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4º Encontro de Redes: um balanço do evento na reunião do Conselho Intergovernamental

Em19, Oct 2020 | EmDestaque, Notícias |

Ao longo de 38 dias, o 4º Encontro de Redes IberCultura Viva apresentou uma conferência, 15 conversatórios, 3 seminários, 8 espetáculos de títeres e um obra de animação. Se incluirmos os números da Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano 2020, que a Secretaria de Cultura do Governo do México organizou para o encontro, somamos outros 5 conversatórios, 4 ciclos de cinema, 2 entrevistas, uma retrospectiva e uma oficina, com um total de 83 curtas-metragens e 7 longas exibidos. 

Este foi o maior evento realizado pelo programa IberCultura Viva desde o início de sua implementação, em 2014. Foram mais de 45 horas de transmissão ao vivo, iniciadas em 8 de setembro com a conferência “Cultura comunitária e desenvolvimento social em contexto de emergência sanitária”, que reuniu autoridades de ministérios e secretarias de Cultura de 8 países, e encerradas em 15 de outubro com a reunião extraordinária do Conselho Intergovernamental, com a participação de representantes dos 11 países que integram o programa.

Nesta reunião, em que foi apresentado um balanço do 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, também foram eleitas as novas autoridades do Conselho Intergovernamental para o período 2021-2023. Por consenso, foi acordado que a Secretaria de Cultura do Governo do México presidirá o programa nos próximos três anos, e que a Secretaria de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Argentina assumirá a vice-presidência. O Comitê Executivo será composto por representantes do Chile, da Colômbia e da Costa Rica. Esses três países, mais o Peru, formarão a comissão especial que trabalhará com a Unidade Técnica na elaboração do Plano Estratégico Trienal (PET 2021-2013) e do Plano Operativo Anual (POA 2021). 

A reunião que encerrou o 4º Encontro de Redes teve três horas de duração e foi transmitida ao vivo pelo canal do programa no YouTube, a página de Facebook e o site criado especialmente para o evento: www.encuentroderedes.org. Esta foi a primeira vez que se transmitiu uma reunião  do Conselho Intergovernamental.  

 

As boas-vindas

Na abertura, as palavras de boas-vindas foram de Maximiliano Uceda, secretário de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Argentina e presidente do Conselho Intergovernamental. Após saudar todos/as os/as participantes, com um agradecimento especial à Secretaria de Cultura do México, que se encarregou de parte da programação do evento, Uceda fez algumas considerações sobre a implementação do projeto, reforçando “como conseguimos fazer comunitário este encontro virtual”, e como é importante fortalecer estas instâncias virtuais para ter mesas de trabalho com continuidade.

Ao comentar a situação da Argentina neste momento, o secretário de Gestão Cultural lembrou o anúncio que o Ministério de Cultura havia feito dois dias antes, sobre o investimento de dois bilhões de pesos para o setor, e a possibilidade de apoiar mais Pontos de Cultura. “No início da pandemia havíamos anunciado uma linha de 100 milhões de pesos para os Pontos de Cultura, um investimento histórico, e havíamos conseguido selecionar ao redor de 450 projetos entre a primeira e a segunda convocatória. Com esse novo incentivo de 105 milhões de pesos argentinos, vamos apoiar cerca de 700 projetos mais”, afirmou, ressaltando a “clara diretriz de reativar a cultura de baixo para cima, entendendo o abaixo como a base que solidifica toda a construção do sistema cultural argentino”.

Em seguida, o coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano, Enrique Vargas Flores, felicitou a realização do 4º Encontro de Redes em nome da Secretaria Geral Ibero-americana (Segib). “O que tem sido este encontro nos permite assegurar a saúde com que está o programa, a saúde e o entusiasmo, a confiança criada entre os países ao longo destes anos, e a clareza com que se tomam as decisões, sem nunca perder o foco no trabalho de base comunitária”, elogiou. 

Vargas também recordou que de 4 a 8 novembro se realizará o 7º Congresso Ibero-americano de Cultura (“Cultura e Desenvolvimento Sustentável”), com a participação dos 22 ministros e secretários de Cultura da região, e comentou a importância do diálogo com a cidadania para que o congresso possa se nutrir da voz das comunidades.

Os informes

A apresentação inicial do balanço do 4º Encontro de Redes esteve a cargo de Emiliano Fuentes Firmani, secretário técnico do IberCultura Viva, que disse ter alcançado as metas propostas em todo o processo, comentou os encontros anteriores e explicou que o evento se insere em um dos objetivos estratégicos do programa (“Fortalecer as capacidades de gestão e a articulação em rede das organizações culturais de base comunitária e dos povos originários”). 

