14 maio 2026

Elaborado no marco da primeira década do Programa IberCultura Viva – hoje integrado por 14 países -, o livro IberCultura Viva +10 anos: integração de base comunitária e direitos culturais nasce como percurso, memória e provocação. Reúne textos, artigos, pesquisas e reflexões produzidas a partir de uma ampla rede de intercâmbio entre instituições culturais, universidades, pesquisadoras/es, gestoras/es e organizações comunitárias do continente.

Mais do que registrar uma trajetória, a publicação oferece ferramentas para compreender o presente e imaginar futuros possíveis para as políticas culturais de base comunitária. Ao longo de suas 348 páginas, percorre temas como integração latino-americana, democracia cultural, participação social, educação, cultura digital, inteligência artificial, justiça climática e direitos culturais – sempre a partir das experiências concretas dos territórios.

A obra se destaca por articular pensamento crítico, experiências institucionais e práticas sociais sem abrir mão da diversidade de perspectivas. Como afirma Márcia Rollemberg, presidenta do Conselho Intergovernamental do IberCultura Viva, a publicação reúne “uma diversidade de perspectivas e reflexões sobre a cultura viva de base comunitária”, compartilhadas por dirigentes, pesquisadoras/es, artistas e lideranças culturais de diferentes países.

Esse caráter plural é também um método: o livro não apresenta uma visão única sobre cultura viva comunitária, mas coloca em diálogo vozes e experiências que raramente habitam o mesmo espaço. Ao mesmo tempo, a publicação ajuda a compreender a dimensão histórica e política desse campo cultural no continente.

Márcia destaca que o IberCultura Viva surge inspirado pela Política Nacional Cultura Viva do Brasil e que, após dez anos, o Programa “apresenta importantes resultados registrados em pesquisa e na edição comemorativa IberCultura Viva +10 anos”. Para ela, trata-se de um percurso que, ao celebrar a memória e refletir sobre a trajetória, também lança “um olhar sobre os próximos dez anos”.

Parceria pública comunitária virtuosa
Essa dimensão comunitária aparece de forma especialmente potente no prólogo assinado por Santiago Silva Jaramillo, secretário de Cultura Cidadã da Alcaldía de Medellín. Para ele, a cultura viva comunitária “brota desde baixo como água subterrânea”, nascendo da vida cotidiana, dos encontros e das ações coletivas realizadas nos bairros e territórios. Não surge dos ministérios nem apenas das instituições formais, mas da capacidade das comunidades de construírem memória, resistência e esperança a partir de suas próprias experiências.

O texto de Santiago no prólogo do livro também evidencia a amplitude das práticas que atravessam esse movimento: bibliotecas populares, comunicação comunitária, festivais, círculos de palavra, ações de cultura de paz, agroecologia, cozinhas comunitárias, processos de alfabetização digital e iniciativas de cuidado coletivo. Ao reconhecer essas experiências como parte de um mesmo horizonte político e cultural, o livro amplia a compreensão sobre o que são políticas culturais e sobre o papel estratégico da participação comunitária na transformação social.

Entre seus destaques está a presença do pesquisador Néstor García Canclini, uma das principais referências intelectuais do continente. Suas reflexões sobre os desafios contemporâneos da cultura viva comunitária – especialmente nas relações entre instituições, plataformas digitais e disputas de narrativa – ampliam o debate em tempos de mediação algorítmica e concentração tecnológica. Santiago Silva Jaramillo lembra, inclusive, que o IberCultura Viva se orienta pelos valores da diversidade, da participação e da igualdade, dialogando diretamente com o “paradigma da democracia cultural participativa desenvolvido por Néstor García Canclini”.

Para Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, o livro integra um esforço mais amplo de fortalecimento do pensamento crítico sobre cultura. Segundo ele, a publicação surge de “uma aliança estratégica” que entende “o desenvolvimento do pensamento e da reflexão sobre as políticas culturais parte necessária e indispensável do trabalho da gestão pública”. Santini também destaca a importância da conferência de Canclini ao abordar a cultura comunitária “como um campo de luta política, disputa de narrativas e afirmação de valores”.

Leia, baixe, compartilhe – este livro foi feito para circular
Disponibilizado gratuitamente em formato digital, o livro reafirma uma escolha política pela circulação aberta do conhecimento e pela construção coletiva do pensamento.

Fruto da parceria entre a Fundação Casa de Rui Barbosa, a Cátedra UNESCO de Políticas Culturais e Gestão e o Programa IberCultura Viva, a publicação reúne pesquisas, artigos e reflexões desenvolvidos em espaços de intercâmbio e formação realizados em diferentes países da região, como o Seminário Internacional Cultura Viva Comunitária: uma escola latino-americana de políticas culturais, na Cidade do México, e o XIV Seminário Internacional de Políticas Culturais da Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Entre memórias, experiências e agendas de futuro, a publicação percorre diferentes contextos latino-americanos e ibero-americanos para refletir sobre participação social, democracia cultural e os desafios contemporâneos que atravessam as comunidades.