalho que desenvolvem há décadas. Algo que não está nas aulas de história do colégio. Data combinada: de 20 a 29 de setembro de 2019.

 

  1. PERU

Asociación de Comunicadores Sociales PortaVoz Perú recebe “Ruedas tus fantasías”, do Projeto Comunitário Rodando Fantasías (Cuba)

Quem viaja:

Pessoas facilitadoras: César Ramón Irigoyen Milián e Gisell Perera González

Organização responsável: Proyecto Comunitario de Realización Audiovisual Infantil Rodando Fantasías/ Red Cámara Chica

Rodando Fantasias é um projeto comunitário que desde a cidade de Santa Clara (Villa Clara, Cuba) ensina crianças, adolescentes, e pais e/ou tutores deles, a realizar seus próprios filmes utilizando as novas tecnologias. A iniciativa inclui oficinas de roteiro cinematográfico, fotografia, linguagem de câmera, produção audiovisual, edição, voz e dicção e atuação diantes da câmera. O Festival Rodando Fantasias é o momento culminante do processo docente educativo, em que se mostra o aprendido e se socializa com outros centros comunitários Cámara Chica do país e realizadores profissionais que trabalham a temática infantil. 

Quem recebe:

A Asociación de Comunicadores Sociales PortaVoz Perú é uma organização cultural de Lima que iniciou suas atividades artístico-educativas em 2001, com um programa de “Oficinas de Cinematografia Escolar” dirigido a alunos de 11 a 17 anos. A partir de 2005, o projeto passou a se chamar “Escuelita de Cine” e se estendeu a comunidades de bairro populares, ampliando también seu público beneficiário para crianças a partir dos 5 anos. A proposta de intercâmbio com os cubanos de Rodando Fantasias será uma oportunidade de acolher em seu território uma experiência similar à sua, que lhes permita observar, experimentar e intercambiar uma nova metodologia de trabalho audiovisual e dinâmicas de animação, para a melhora criativa e tecnológica de suas oficinas de cinematografia escolar e de bairro. A oficina “Roda tuas Fantasias” será ministrada durante X Festival de Curtas-metragens Escolares e Juvenis e VII Mostra Internacional, entre 1 e 15 de novembro de 2019.

 

  1. URUGUAI 

O coletivo TierraNegra recebe “Raíces profundas”, do Centro Sociocultural Callejón de Hamel (Cuba)

Quem viaja:

Raíces Profundas

Pessoas facilitadoras: Jacqueline González Galano e Elias Aseff Alfonso

Organização responsável: Centro Sociocultural Callejón de Hamel

O Centro Sociocultural Callejón de Hamel foi fundado há 30 anos no Centro Havana. Ali se desenvolvem atividades gratuitas, como rumba, música tradicional, e atividades infantis, programadas conforme os interesses da comunidade. O centro, com sua proposta, trata de compartilhar os saberes etnográficos utilizando a arte como suporte explicativo e inclusivo. Com o projeto “Raízes profundas” pretende-se ministrar oficinas de dança, percussão e artes plásticas, incluindo a montagem de uma instalação com tronos alegóricos por cada orixá ou deus do panteão iorubá.

Quem recebe:

TierraNegra é um coletivo de Fray Bentos (Río Negro) que trabalha com gestão cultural, principalmente no âmbito da cultura ancestral de candombe, e que em março de 2019 foi reconhecido como “Ponto de Cultura” pela Direção Nacional de Cultura do Uruguai. A proposta de intercâmbio com os cubanos do “Callejón de Hamel” representa um festival sociocultural organizado a partir da gestão cultural coletiva e implica a itinerância de algumas atividades por espaços comunitários e/ou educativos de Montevidéu, Canelones, Soriano, Paysandú e Río Negro, entre 23 de novembro e 10 de dezembro de 2019.

 

  1. URUGUAI 

A Cooperativa Nación Zumbalelé recebe “Enseñanza de la música de gaitas y cantos tradicionales del Caribe Colombiano”, da Fundación Mi Gaita de San Jacinto Bolivar (Colômbia)

Quem viaja:

Fundación Mi Gaita

Pessoa facilitadora: Rafael Pérez García

Organização responsável: Fundación Mi Gaita de San Jacinto Bolívar

A Fundación Mi Gaita de San Jacinto Bolívar é uma organização sem fins lucrativos que trabalha pela preservação das expressões culturais do Caribe colombiano, a conservação do patrimônio material e imaterial, e o cuidado com o meio ambiente. Sua proposta para o banco de saberes tem o objetivo de formar grupos de música de gaitas e tambores mediante a pedagogia da tradição oral. A música de gaitas e tambores e os cantos tradicionais (décimas, versos, zafra, vaquería) constituem manifestações culturais desenvolvidas por mais de cinco gerações nos Montes de María. 

Quem recebe:

A Cooperativa Nación Zumbalelé, de Salinas (Canelones), trabalha no âmbito da educação, dos espectáculos artísticos e do carnaval, a partir da cultura patrimonial do candombe. Uma vez que no Uruguai é muito popular a cumbia, mas pouco se sabe das origens e fundamentos da cumbia na Colômbia, com este encontro se pretende fortalecer a identidade dos povos americanos através de seus valores comuns, dando a conhecer as pessoas, como vivem, sua visão da história, suas danças, músicas, crenças e instrumentos. O intercâmbio será realizado durante o Fórum e Festival Nazoombit 7, entre 26 de novembro e 8 de dezembro de 2019.

 

 

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