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El Salvador

19

Apr
2018

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PorIberCultura

Entra em vigência o Ministério da Cultura de El Salvador

Em19, Apr 2018 | EmNotícias | PorIberCultura

O presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, oficializou o novo Ministério da Cultura em cerimônia realizada no Salão de Honra da Casa Presidencial, nesta quinta-feira, 19 de abril. Criada após um longo processo de construção e desenho, a nova institucionalidade tem como titular Silvia Elena Regalado, que estava à frente da Secretaria de Cultura da Presidência de El Salvador desde janeiro de 2016.

A ação insere-se no contexto do Objetivo 8 do Plano Quinzenal de Desenvolvimento “El Salvador Produtivo, Educado e Seguro”, impulsado pelo governo para o período de 2014 a 2019.

A missão do novo ministério é assegurar “o direito à cultura e ao fortalecimento das identidades salvadorenhas, executando a proteção, conservação e difusão do patrimônio cultural e das expressões artísticas”.

O Ministério de Cultura estará constituído por quatro entidades: Direção Geral de Artes, a cargo de Marta Rosales; Direção Geral de Redes Territoriais, com César Pineda; Direção Geral de Patrimônio Cultural e Natural, com Irma Flores, e Direção Geral de Pesquisas, Acervos Documentais e Edições, com Carlos Pérez Pineda.

Competências

Entre suas principais competências estão velar pelo cumprimento da Lei de Cultura, e fazer valer o cumprimento da Lei Especial de Proteção  ao Patrimônio Cultural de El Salvador, assim como seus respectivos regulamentos.

Também são atribuições do ministério atualizar, promover e facilitar o desenvolvimento das políticas públicas em matéria de cultura, incluindo a relação com outras instâncias governamentais; estimular a participação dos distintos setores sociais no fazer cultural e artístico nacional; potenciar a memória histórica e fortalecer os processos identitários em nível local e nacional; desenhar e executar a territorialização das políticas públicas em matéria de cultura, através de instâncias como as Casas de la Cultura, os museus e a rede de bibliotecas públicas.

O Ministério de Cultura continuará trabalhando com o orçamento designado para o exercício financeiro fiscal de 2018; todos os bens móveis, imóveis e recursos materiais utilizados atualmente pela Secretaria de Cultura da Presidência serão transferidos para o ministério com as formalidades e requisitos legais.

Lei de Cultura

Antes da conversão da Secretaria de Cultura em Ministério da Cultura, foi aprovada, em 11 de agosto de 2016, a Lei de Cultura, a primeira do país, que estabelece o marco jurídico que fundamenta a política estatal em tal matéria, com a finalidade de proteger os direitos culturais reconhecidos pela Constituição e os tratados internacionais vigentes.

A normativa, aprovada em sessão plenária na Assembleia Legislativa, com 73 votos a favor, contempla o conceito do direito à cultura como um aspecto inerente à pessoa humana, que deve ser promovido a partir do Estado. Para isso, promove a criação de um Fundo Nacional Concursável para a Cultura e incorpora artigos relativos à gestão local da cultura, mediante a designação de fundos e a elaboração de planos locais.

Além disso, a lei inclui a criação do Instituto Superior em Artes; o fomento das empresas culturais, da música nacional e da cinematografia; a criação de dois registros de artistas (um nacional e outro municipal); a reivindicação dos direitos dos povos originários, e outorga especial importância ao trabalho desenvolvido nas comunidades pelas Casas da Cultura.

 

Saiba mais:

http://www.cultura.gob.sv/presidente-de-el-salvador-oficializo-ministerio-de-cultura/

Fuente: Secretaría de Cultura de El Salvador

(*Na foto, o presidente Salvador Sánchez e a ministra Silvia Elena Regalado durante a cerimônia de oficialização do ministério)

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27

Jun
2017

EmNotícias

PorIberCultura

Histórias e identidades no primeiro encontro de Cultura Viva em Nahuizalco, El Salvador

Em27, Jun 2017 | EmNotícias | PorIberCultura

Por Marlen Argueta

“Cultura Viva Comunitária, organização a partir da cosmovisão dos povos originários” foi o nome do encontro que a Red Salvadoreña de Cultura Viva Comunitaria realizou no último sábado, 24 de junho, no município de Nahuizalco, em El Salvador.

Itztla-Tlan-Balam (Luis de Paz), líder indígena, participou do encontro com o tema “Políticas públicas dos povos originários”. Em sua apresentação, ele falou das principais apostas e desafios da implementação da Política Nacional de Povos Indígenas. Também deu a conhecer o entramado de redes de povos originários que existem e sua organização comunitária no país.

Depois, a antropóloga e pesquisadora Marielba Herrera veio com a palestra “De homens a macacos”. Uma visão a partir das tradições humanas atuais, religiosas, culturais e populares, até o descobrimento do ancestral. A palestra permitiu que os participantes, representantes de diversas organizações comunitárias, compartilhassem suas histórias e narrativas construídas nas comunidades, ao redor do sincretismo religioso e das dinâmicas simbólicas cotidianas que formam parte do legado dos povos originários.

