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12

Maio
2022

Em Notícias

Artivismo, identidades e patrimônio: os projetos do Chile selecionados no Edital de Apoio a Redes 2022

Em 12, Maio 2022 | Em Notícias |

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Os dois eventos do Chile selecionados no Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2022 são o “Festival de Artivismos de Disidencia Isleña (FADI)”, proposto pela Red Sudaka Artivista, e a iniciativa “Cantar e contar: Pela salvaguarda das tradições, identidades e culturas locais”, organizada pela rede Poner en Valor Arica y Parinacota. O primeiro projeto, que envolve grupos do Chile, da Colômbia e da Argentina, tem realização prevista para outubro, na Ilha de Chiloé, em Ancud. A segunda ocorrerá em julho na cidade de Arica. 


* Nome da rede ou articulação: Red Sudaka Artivista

* Nome do projeto: Festival de Artivismos de Disidencia Isleña – FADI

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O Festival de Artivismos de Disidencia Isleña (FADI), proposto pela Red Sudaka Artivista, será realizado na Ilha de Chiloé, na localidade de Ancud (Chile), de 13 a 16 de outubro de 2022. A programação deve incluir seis oficinas de diversas disciplinas artístico-culturais, três palestras, um microfone aberto, uma gala artística, uma feira livre e um diálogo de encerramento. Todas as atividades são pensadas, articuladas e trabalhadas a partir, por e para as mulheres e a comunidade LGBTQIA+.

A intenção é gerar e fortalecer uma rede de artistas e ativistas da dissidência sexual e afetiva na Ilha de Chiloé, além de visibilizar e difundir questões dissidentes, especialmente no meio rural. As atividades serão realizadas na comuna de Ancud, nas localidades rurais de Chacao, Pilluco, Coipomo e Puntra, na Casa da Cultura de Ancud, no Teatro Municipal, na Escola San Juan e em vários espaços públicos.

A proposta selecionada no Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2022 prevê reuniões de planejamento, coordenação e fortalecimento para organizações culturais comunitárias (OCC) que compõem a Rede Sudaka Artivista e colaboradores locais da comunidade de Chiloé. Também estão previstas a criação colaborativa da identidade do festival e a publicação de material audiovisual com as gravações feitas durante as atividades.

(Foto: Mujeres al Borde)

O projeto propõe ações para reconhecer e fortalecer a identidade cultural existente na ilha e seu diálogo com outras culturas, a partir da temática das dissidências territoriais e afetivo-sexuais. As ações de compartilhamento de saberes e expressões artísticas, segundo a rede proponente, abrem as portas para a comunidade de Chiloé reconhecer e fortalecer sua própria identidade cultural, organização em rede e criação de espaços seguros para elas.

A rede considera o tema inovador e relevante para a comunidade ao romper com o contexto heteronormativo existente na comuna, pois, apesar de haver artistas e ativistas que trabalham e constroem a partir da dissidência sexual-afetiva, não há espaços ou visibilidade para suas plataformas. 

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Organizações participantes

A Rede Sudaka Artivista é o elo entre três organizações culturais comunitárias: Movimento Mogaleth, de Puerto Montt (Chile); Corporación Mujeres Al Borde, de Bogotá (Colômbia), e Bloque Antirracista, de Rosário (Argentina). Todas trabalham com temáticas territoriais dissidentes e sexo-afetivas, utilizando expressões artísticas como forma de ativismo. 

Chile – O Movimento Mogaleth, de Puerto Montt-Ancud, desde 2011 realiza acompanhamento entre pares, reuniões de acompanhamento, oficinas de autocuidado e bem-estar para pessoas LGBTIQA+, palestras, sessões de treinamento para funcionários públicos para reduzir a discriminação, capacitações e conferências com entidades de saúde pública. Entre algumas das atividades realizadas por esse movimento organizado de gays, lésbicas, trans e heterossexuais que atuam na defesa e promoção dos direitos da diversidade sexual estão a publicação da revista Educa tu sexualidad, entre 2015 e 2017, junto com o Instituto Nacional da Juventude (INJUV); capacitações sobre direitos humanos com perspectiva de gênero (2017) e sobre a participação de gaykeepers – agentes comunitários na prevenção do suicídio (2021).

(Foto: Mujeres al Borde)

Colômbia – A Corporación Mujeres Al Borde, criada em 2001 na cidade de Bogotá, tem um longo histórico de trabalho direto com comunidades trans e dissidentes sexuais em vários países da região. Nos primeiros 8 anos, Mujeres al Borde esteve focada na articulação com o movimento em nível local e nacional, defendendo uma política pública LGBT em Bogotá e participando do Projeto Planeta Paz para construir propostas de paz para a Colômbia. Por mais de uma década elas participaram ativamente de processos colaborativos com organizações feministas, transfeministas, de mulheres e do movimento LGBTQIA+ em nível regional e internacional. Na América Latina são reconhecidas como pioneiras na prática artivista sexual-dissidente, por desenvolver e consolidar propostas permanentes de artivismo e pedagogia transfeminista, inovando nas formas de compreender a ação político-comunitária. 

Argentina – O Bloque Antirracista Rosario é um coletivo autoconvocado com ativismo/artivismo antirracista, migrante, em defesa de direitos como a reparação histórica da afro-argentinidade e políticas públicas como a incorporação de uma perspectiva étnico-racial na cultura deste território e a união de todas as identidades de gênero. Criado em 2019 na cidade de Rosário (Argentina), o grupo tem entre suas atividades a construção de espaços autogestionários que habitam desde suas raízes e miscigenação, fechamento de ruas por situações de racismo em diversas instituições, ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade e festivais como o Festival do Dia da Consciência Negra (novembro de 2020) e o Festi Quilombo (setembro de 2021).

