16ª reunião do Conselho Intergovernamental, realizada em Aracruz (ES), debateu participação social, formação, governança e os próximos passos da integração regional em defesa dos direitos culturais e da Cultura Viva Comunitária.
O IberCultura Viva chegou à Teia com agenda intensa e horizonte comum. Na tarde desta terça-feira (19), o Conselho Intergovernamental do Programa realizou sua 16ª reunião ordinária durante a 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura pela Justiça Climática, em Aracruz (ES), reunindo representantes governamentais, equipes técnicas e organismos parceiros de países ibero-americanos para um balanço das ações em curso e para a construção das perspectivas futuras da cooperação cultural comunitária na região.
Ao abrir a reunião, a presidenta do Programa, Márcia Rollemberg, reafirmou o compromisso do IberCultura Viva com o reconhecimento e a efetivação dos direitos culturais. Destacou que o momento atual exige fortalecimento institucional, ampliação da governança compartilhada e mecanismos permanentes de escuta dos territórios. “A interação com a sociedade civil é condição para a legitimidade e a eficácia das políticas culturais”, afirmou.
Representantes dos países participantes realizaram uma rodada de falas destacando a Cultura Viva Comunitária como ferramenta de participação social, fortalecimento democrático e construção de alternativas diante da emergência climática. O encontro reafirmou também a importância da articulação regional em um contexto de intensas transformações sociais, ambientais e políticas vividas no continente.
Carta Cultural Ibero-americana
O coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano da Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB), Enrique Vargas, enviou uma mensagem em vídeo diretamente do Uruguai, onde participa de um encontro de trabalho relacionado aos 20 anos da Carta Cultural Ibero-americana, atualmente em processo de renovação. Ao destacar a relevância do documento para o desenvolvimento do espaço cultural ibero-americano, afirmou: “Ibercultura Viva tiene una enorme oportunidad de seguir consolidando sus procesos, su gobernanza, sus mecanismos de participación y las diversas actividades que tiene que llevar a cabo”.
O assessor internacional do Ministério da Cultura do Brasil, Bruno Melo, integrante dos grupos de trabalho voltados à atualização da Carta Cultural Ibero-americana, ressaltou a importância de fortalecer mecanismos regionais de cooperação cultural diante dos desafios contemporâneos vividos na Ibero-América. Também sugeriu a construção de uma agenda de contribuições do IberCultura Viva ao processo de renovação do documento.


Todas as vozes
Os debates retomaram aprendizados do 7º Congresso Latino-americano e Caribenho de Culturas Vivas Comunitárias, realizado em abril, na Colômbia. Para a REPPI colombiana, Vicenta Moreno, o Congresso consolidou consensos importantes sobre a necessidade de estreitar vínculos entre governos e iniciativas comunitárias como forma de garantir continuidade e sustentabilidade às políticas culturais construídas desde os territórios. “Não podemos seguir separados. Precisamos continuar apostando na construção de políticas públicas em que os distintos países possam de fato contar com orçamentos e para isso”, destacou.


Balanço e agendas de futuro
Durante a reunião, a secretária técnica do IberCultura Viva, Flor Minici, apresentou um panorama das ações desenvolvidas pelo programa entre dezembro de 2025 e maio de 2026, incluindo convocatórias, processos formativos, redes articuladas e iniciativas em andamento nos países membros. Para os próximos passos do Programa, estiveram em debate a atualização da Carta Cultural Ibero-americana e o Curso de Gênero desenvolvido em parceria com a AECID.
Flor ressaltou que a ideia desse percurso formativo é dar centralidade ao tema dos cuidados. “Vamos construir esse processo de forma coletiva, incorporando as boas práticas desenvolvidas pelos países participantes e colocando o cuidado no centro do aprendizado, reconhecendo-o como dimensão fundamental do trabalho cultural comunitário, da sustentabilidade das redes e da construção de políticas públicas mais humanas e inclusivas”.
A pauta incluiu ainda debates sobre o Selo IberCultura Viva, a conformação do Grupo de Trabalho do Plano Estratégico Trianual (PET) e propostas para a próxima sede da reunião do Conselho Intergovernamental. A presença do programa na Teia reafirma seu compromisso com políticas culturais construídas desde os territórios – reconhecendo saberes comunitários, redes de colaboração e experiências populares como fundamentos da integração regional e da construção do Bem-Viver.




Participaram da reunião: Giselle Dupin e Bruno Melo (Brasil); Vicenta Moreno e Elisabeth Giraldo (Colômbia); Henry Mercedes (República Dominicana); Hernán Cabrera (Uruguai); Daniela Campos Berkhoff (Chile, vice-presidenta); Eloísa Vaello Marco (AECID) e Inés de Egaña (Espanha), Adrian Esteban (Equador), Paloma Bonfil (México) e (Eduardo Régis) Costa Rica. Pela Unidade Técnica do programa, participaram Flor Minici, Diego Benhabib, Flor Neri e Nanda Barreto. O encontro também contou com a presença de ouvintes da sociedade civil interessados em acompanhar os rumos do IberCultura Viva.
Fotos: Giba/ MinC