Ao final, o maestro César Pineda, diretor nacional das Casas de la Cultura y la Convivencia, vinculadas à Secretaria de Cultura da Presidência de El Salvador, ressaltou a contribuição da cosmovisão dos povos originários para os processos culturais comunitários em todo o país. “Na medida em que se criem processos que reconheçam os aportes da população indígena e sua cultura, diminuirá a negação da identidade destes povos em nossas raízes como nação”, destacou Pineda.

Construção do diálogo

Para a Red Salvadoreña de Cultura Viva Comunitaria, o intercâmbio é uma contribuição para a construção do diálogo com os coletivos e comunidades, um diálogo que permita a aproximação ao conhecimento das histórias particulares, as origens, os patrimônios e demais elementos que constituem e formam parte das identidades.

“Estes encontros surgem das necessidades e temáticas próprias das regiões, da própria vida do trabalho, das coordenações que um tema tão raro como a CVC. Estas atividades nos ensinam a fortalecer as lideranças, os dirigentes homens e mulheres que descobrem na cultura viva o rumo de seu trabalho, de seu coletivo e de sua realidade”, comentou Rafael Moreira, membro da Red Salvadoreña e do coletivo Red Sivar.

O objetivo destas rodas de conversa é potenciar as convergências entre os diferentes coletivos que pertencem à Red Salvadoreña de CVC e fortalecer seu tecido comunitário. Este ciclo de encontros se realiza previamente ao Encontro Nacional de Cultura Viva, a ser realizado em setembro de 2017. O evento é um dos projetos ganhadores do Edital Ibercultura Viva de Apoio a Redes aberta em 2016.

O próximo encontro será em 1º de julho em San Salvador e abordará o programa de Puntos de Cultura e o Programa Ibercultura Viva. Neste espaço participarão os denominados Puntos de Cultura em El Salvador e duas referências em cultura viva do governo central: Alexander Córdova e César Pineda.

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05

Nov
2015

EmNotícias

PorIberCultura

El Salvador: semeando alegria, esperança e comunidade

Em05, Nov 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

Foto: Bladimir Nolasco

As imagens da “comparsa” (bloco, passeata festiva), os malabaristas, os meninos nos tambores, os pernas-de-pau, os palhaços, os dançarinos, a população nas ruas e os sorrisos não deixam dúvidas. Fazia mesmo todo sentido que El Salvador fosse sede do 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária. Um país marcado por lutas, conflitos, massacres, e que vive um momento histórico com um governo que busca promover mudanças sociais por meio da cultura.

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Foto: Bladimir Nolasco

“Aprendemos que a cultura sai do povo, não sai do governo”, afirma Ramón Rivas, secretário de Cultura da Presidência de El Salvador, que apoiou o evento organizado pela sociedade civil (a Rede Salvadorenha de Cultura Viva Comunitaria), de 27 a 31 de outubro, sob o lema “Convivência para o bem comum”.  “A arte e a cultura são do povo e para o povo e é a partir daí que podemos impulsar as mudanças necessárias.”

E foi um povo alegre que saiu às ruas a receber com largos sorrisos os cerca de 500 congressistas da América Latina e do Caribe durante os cinco dias de conferências, foros, debates, reuniões, cursos, apresentações e visitas às comunidades. A cordialidade, o respeito e o espírito de irmandade marcaram o encontro antes, durante e depois. E mostraram que muitas das mudanças pelas quais o país passa hoje deveriam estar resolvidas desde os Acordos de Paz.

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Foto: Bladimir Nolasco

Antes e depois

A assinatura dos Acordos de Paz, em 16 de janeiro de 1992, marcou um antes e depois na história de El Salvador. Firmados entre o governo e a Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), em Chapultepec, México, os acordos terminaram com 12 anos de guerra civil no pequeno país centro-americano. Mais de 70.000 pessoas morreram nesse período. O ano de 1992, portanto, marcaria o começo da reconstrução do país.

Ainda que tenham trazido valiosas conquistas para a construção e o fortalecimento de uma institucionalidade democrática – os Acordos de Paz colocaram fim não apenas à parte armada do conflito, mas também a 60 anos de ditadura militar –, as coisas não aconteceram como se esperava. As batalhas continuaram. Mudaram de forma e cenário, passando à beligerância político-eleitoral, direita versus esquerda.

Como o mesmo partido político seguiu no poder, El Salvador seguiu como um país de modelo neoliberal, sem moeda própria (ainda está dolarizado), até 2009, quando a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) perdeu as eleições presidenciais para o FMLN (a frente de guerrilha virou partido político em 1992). Começava, então, um governo de esquerda, o primeiro da história do país. Em 2014, o FMLN ganharia mais uma vez as eleições.

