Programação gratuita reúne 11 curtas-metragens premiados em uma transmissão especial com dois bate-papos dedicados ao audiovisual comunitário e à diversidade cultural ibero-americana
Histórias transmitidas de geração em geração encontram no cinema comunitário uma forma de seguir vivas. É com esse espírito que o IberCultura Viva realiza, no próximo 28 de julho, a mostra on-line “Saberes Ancestrais, Memória e Territórios”, que reúne os 11 curtas-metragens premiados e contemplados com menção honrosa no concurso internacional promovido pelo Programa.
A mostra será realizada em uma única transmissão ao vivo, organizada em dois bate-papos. O primeiro, às 14h (horário da Argentina, do Brasil e do Uruguai), reunirá as diretoras e os diretores das cinco obras vencedoras. O segundo, às 15h, contará com a participação das realizadoras e dos realizadores das obras contempladas com menção honrosa. Ambos os encontros terão a participação de representantes do IberCultura Viva e de convidadas e convidados especiais do cinema comunitário e da Cultura Viva ibero-americana.
Durante a transmissão, também será disponibilizada a playlist com os 11 curtas-metragens da mostra. Os filmes têm classificação indicativa livre. Como parte das obras continua em circulação por festivais, alguns títulos permanecerão disponíveis apenas durante o período da mostra. Em pleno período de férias escolares em diversos países da região, a iniciativa também convida as famílias a assistirem aos filmes ao lado de crianças e adolescentes.
Para a secretária técnica do IberCultura Viva, Flor Minici, a mostra representa um momento de celebração. “É um encontro para celebrar o encerramento deste ciclo do concurso e compartilhar essas obras com o público”, afirma. Segundo ela, a elevada qualidade das produções inscritas levou o Programa a ampliar o reconhecimento, concedendo, além dos cinco prêmios, seis menções honrosas. “As obras se destacaram tanto pela qualidade técnica quanto pela força dos vínculos comunitários e pela forma sensível de retratar os Tesouros Vivos.”
Sobre a mostra
Os filmes apresentam histórias, práticas culturais, memórias coletivas e conhecimentos ancestrais que revelam a diversidade cultural da Ibero-América e a potência das culturas vivas construídas pelas comunidades. Para a presidenta do IberCultura Viva, Márcia Rollemberg, que participará da abertura, a mostra reafirma “o compromisso do Programa com a valorização das mestras e dos mestres da cultura popular, o fortalecimento do audiovisual comunitário e a transmissão intergeracional de conhecimentos, reconhecendo o cinema como ferramenta de memória, identidade e transformação social”.
As obras integram o concurso internacional “Tesouros Vivos, Memória e Territórios”, criado para reconhecer e dar visibilidade a mestras, mestres, saberes tradicionais e experiências comunitárias que mantêm viva a diversidade cultural ibero-americana, assim como às realizadoras e aos realizadores que contribuem para seu registro, valorização e difusão.
O edital recebeu 75 inscrições. As cinco obras vencedoras foram premiadas com US$ 3 mil cada uma, enquanto outras seis receberam menção honrosa em reconhecimento à qualidade artística e à força de seu vínculo com as comunidades retratadas. Em conjunto, os curtas-metragens se destacam pela potência narrativa, pela sensibilidade estética e pela capacidade de transmitir memórias, conhecimentos e modos de vida profundamente enraizados em seus territórios.
Agende-se!
Mostra “Saberes Ancestrais, Memória e Territórios”
📅 28 de julho de 2026
🎥 Uma única transmissão ao vivo | youtube.com/iberculturaviva
🕑 14h – Bate-papo com as diretoras e os diretores das obras vencedoras.
🕒 15h – Bate-papo com as realizadoras e os realizadores das obras contempladas com menção honrosa.
Os dois encontros contarão com a participação de representantes do IberCultura Viva e de convidadas e convidados especiais do cinema comunitário e da Cultura Viva ibero-americana. Durante a transmissão também será disponibilizada a playlist com os 11 curtas-metragens da mostra.
Confira as sinopses!
Obras selecionadas
1. Quischcambal (Colômbia) – Heidy Helena Mejía Sánchez / Fundación Cultural Territorios Arte y Paz. Realizado no marco da Escola Itinerante de Cine Comunitário “Narrando en Positivo”, com participação ativa de crianças e jovens de San Salvador, no Amazonas peruano, o filme apresenta a vida rural, o cultivo de milho e feijão, o trabalho coletivo e a preservação de práticas como o tingimento artesanal, a tecelagem e as medicinas naturais.