(Foto: Bloque Antirracista)


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* Nome da rede ou articulação: Poner en Valor Arica y Parinacota

Nome do projeto: “Cantar y contar: Por la salvaguarda de las tradiciones, identidades y culturas locales”

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O projeto “Cantar e narrar: Pela salvaguarda das tradições, identidades e culturas” propõe a articulação de artesãos/ãs, artistas performáticos/as, gestores/as e agentes culturais, patrimoniais e comunitários que garantem a salvaguarda do patrimônio natural da região de Arica e Parinacota, uma das 16 regiões do Chile.

Na programação que se realizará na cidade de Arica, de 8 a 29 de julho de 2022, estão apresentações artísticas, oficinas e palestras sobre temas relacionados ao patrimônio cultural e natural, identidades locais e artes cênicas. A ideia é realizar oficinas de artesanato típico da região, uma mostra de artes cênicas que abordem temas ligados à identidade local e às tradições do povo tribal afrodescendente chileno, que na região tem a maior população em nível nacional.

Ao final de cada jornada se realizará a cozinha Chocolate Quente Afro-Ariqueño, tradicional atividade de Páscoa de Negros, quando equipe técnica, artistas e animadores se reunirão com os participantes para colher suas impressões e gerar um diálogo em torno das atividades realizadas. E após cada contação de histórias, será realizada uma conversa com o público em torno dos temas propostos pela obra e seu contexto de produção. 

Como resultado das atividades, espera-se criar e fortalecer uma rede que assegure a salvaguarda do patrimônio cultural e natural da região e a valorização das identidades locais, e que ao mesmo tempo promova o desenvolvimento de novos e melhores políticas públicas para a sua valorização. Por outro lado, espera-se gerar um diálogo com a população, fortalecendo o vínculo entre as organizações integrantes da rede e as comunidades. Este projeto tem uma versão anterior intitulada “Muestra Ariqueña de Narración Oral y Ópera”, que reuniu narradores orais locais e cantores líricos.

(Foto: Centro MB2)

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Organizações participantes

A rede Poner en Valor Arica y Parinacota reúne cinco organizações com destacada experiência na região e com trabalho colaborativo prévio entre elas, como oficinas de dança para crianças e apresentações de artes cênicas, além de dias de comemoração pela declaração da cultura chinchorro como Patrimônio da Humanidade.

A Agrupación Social y Cultural MB2, criada em 2011 em Arica, possui uma infraestrutura que começa como um laboratório criativo para a produção e exibição de obras de artes cênicas e depois atua como um centro cultural aberto à comunidade. A organização desenvolve uma escola de formação de longa duração, conta com profissionais capacitados que atuam no campo artístico regional e possui um elenco estável que gera conteúdo original e vinculado à identidade cultural local. Além disso, organiza um festival de artes cênicas de abrangência regional (Escena Movida), e o encontro de teatro jovem que inclui comunidades com deficiência e escolares. Também mantém processos de mediação cultural com estabelecimentos e organizações educacionais do território. (Saiba mais)

Manos con Memoria

O Círculo Ancestral, outra organização de Arica que participa do projeto, é uma associação cultural multidisciplinar que desde 2009 tem focado seu trabalho na articulação entre arte, memória e aprendizagem. Esse trabalho tem sido desenvolvido através da criação e apresentação de obras cénicas, participação em programas educativos e organização e produção de feiras e oficinas. Desde 2019, a organização conta com a Escola Oficina de Artes e Ofícios Manos con Memoria, que trata dos ofícios de cestaria de junco, tecidos aimarás, argila e técnicas de tingimento pré-colombianas baseadas na produção de corantes naturais. 

Desde 2016, o grupo Observadores de Aves de Arica y Parinacota realiza atividades educativas com alunos, idosos e comunidade em geral, utilizando expressões artístico-culturais. A intenção, segundo eles, é estimular a capacidade de admiração, criatividade e pensamento crítico, promover a reflexão diante da urgência de educar e gerar ações inovadoras para buscar soluções para os problemas ambientais, articulando arte e ciência para resgatar seu patrimônio natural.

Mixtura Afroazapeña

Também participa do projeto a agrupação infantil e juvenil Mixtura Afroazapeña, uma organização ancorada em Paco de Gómez com integrantes de 4 a 22 anos. A organização é responsável por manter vivas as tradições e costumes dos povos tribais afro-chilenos na zona rural da região de Arica e Parinacota, apostando em um trabalho territorial que estimule a participação de diferentes gerações. As oficinas artísticas que realiza estão relacionadas com a  cultura afro-americana, como a Páscoa dos Negros, e particularmente com a identidade das mulheres afro-rurais da região.

A Associação de Embaixadores e Amigos da Cultura Chinchorro, por sua vez, é uma organização sem fins lucrativos que foi formada em 2021 com o objetivo de divulgar informações relacionadas à cultura chinchorro em reuniões de bairro, clubes de terceira idade, fundações e organizações territoriais. Um dos eventos realizados pelo grupo foi a celebração da Declaração da Cultura Chinchorro como Patrimônio da Humanidade, na qual participaram artistas locais de dança, teatro, música e gestores culturais. Outra ação foi o “Chinchorro para crianças”, que buscou divulgar esse patrimônio cultural por meio de espetáculo de teatro, narração oral e oficinas de arte e artesanato para crianças e jovens.