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Foto: Bladimir Nolasco

De guerrilheiro a presidente

Salvador Sánchez Cerén, o atual presidente, foi um dos guerrilheiros que negociaram com o governo de El Salvador os Acordos de Paz em 1992. “Isto é histórico: um presidente que foi membro do FMLN hoje é presidente, comandante geral das forças armadas”, destacou Wilfredo Zepeda, secretário adjunto de Arte e Cultura do FMLN, no painel-foro “Políticas Públicas e Cultura Viva Comunitária”, em 30 de outubro, no Cine Teatro da Universidade de El Salvador.

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Wilfredo Zepeda, do FMLN

“Estamos em um momento histórico que é fruto das lutas populares que vêm num processo contínuo desde a década de 1970, quando surgiram os movimentos revolucionários”, acrescentou Zepeda. “E o momento histórico que vive El Salvador é também um momento de disputa de hegemonia, não apenas política, e sim cultural e ideológica. Nunca antes na história de El Salvador isso havia estado em disputa.”

Segundo o secretário Ramón Rivas, a cultura nunca havia sido um objetivo de país, mas agora é um dos pilares que sustenta a atuação do governo. “Já não nos referimos à cultura como sinônimo de belas artes, e sim como a dimensão de vida que constitui a força viva, criativa e coletiva do país.”

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Foto: Bladimir Nolasco

As Casas da Cultura

Umas das ações do Plano Quinquenal de Desenvolvimento (“El Salvador, produtivo, educado e seguro”, 2014-2019), apresentado pelo presidente Sánchez Cerén, é a implementação do programa Cultura Viva Comunitária, por meio da Direção Nacional das Casas da Cultura para o Desenvolvimento da Convivência e do Bem Viver.

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O secretário Ramon Rivas. Foto: Secretaria de Cultura de El Salvador

Ramón Rivas conta que as Casas da Cultura – hoje presentes em 155 municípios do país – eram espaços onde havia uma biblioteca e os funcionários passavam seus dias emprestando livros, recebendo livros, cuidando para que não fossem roubados…. “Agora não. As Casas da Cultura hoje são pontos de socialização. São espaços de convivência onde homens, mulheres, crianças e sobretudo jovens, em vez de estar na esquina ou ser presas das ‘maras’ (gangues) e outros grupos delinquentes, têm um espaço onde podem se encontrar, se entreter.”

César Pineda, o diretor nacional das Casas da Cultura, também ressalta que as casas, antes tão preocupadas com a biblioteca, hoje são centros de convivência e troca de saberes. São espaços que dão poder ao povo, que buscam restituir o bem comum, o interesse coletivo sobre o privado. “O pecado não é estar organizado. O pecado é um povo sem organização”, comenta o diretor, citando uma frase de Monsenhor Romero, o bispo mártir dos salvadorenhos.

E é assim que o 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária acaba marcando um antes e depois na abordagem da temática cultural no pequeno país centro-americano: com o povo em movimento, organizado e sorridente nas ruas, participante de seu destino.

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Foto: Diana Iliescu

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03

Nov
2015

EmArtigos e publicações
Notícias

PorIberCultura

Compilação de artigos sobre Cultura Viva Comunitária é lançada em El Salvador

Em03, Nov 2015 | EmArtigos e publicações, Notícias | PorIberCultura

Eram muitas as opções de títulos para o livro que foi lançado durante o 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, em El Salvador. Uma das alternativas era Cultura Viva Comunitária, chave para a inclusão social nos bairros da América Latina. Outra era Cultura Viva Comunitária, para construir a convivência em tempos de insegurança. No final, ficou o que dava nome ao congresso e representava o norte de tudo: Cultura Viva Comunitária, convivência para o bem comum.

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Jorge Melguizo, o editor do livro, é consultor e conferencista em gestão pública, cultura e segurança e convivência

Compilada e editada pelo colombiano Jorge Melguizo, a publicação reúne artigos de pessoas de 17 países da América Latina. Entre elas, Eduardo Balán (Argentina), Célio Turino (Brasil), Iván Nogales (Bolivia), Patricia Requena (Chile), Fresia Camacho (Costa Rica), Marlen Argueta (El Salvador), Liz Osorio (Paraguai), Paloma Carpio (Peru) e Paula Simonetti (Uruguai).

“É um livro para reunir, com a intenção de que uma vez reunido se dissemine”, afirma Melguizo. “Poucos programas podem se dar o luxo de ter em mais de 17 países processos similares que se compartilham e que se alimentam reciprocamente. Não é um livro memória, ou ao menos não é só isso o que pretende. Procura ser uma ferramenta: o que fazer e como fazer”.

Com 220 páginas, Cultura Viva Comunitária: Convivência para o bem comum tenta contar um processo de anos e que propõe algo muito simples: decisão política para destinar orçamentos públicos a projetos de Cultura Viva Comunitária.