Além de apresentar alguns dados desta quarta edição (110 pessoas convidadas como painelistas, 52 representantes de organizações culturais comunitárias, 4 representantes de povos originários, 48 representantes de governos, entre outros números), Fuentes Firmani destacou as articulações que possibilitaram as ofertas de formação, que contaram com 335 pessoas participantes. As parcerias com o Centro de Referência para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial na América Latina (Crespial) e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), que organizaram dois dos três seminários do encontro, segundo ele, foram importantes para alimentar o planejamento estratégico do próximo período.

“Tivemos um seminário que deu início  a uma relação que esperamos que seja fecunda e trace muitas pontes e tecidos, como dizia Adriana Molano, diretora geral do Crespial. Esta articulação nos permite avançar em um tema que até agora não temos explicitado e que entendemos que deve se incorporar ao planejamento. Nem toda cultura comunitária é patrimônio cultural imaterial, mas todo patrimônio cultural imaterial é cultura viva comunitária. Aí está uma linha de trabalho para vermos”, adiantou, lembrando também o seminário” que se fez com Flacso-Argentina, com quem o programa já vinha provando o trabalho conjunto e colaborativo.

O secretário técnico apresentou, ainda, um informe de execução do Edital de Apoio a Redes 2020: COVID-19 e Redes Culturais Comunitárias, que selecionou 53 iniciativas de 10 países, que em seu conjunto assistem a mais de 72 mil pessoas em suas respectivas comunidades. Como o único país que completou a cota prevista foi Argentina, acordou-se o remanejamento dos fundos previstos nesta convocatória extraordinária para aqueles países que apresentem propostas de apoio às organizações culturais comunitárias para sua sustentabilidade. As propostas devem ser aprovadas pelo Conselho Intergovernamental, sendo que o Uruguai foi o primeiro país a apresentar um projeto. 

Terminada a apresentação dos informes da Unidade Técnica, o gerente de Cooperação do Escritório Sub-regional Cone Sul da SEGIB, Marcos Acle, apresentou o informe de execução financeira do Fundo IberCultura Viva.

O balanço dos países

El Salvador Walter Romero, diretor das Casas da Cultura e Parques Culturais do Ministério de Cultura de El Salvador, foi o primeiro dos representantes nacionais ante o programa (REPPI) a comentar a participação de seu país no 4º Encontro de Redes. “Temos um balanço muito positivo. Me parecia um grande desafio pela situação que estamos vivendo, mas no final o encontro significou um debate continental muito destacado”, afirmou o diretor, que ressaltou a presença da antropóloga salvadorenha Marielba Herrera Reina no conversatório “Estudos sobre cultura comunitária”, e a exibição do documentário “25 anos do TNT”. “Para nós, foi muito importante encontrarmo-nos neste espaço, poder nos comunicar e trasladar aportes com todas as energias e alegrias.”

Uruguai Juan Carlos Barreto, assessor em Gestão Territorial da Direção Nacional de Cultura do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai, celebrou o trabalho das redes e da equipe que levou mais de um mês de atividades, e comentou a importância da proximidade com as organizações culturais comunitárias nos territórios dos países da região. Também destacou a possibilidade de designar, extraordinariamente, parte dos fundos do Edital de Apoio a Redes 2020 (a parte que cabia a seu país) a uma proposta de fortalecimento dos Pontos de Cultura do Uruguai, desenvolvida com o Ministério de Desenvolvimento Social (MIDES), para melhorar os espaços físicos onde funcionam esses coletivos. 

Chile Marianela Riquelme Aguilar, encarregada do componente Fortalecimento de Organizações Culturais Comunitárias do programa Red Cultura, do Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio do Chile, felicitou e agradeceu (em nome da REPPI Patricia Rivera Ritter) a realização desta “aventura ambiciosa que resultou em um encontro muito interessante e muito enriquecedor”, valorizou a participação chilena nos conversatórios (Lorena Berríos, Cristian Mayorga, Tomás Peters, Carolina Herrera), e manifestou interesse na continuidade do Curso Internacional em Políticas Culturais de Base Comunitária, que o programa realiza em conjunto com Flacso-Argentina. Ademais, comentou que o Chile está com uma convocatória aberta para conceder financiamento a iniciativas postuladas por organizações culturais comunitárias, que permitam sustentar espaços de participação, intercâmbio, integração, criação artística e comunitária em contexto de emergência.