2. Jilaqatas Awkis y Taykas, Ciclo Aymara (Peru) – Gaby Leonor Cárdenas Condori e Carlos Ilich Álvarez Apucusi / Asociación Cultural Chacchando Sueños. Documentário que acompanha o ciclo ritual e agrícola das autoridades originárias Awkis e Taykas nas comunidades aymaras de Pomata, sul do Peru, construído em colaboração com a comunidade.

3. Raízes de Ibicoara – Ancestralidade não é mercadoria (Brasil) – Sandra de Souza Maciel / Movimento Curador. Registra o Encontro Raízes de Ibicoara, reunindo parteiras, raizeiras, benzedeiras e representantes da cultura camponesa, defendendo o conhecimento tradicional como patrimônio vivo.

4. Ellas Curan (México) – Miguel Minor Serrano / Cypher Tlx. No sul de Tlaxcala, mulheres se reúnem em torno da cozinha e do temazcal para compartilhar saberes de cura e memória, em um retrato da transmissão intergeracional de práticas culinárias e medicinais tradicionais.

5. Kuntur Ayllukanchik (Equador) — Kuyllur Saywa Escola Chachalo. Obra híbrida que combina documentário e animação para registrar a elaboração de flautas de carrizo no povo Kichwa Karanki, com mestres ensinando melodias e processos construtivos.

Menções honrosas
6. De Mão em Mão: Tia Ana Pankararu – Cura e cuidado (Brasil) — Raquel Messias de Camargo / Baobá – Saberes Ancestrais. Retrata Tia Ana, parteira do território indígena Pankararu, no sertão de Pernambuco, valorizando seus saberes sobre ervas, cura e espiritualidade.

7. O Fio que Sustenta (Brasil) – Maria Raimunda Esteves Santos, Jaquielly Gomes de Sousa e Maria Geralda Leite Ribeiro Vieira / Tecelãs de Tocoiós. Autorretrato audiovisual das tecelãs quilombolas de Tocoiós de Minas (MG), registrando cultivo, fiação e tecelagem do algodão como prática de resistência.

8. Memoria de un danzante: el legado de danzantes de males (Colômbia) – Lizeth Andrea Chagueza Chaguezac / Colectivo Audiovisual y de Comunicación Indígena Tandaliz. Arte Animação em stop motion que homenageia a Dança de los Danzantes de Males, expressão ancestral do povo indígena de Males, em Nariño.

9. Refugiar el gesto: la danza de la tablitera (Colômbia) – Javier Serpa / Danzas y Enseñanzas de mis Abuelos + Tragaluz Laboratorio Audiovisual. Videodança realizada em San Antonio, Bolívar, que revitaliza a Danza de las Tabliteras, prática afrodescendente em risco de desaparecimento.

10. Tsank cosmovisión Shuar (Equador) – Angélica Maria Mas y Rubi Ríos e Jessica Paola Calle Jimenez. Resultado de pesquisa colaborativa com a comunidade Shuar de Chumpias, aborda o ritual do tsank como prática espiritual vinculada à cosmovisão do povo Shuar.

11. Manifiesto Kawsay (Argentina) – Rut Milagros Alonso Mamani / Mujeres artistas indígenas autoconvocadas de la provincia de Jujuy. Manifesto audiovisual criado por mulheres artistas indígenas de Jujuy que articulam fotografia, dança e música em defesa do Buen Vivir.