“Incluir as culturas vivas comunitárias nas decisões políticas e orçamentárias nos levará a incluir na sociedade os múltiplos projetos culturais que são feitos em nossos bairros e zonas rurais sem o Estado, apesar do Estado ou inclusive contra o Estado”, escreve Melguizo. “Nessas expressões culturais de bairro e rurais, múltiplas e diversas, está uma boa parte da cultura para a paz de que necessitamos com urgência potencializar para que a convivência seja uma palavra que nos defina como sociedade.”

Coordenação

capa-livro_editedJorge Melguizo conta que teve a ideia do livro há uns seis meses. A proposta era para que os organizadores do congresso preparassem a edição, aproveitando a oportunidade de apresentá-la no evento. A aprovação veio em setembro, com um pedido: que ele mesmo fizesse a compilação e a edição.

A coordenação ficou a cargo de Julio Monge e Marlen Argueta, da Rede Salvadorenha de Cultura Viva Comunitária. Julio Monge, segundo Melguizo, “foi chave no impulso e na insistência” em El Salvador para que o livro saísse, e Marlen Argueta foi a responsável pela concretização do desenho e da impressão. “Sem eles dois, o livro teria ficado apenas na ideia”, ressalta.

Leia também:

Cultura Viva Comunitaria: Convivencia para el bien común, por Jorge Melguizo

Os outros artigos estão disponíveis aqui: http://iberculturaviva.org/publicacoes/artigos/

 

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01

Nov
2015

EmNotícias

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Congresso chega ao fim com celebração afetuosa e um novo ponto de encontro: Equador

Em01, Nov 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

É feita de afeto a rede de coletivos e entidades culturais que vem se armando há uma década na América Latina em torno da economia solidária, da democracia participativa e do bem viver. Não à toa, uma das imagens que ficam do 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária é a da plenária final, com todos juntos no gramado na Concha Acústica da Universidade de El Salvador, sorridentes, comemorando o encontro e convocando para o próximo. O terceiro congresso da “cultura da alegria e da amorosidade” será no Equador, em 2017.

Além do anúncio do local do próximo congresso, a plenária realizada na manhã de sábado (31/10), último dia do evento em San Salvador, serviu para informar prioridades, tarefas e eixos de trabalho do Conselho Latino-americano de Cultura Viva Comunitária para o biênio 2015-2017.

IMG_4824-460x310O argentino Eduardo Balán abriu a plenária lembrando os anos de desenvolvimento do movimento de Cultura Viva Comunitária, o esforço de transformá-lo num projeto continental (com a realização do primeiro congresso, na Bolívia, em maio de 2013, “um acontecimento épico maravilhoso”), a ideia de criar um conselho latino-americano.

“Vimos que não se tratava apenas de fazer um congresso de dois em dois anos, e sim que deveria haver uma equipe latino-americana que todos os dias fosse apoiando, sistematizando e comunicando as diferentes lutas em todos os países, e em alguns casos protegendo”, comentou Balán, citando o assassinato do companheiro Victor Leiva, em 2011. Conhecido como El Mono, por suas habilidades acrobáticas, Leiva era um dos fundadores do coletivo Caja Lúdica. Morreu na Guatemala, baleado, “vítima das facções que geram violência em toda América Central”.

Grupos de trabalho

Ao enfatizar que não se trata de um órgão representantivo nos termos clássicos (afinal, Cultura Viva Comunitária não é um fenômeno “representável” nos moldes tradicionais, com presidente, secretário), Balán se referiu ao Conselho Latino-americano como “uma equipe que trata de ajudar a alentar, visibilizar e empoderar tudo que vai acontecendo nos territórios”.

Para ter um “mínimo esquema organizativo”, o conselho definiu cinco grandes áreas de trabalho: a) legislação e políticas públicas; b) economia social; c) desenvolvimento territorial; d) formação; e) comunicação. Esses cinco temas foram escritos em cartazes afixados ao lado do palco da Concha Acústica. Todos os que ali estivessem e quisessem entrar nos grupos de trabalho deveriam anotar seus e-mails para participar das discussões. Vários brasileiros entraram nos grupos.

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Leandro Anton convidou o Conselho Latino-americano de CVC para a próxima Teia, em Salvador, em maio de 2016. Foto: Mario Alberto Siniawski

Criado durante o 1º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, na Bolívia, o conselho se reuniu em Buenos Aires em 2013, e em São Paulo, em novembro de 2014. Agora, foi a vez de San Salvador. A próxima reunião deve ser em Salvador (Bahia), durante a Teia, o grande encontro de Pontos de Cultura, em maio de 2016. O convite foi feito durante a plenária por Leandro Anton, do Quilombo do Sopapo (RS).

Alexandre Santini, diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, também aproveitou o encontro para reforçar a proposta da criação de uma instância de participação da sociedade civil no programa IberCultura Viva, discutida dois dias antes na reunião do Comitê Intergovernamental.