Espanha Pela primeira vez numa reunião do Conselho Intergovernamental, Alfonso Gentil, subdiretor geral de Relações Internacionais e União Europeia do Ministério de Cultura e Esporte de Espanha, falou do compromisso para conseguir uma melhor difusão e um maior alcance para aumentar a participação das organizações culturais comunitárias espanholas nas distintas instâncias do programa. Também mencionou que em seu país há um crescente protagonismo territorial, de localidades menores, e que nesta mesma quinta-feira havia sido lançada uma publicação em torno da ruralidade da cultura, “Pensar y hacer en el medio rural. Prácticas culturales en contexto”. “Nesta publicação, o que se põe em relevo é a importância da comunidade nestes tempos de pandemia. Na Espanha, os confinamentos estão mais territorializados, por municípios ou comunidades, e a cultura tem que se mover em um âmbito mais interno. Desse modo, o que a cultura faz é contribuir mais e melhor para o desenvolvimento sustentável do entorno mais próximo”, sublinhou.

Colômbia Luis Sevillano Boya, diretor de Populações do Ministério de Cultura da Colômbia, ao comentar o 4º Encontro de Redes, valorizou a grande participação de organizações diversas e de distintas regiões do país. Também comentou os nove projetos colombianos selecionados no Edital de Apoio a Redes 2020, elogiou a parceria com Flacso-Argentina, e apresentou a proposta do programa Mujeres Narran su Territorio. “Neste programa construímos conteúdos próprios, com diferentes formas de representação territorial: a partir da palavra, da música, da cozinha, da literatura, etc. O que pretendemos é incentivar a criação e a circulação desses conteúdos criados por mulheres. Temos seis capítulos com enfoque populacional e comunitário (mulheres afrodescendentes, palenqueras, ciganas, com deficiência, mulheres diversas, camponesas) e pensamos que isso poderia gerar um curso virtual de narrativas de território e virtualidade para mulheres”, sugeriu.

ArgentinaDiego Benhabib, coordenador dos Pontos de Cultura da Argentina, também a  alta participação do país em todas as propostas do 4º Encontro de Redes, tanto nos conversatórios como na Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano, e também no grupo de trabalho “Participação social e cooperação cultural”. “Houve uma aposta importante por parte de nosso ministério e acho que isso se refletiu nas organizações e redes de cultura comunitária do país, em sua vontade de participar e dar sua opinião, de escutar e mostrar suas vozes e produções”, observou. O grande número de postulações da Argentina para o Edital de Apoio a Redes 2020 (do total de 34, foram selecionadas 10) e o reforço orçamentário para o programa Pontos de Cultura foram outros assuntos comentados por Benhabib em sua intervenção.

Costa Rica Eduardo Reyes, coordenador de Pontos de Cultura de Costa Rica, considerou que seu país teve “uma participação muito bonita” no 4º Encontro de Redes, com a presença de painelistas como Andrea Ruiz, Elides Rivera, Layly Castillo e Flory Salazar. “Essas quatro gestoras culturais trabalham fora do centro de San José e apresentaram experiências de território bastante enriquecedoras. Assim como a participação de Andrea Mata e Carolina Picado em outros espaços, que também consideramos muito satisfatórias”, afirmou. Ademais, Reyes destacou que a Direção de Cultura acaba de concluir duas convocatórias com número recorde de postulações: a do programa Pontos de Cultura, recém-encerrada com 100 propostas, e a de “Becas Taller”, também com muitos projetos recebidos, para além das expectativas.

México Esther Hernández Torres, diretora geral de Vinculação Cultural da Secretaria de Cultura do México, felicitou o trabalho conjunto pelo 4º Encontro de Redes,  que considerou “muito rico, valiosíssimo em termos de experiências, vozes, críticas, consonâncias e dissonâncias”. “Uma coisa de que gosto muito neste Conselho e neste encontro é que não há uma só voz, uma só perspectiva, e sim um um espaço diverso, que se abre ao diálogo de maneira constante”, festejou. A diretora também apresentou balanços quantitativos das atividades do encontro que foram organizadas pela Secretaria de Cultura: a Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano, o GT “Participação social e cooperação cultural” e a enquete para agentes culturais ibero-americanos sobre os impactos comunitários da pandemia de Covid-19.