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Alexandre Santini (à esquerda, na foto com Eduardo Balán) leu um trecho da ata da reunião do Comitê Intergovernamental. Foto: Mario Alberto Siniawski

Avaliação

A peruana Lula Martinez Cornejo leu a primeira parte do documento elaborado pelo grupo durante o congresso, com vistas à continuação das reflexões ali iniciadas, para que o conselho siga com o papel de articulador e facilitador dos processos de Cultura Viva Comunitária no continente.

Lula falou das prioridades e dos eixos de trabalho para 2015-2017, das avaliações sobre o funcionamento das comissões e, principalmente, da preocupação de o conselho recuperar sua natureza de “núcleo dinamizador” no que diz respeito ao fluxo de informação, às articulações, aos encontros, às incidências políticas.

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Lula Martinez apresentou os eixos de trabalho do Conselho Latino-americano para 2015-2017. Foto: Mario Alberto Siniawski

“O Conselho Latino-americano de Cultura Viva Comunitária vem tendo uma importância simbólica chave, sobretudo nos processos de negociação com atores mais poderosos, do Estado, dos governos”, afirmou a ex-vereadora, autora da Lei Cultura Viva de Lima. “E as metodologias têm privilegiado a articulação, a produção do consenso, o que não seria possível se não estivéssemos cuidando também da irmandade, da escuta, da administração das complexidades que vêm surgindo nos distintos processos de construção em vários países.”

Comunicação, formação e sistematização são as três ações centrais para o conselho. E entre as prioridades está a constituição de espaços de intercâmbio, celebração, aprendizagem e organização em cada um dos países. Daí a importância dos congressos nacionais de CVC, dos festivais locais, das caravanas. Nas palavras de Lula: “Que avancemos em uma demonstração crescente de nosso movimento, num processo de empoderamento de todas as redes, de todos os atores”.

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…E todos correram para fazer a foto final

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30

Oct
2015

EmNotícias

PorIberCultura

Comitê Intergovernamental discute participação da sociedade civil no programa

Em30, Oct 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

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O Comitê Intergovernamental e os representantes das redes de cultura viva ao final da reunião no Auditório de Economia. Foto: André Fernandes

A participação da sociedade civil no âmbito do programa IberCultura Viva foi o principal tema do segundo dia de reunião do Comitê Intergovernamental, nesta quinta-feira (29), durante o II Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, em San Salvador (El Salvador). Representantes do Brasil, Costa Rica, El Salvador, Espanha e Paraguai discutiram durante a manhã a criação de uma instância que funcione como um espaço de diálogo com a sociedade civil.

Foi proposto o estabelecimento de um grupo de trabalho intersetorial, com a participação de representantes do Conselho Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, do programa IberCultura Viva, de governos municipais e estaduais, além de parlamentares. Esse grupo deve garantir o equilíbrio de representação das diferentes regiões da Ibero-América e da diversidade de condições, levando em conta gênero, etnia, faixa etária. Aos países que ainda não estão tão próximos do processo, foi sugerida a realização de ações que levem ao conhecimento do programa, em parceria com instituições afins.

Tal grupo de trabalho se dedicará ao avanço de políticas de cultura de base comunitária não apenas nos países membros do programa, e sim em toda a região, buscando a articulação com outros programas e foros de cooperacão ibero-americanos. A ideia é promover ao menos uma reunião anual, contando inicialmente com cinco representantes da sociedade civil.

Encontro com as redes

À noite, a proposta foi levada ao Auditório de Economia da Universidade de El Salvador, onde o Comitê Intergovernamental se encontrou com o Conselho Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, a rede centro-americana Maraca, os ganhadores da categoria 2 do Edital de Intercâmbio e boa parte da delegação brasileira.

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Fresia, Santini e Pineda conduziram a conversa com as redes. Foto: Mario Alberto Siniawski

Em tom informal, a conversa foi conduzida por três membros do Comitê Intergovernamental que vieram dos movimentos de Cultura Viva Comunitária de seus países: Fresia Camacho (Costa Rica), Alexandre Santini (Brasil) e César Pineda (El Salvador). “Isso é algo bastante singular e significativo”, observou Santini, diretor da Cidadania e Diversidade Cultural do MinC. “Não estamos tratando de ‘funcionários’, e sim de companheiros que nos conhecemos há tempos e viemos neste caminho, nesta construção, juntos com os que aqui estão.”

Lembrando que a existência do programa IberCultura Viva é uma consequência do movimento da sociedade civil, Santini e Fresia ressaltaram a importância dos dois encontros anteriores nesta construção: o 1º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, realizado em La Paz (Bolívia), em 2013, e o 6º Congresso Ibero-americano de Cultura, que teve como tema as culturas vivas comunitárias, em San José (Costa Rica), em 2014.

“IberCultura Viva nasce do protagonismo, da participação. Não faz sentido um programa como este sem uma instância de articulação orgânica com a sociedade civil no processo de construção”, afirmou o diretor da Cidadania e Diversidade Cultural do MinC.

A recepção foi bastante positiva. Foram vários os comentários e sugestões, vindos de gente da Bolívia, da Costa Rica, do Brasil, da Argentina, da Guatemala… O boliviano Ivan Nogales destacou que o mais importante não é o fundo, e sim o que está em jogo. “O forte está no potencial da mesa de participação, da corresponsabilidade”, disse. A costarriquenha Carolina Picado Pomarth enfatizou a necessidade de fortalecimento de redes locais, da articulação local para o diálogo com outras instâncias. O brasileiro Aderbal Ashogun sugeriu a inclusão de políticas específicas para os povos originários e de periferia “que evidenciem as resistências contemporâneas”.

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Santini conversando com a delegação brasileira no jardim da universidade

Antes do encontro no Auditório de Economia, à tarde, Alexandre Santini esteve reunido com a delegação brasileira na Universidade de El Salvador, numa roda no jardim, onde todos se apresentaram e contaram um pouco de seus trabalhos. Ele adiantou um pouco da conversa que teria mais tarde com as redes sobre o IberCultura Viva e apresentou a proposta do Comitê Intergovernamental para a participação da sociedade civil no programa.

“Se hoje existe uma instância intergovernamental de Cultura Viva é porque a sociedade civil está há anos se organizando na América Latina para criar um repertório comum”, ressaltou. “IberCultura Viva é um programa para pensar a relação entre essas politicas, como um país pode orientar o outro, inspirar na formulação de políticas, na criação de campanhas comuns, seja por orçamento, por leis nacionais (…) É preciso pensar numa outra dimensão, que é a da mobilidade, da circulação e da articulação dessas iniciativas.”

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29

Oct
2015

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Por um orçamento justo e uma Lei Nacional de Cultura

Em29, Oct 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

O terceiro dia do 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária começou com a marcha dos coletivos salvadorenhos. Cerca de 1.000 pessoas, a maioria representantes das Casas da Cultura, saíram da Universidade de El Salvador rumo à Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (29/11), pedindo um orçamento justo e a aprovação de uma Lei Nacional de Cultura.

A mobilização para que se destine às organizações comunitárias 0,1% do orçamento nacional é uma das apostas políticas mais importantes do movimento de Cultura Viva que vem ganhando o continente. A campanha foi aprovada no 1º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, em La Paz (Bolívia), em maio de 2013.

Tendo em conta que a Unesco recomenda a todos os países membros que destinem à cultura pelo menos 1% do orçamento nacional, as redes latino-americanas de Cultura Viva consideram que no mínimo 0,1% desse montante deve ser reservado às atividades das organizações comunitárias.

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Pela necessidade de uma política de Estado

Em artigo incluído no livro Cultura Viva Comunitaria: Convivência para o bem comum, lançado durante o congresso em El Salvador, Marlen Argueta e Alan Barrera citam as razões pelas quais a Rede Salvadorenha de Cultura Viva Comunitária defende a intervenção do Estado para que 1% do orçamento nacional vá para a Cultura, e 0,1% para a Cultura Viva Comunitária. São quatro:

presupuesto-bambole-460x3101) “A cultura é indicador da importância que o Estado dá a sua população como força livre, criativa e protagonista de sua história. Em uma sociedade como a salvadorenha, em que prevalecem outras urgências e necessidades, a criatividade do povo e os espaços livres da cultura não se reproduzem de maneira automática. É necessário que sejam estimulados.

2) Deve-se cumprir o preceito constitucional que, em seu Art. 1º, estabelece que é obrigação do Estado assegurar aos habitantes da República o gozo da cultura, e de seu Art, 53, que estabelece que a cultura é inerente ao ser humano e, portanto, o Estado a tem como obrigação e finalidade primordial. Daí a intervenção pública. Não tanto para que o Estado assuma a Cultura Viva Comunitária, e sim para que proporcione os espaços e as ferramentas que permitam aos cidadãos se converterem em agentes culturais plenos, em um processo de diálogo e intercâmbio permanente.

3) Acreditamos que a Cultura Viva Comunitária é a única possibilidade real para resistir às  pandillas (gangues, facções) que acossam nossos jovens nos bairros e de oferecer outros horizontes de vida.

4) Apelamos à ideia de que o que é público exercemos todos e todas, e que nesse sentido, também somos protagonistas das grandes decisões deste país.”

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Leia também:

Cultura Viva Comunitaria en El Salvador – Riqueza en desarrollo, por Marlen Argueta e Alan Barrera

Una ley de cultura para enriquecer la identidad y el desarrollo humano de los salvadoreños

¿Por qué una ley de cultura?

 

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29

Oct
2015

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Visitas às comunidades marcam o segundo dia do Congresso de El Salvador

Em29, Oct 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

Fotos: Zulma Masi

San Miguel, Jiquilisco, Sonsonate, Chalatenango, San Vicente, Cacaopera e Segundo Montes foram alguns dos povoados/municípios de El Salvador visitados pelos participantes do 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária ao longo desta quarta-feira (28).