Equador Jorge Xavier Carillo, diretor de Política Pública de Artes e Empreendimentos do Ministério de Cultura e Patrimônio do Equador, agradeceu às pessoas que participaram das diversas ações do 4º Encontro de Redes, e recordou que o artigo 122 da Lei Orgânica de Cultura do Equador dispõe sobre a implementação da Rede de Gestão Cultural Comunitária, um trabalho que se pretende retomar. Também citou a linha de apoio à cultura viva comunitária que havia sido aprovada antes da fusão dos institutos de fomento e que estão tentando dar seguimento. “Uma das coisas mais interessantes é como desde as experiências da cultura viva comunitária se pensam também os empreendimentos, as economias populares e solidárias. Tem sido um momento complexo, mas temos visto que apesar das enormes dificuldades, as organizações e as pessoas seguem levando a cabo, e a responsabilidade de nós, que estamos nas instituições, é de empurrar, de ajudar que isso siga se firmando”, observou.

Peru Carlos La Rosa, diretor de Artes do Ministério de Cultura do Peru, fez  um breve resumo da participação ativa de seu país no 4º Encontro de Redes, não somente por parte das organizações, mas também dos agentes de instituições públicas, começando pelo ministro da Cultura, Alejandro Neyra, que esteve presente na conferência inaugural. “É uma política importante no ministério, o reconhecimento e contínuo fortalecimento das estratégias a favor da cultura comunitária”, disse o diretor, que calculou em 49 o número de pessoas do Peru que participaram ao longo das diversas ações e espaços do encontro. “Creio que este será um rito importante em termos de desenvolvimento e enriquecimento das ações que se podem estabelecer desde os espaços dos programas ibero-americanos”, afirmou.

 

A nova gestão

Terminada a leva de comentários dos/das representantes dos países sobre o evento, confirmou-se a eleição das novas autoridades do programa e passou-se a palavra para a nova presidenta do Conselho Intergovernamental, Esther Hernández, que agradeceu a todos/as por abraçar a postulação do México, felicitou a gestão da Argentina (responsável pela presidência nos últimos três anos), e manifestou seu interesse em fortalecer a comunicação com os/as representantes nacionais e também com as organizações de base comunitária de seu país. “É um momento propício para estreitar os laços, para envolver mais efetivamente a rede, envolver outras organizações que ainda não fazem parte da rede, e estender o convite a outros governos locais para que se somem ao programa”, comentou.

O encerramento

No encerramento da reunião, o coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano, Enrique Vargas Flores, recuperou algumas palavras que havia dito na conferência inaugural, ao comentar a relevância que os governos estão dando à cultura comunitária em suas políticas públicas. “Talvez o foco midiático tenha estado (legitimamente) nas indústrias culturais, nos artistas, mas a pura presença desses ministros e tudo o que tem significado este encontro manifestam o compromisso que se tem desde a institucionalidade com o trabalho de base comunitária. (…) É sobretudo um reconhecimento às pessoas que estão na base comunitária, que tem sido parte fundamental disso. Todos os que estamos aqui somos apenas mediadores. O verdadeiro trabalho é deles e é para eles que devemos seguir trabalhando”.

Enrique Vargas também lembrou que a presidência do México se inaugura em um contexto mais complexo do que aqueles que tínhamos em anos anteriores. “A economia do mundo vai começar o próximo ano com uma média de 10% a menos, com novos pobres, com classes médias que infelizmente voltaram à pobreza. Vivemos na região mais desigual do mundo, e tudo o que fizermos tem que ajudar a reverter esta triste realidade. (…) Temos que redobrar esforços e dar um valor adicional a esta nova realidade que todos estamos enfrentando. Somente juntos vamos conseguir cumprir os objetivos traçados por este programa”.

O firme compromisso de trabalhar em conjunto com as organizações e redes culturais comunitárias também foi reforçado por Diego Benhabib, que encerrou a reunião agradecendo a todos e todas em nome da presidência do programa. “As organizações culturais comunitárias tiveram e têm um papel fundamental neste contexto de pandemia. Essas organizações vêm ajudando às populações a tentar mitigar as condições geradas pela emergência sanitária, e têm feito isso desde seus espaços militantes, comprometidos, com propostas em articulação com os estados (nacionais, estaduais, municipais). Este papel tem sido fundamental e vai seguir sendo”, afirmou Benhabib, ressaltando que este compromisso é o espírito prioritário e essencial do IberCultura Viva. 

 

Confira o informe do 4º Encontro de Redes

Confira o informe do Edital de Apoio a Redes 2020

 

Confira a ata da reunião do Conselho Intergovernamental

Veja o vídeo da transmissão ao vivo 

 

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México assumirá a presidência do Conselho Intergovernamental IberCultura Viva

 

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