Nove circuitos foram organizados para que os congressistas conhecessem a realidade das comunidades salvadorenhas e o trabalho que vem sendo desenvolvido pelas Casas da Cultura Viva Comunitária. Os integrantes do Comitê Intergovernamental do programa IberCultura Viva fizeram a “rota da memória histórica”: Jiquilisco, San Miguel e El Mozote.

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La chanchona de Los Tabales de Ereguayquín se apresentou na Casa da Cultura de Jiquilisco

A primeira parada, na cidade de Jiquilisco, foi ao som das mañanitas de la chanchona de Los Tabales de Eriguayquín. O grupo também havia se apresentado um dia antes em San Salvador, colocando boa parte da plateia para dançar no palco do Teatro Nacional, na abertura oficial do congresso. Comidas típicas, como “corazas”, “totopostes” e “honradas”, foram servidas na Casa da Cultura Vila Comunitária, uma das 155 Casas da Cultura do país, reinaugurada há dois meses.

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O grupo Chapeltique, de San Miguel

Na segunda cidade, San Miguel, a visita começou pelo Teatro Luis Poma, que estava em ruínas e vem sendo restaurado há cinco anos. Em seguida, na praça central, apresentaram-se uma banda de meninas (a Lolotique, hoje Ponto de Cultura) e um grupo de dança folclórica. Atores de um grupo de teatro local, o Chapeltique, também fizeram uma performance no coreto da praça, vestidos e pintados de branco, como estátuas.

O circuito terminou no Sítio Histórico de El Mozote, onde houve um dos maiores massacres contra civis da história recente da América Latina. Em 11 dezembro de 1981, durante a guerra civil salvadorenha, cerca de mil pessoas foram assassinadas ali. Homens, mulheres, crianças.

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Dorila Márquez, uma das sobreviventes do massacre de 1981

Sobreviventes como María Dorila Márquez, que perdeu os pais, a irmã grávida, os sobrinhos e a maior parte da família do marido, lutam até hoje por justiça. “Sabemos quem foi. Há depoimentos de soldados que contam com detalhes o que fizeram com as crianças. E nunca ninguém pagou por isso”, contou Dorila, hoje presidenta da Associação Promotora dos Direitos Humanos de El Mozote.

Dezenas de congressistas homenagearam as vítimas do massacre de El Mozote entregando rosas e acendendo velas no memorial onde estão os nomes (e os restos mortais) de muitos deles.

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28

Oct
2015

EmNotícias

PorIberCultura

Cerimônia no Teatro Nacional dá início ao 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, em El Salvador

Em28, Oct 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

Foto: Abraham Vargas

Delegações da América Latina e do Caribe lotaram o Teatro Nacional de El Salvador para assistir às apresentações do Ballet Folclórico Nacional, do Coro Presidencial e do grupo Los Tabales de Ereguayquin, na abertura oficial do 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, na noite desta terça-feira (27/10), em San Salvador.

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O Ballet Folclórico Nacional. Foto: Abraham Vargas

Antes das apresentações, subiram ao palco o secretário de Cultura da Presidência de El Salvador, Ramón Rivas, e a presidente da Assembleia Legislativa, Lorena Peña, que também é secretária de Arte e Cultura do FMLN, partido do presidente eleito em 2014, Salvador Sánchez Cerén.

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O secretário de Cultura, Ramón Rivas. Foto: Abraham Vargas

Ramón Rivas lembrou que o encontro — organizado pela sociedade civil, com o apoio do governo — parte da perspectiva de que há um espaço comum aos latino-americanos e que é preciso “nos conhecermos e reconhecermos”. “Esta é uma festa de intercâmbio internacional que ajudará a sentar as bases para unificar os esforços políticos e sociais em torno de uma cultura mais integradora, solidária e inclusiva, que tanto necessitamos em nosso continente”, afirmou o secretário.

Lorena Peña, por sua vez, falou do projeto de “desenvolvimento humano com justiça social” que o governo de Sánchez Cerén pretende levar adiante, da importância das políticas públicas no que diz respeito à cultura, do empoderamento, da confiança nas próprias capacidades.

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A presidenta da Assembleia Legislativa, Lorena Peña. Foto: Abraham Vargas

“El Salvador ainda está nas fraldas no que se refere aos processos de Cultura Viva Comunitária. Temos grandes expectativas de aprender com vocês, com suas experiências criativas e organizativas”, ressaltou Lorena. “É preciso provocar uma mudança de mentalidade, ressignificar a história, dar um novo sentido ao futuro de El Salvador. Para isso, os processos de Cultura Viva Comunitária são fundamentais.

Depois do Ballet Folclórico Nacional, foi a vez de Marlen Argueta e Iván Nogales falarem da importância do movimento que vem ganhando a América Latina nos últimos dez anos. Ela, referindo-se à Rede Salvadorenha de Cultura Viva Comunitária, organizadora do congresso. Ele, ao Teatro Trono e à Comunidade de Produtores em Artes (Compa), que vêm construindo uma nova história na Bolívia, sede do primeiro Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária.

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Marlen Argueta, Iván Nogales e Julio Monge. Foto: Mario Alberto Siniawski

Ao final, quando Los Tabales de Ereguayquín passaram o chapéu para a plateia, chamando o público para o baile, faltou lugar no palco para tanta gente. Quase todo mundo quis subir lá para dançar com os salvadorenhos. “Yo soy un pobre negrito/ que vengo de nicho en nicho,/ vengo a celebrar la pascua/ a mi padre San Benito”…

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Los Tabales de Ereguayquín. Foto: Abraham Vargas

 

Antes do espetáculo, a festa começava do lado de fora do Teatro Nacional…
(Fotos: Abraham Vargas)

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27

Oct
2015

EmNotícias

PorIberCultura

Monsenhor Romero, o profeta que guia os caminhos dos salvadorenhos

Em27, Oct 2015 | EmNotícias | PorIberCultura

Foto: Jairo Castrillón Roldán

Uma homenagem ao Monsenhor Romero (1917-1980) marcou o início do 2º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, nesta terça-feira (27/11), em San Salvador. Antes da abertura oficial do evento, no Teatro Nacional, dezenas de congressistas foram à Catedral Metropolitana para visitar a cripta do arcebispo e conhecer um pouco da história de “San Romero de América”.

Considerado um “santo contemporâneo”, “símbolo de amor e esperança”, “o profeta que guia os caminhos dos salvadorenhos”, Óscar Arnulfo Romero foi assassinado no fim da tarde de 24 de março de 1980. Levou um tiro no coração enquanto celebrava uma missa para 50 pessoas na capela do Hospital Divina Providência. Todos os indícios apontaram para o diretor do serviço secreto militar como mentor intelectual do crime. O major, no entanto, nunca foi julgado por isso.

E por que mataram um arcebispo em um país tão católico como El Salvador?

A cripta na Catedral Metropolitana: o monumento de bronze que cobre os restos mortais de Romero, com 2,50m x 1,80m, foi feito pelo escultor italiano Paolo Borghi

No artigo “Monsenhor Romero: crônica de uma morte anunciada” (Revista Cultura, ed. 144), Juan José Tamayo destaca que Romero era um sacerdote conservador, “obediente a Roma”, mas sensível às injustiças sociais do pequeno país centro-americano. Tamayo lembra que a fidelidade ao Vaticano fez Romero ser nomeado arcebispo de San Salvador em 1977, mas o contato com a realidade produziu mudanças profundas.

“O que desencadeou sua transformação foi o assassinato de Rutilio Grande, jesuíta comprometido com a conscientização dos pobres na aldeia camponesa de Alguilares, onde a terra estava na mão de uns poucos e a maioria da população vivia em situação de pobreza extrema”, explica Tamayo. “Se assassinaram Rutilio pelo que ele fez, tenho que seguir o mesmo caminho. Rutilio me abriu os olhos”, teria dito o arcebispo, que a partir daquele momento nunca mais deixou de levantar a voz contra o governo e a classe dominante.

E vieram o assassinato de outros sacerdotes, os massacres contra civis. Romero denunciava os abusos do governo, condenava a violência do Exército contra os líderes políticos, religiosos e sindicais, defensores dos direitos humanos e críticos do sistema repressor. Não tinha o apoio do Vaticano, vivia sob a ameaça permanente do Exército, mas não se calava. “Com Monsenhor Romero, Deus passou por El Salvador”, dizia Ignacio Ellacuría, teólogo assassinado em 1989.

Um mês antes de ser morto, Monsenhor Romero escreveu uma carta ao então presidente norte-americano, Jimmy Carter, em que criticava o apoio dos Estados Unidos ao governo de El Salvador. A gota d’água, no entanto, veio num domingo, em 23 de março de 1980. Durante a homilia na Catedral, o arcebispo leu uma longa lista de nomes. Eram as vítimas da violência da semana anterior. Ao terminar, dirigindo-se ao governo, ao Exército, e especialmente aos soldados, pediu que deixassem de matar seus concidadãos. “Nenhum soldado é obrigado a obedecer uma ordem contra a lei de Deus.”

No dia seguinte, um oficial do Exército classificou como “delito” a homilia do arcebispo. E nesse mesmo dia, enquanto celebrava a eucaristia num hospital de San Salvador, Monsenhor Romero caiu baleado atrás do altar. Seu funeral foi acompanhado por cerca de 150 mil pessoas. Como bem disse o bispo Pedro Casaldáliga: “San Romero de América, nosso pastor e mártir, ninguém calará sua última homilia”.

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(Foto: Secretaria de Cultura da Presidência)

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