No 3º Congresso Federal e Plurinacional do Movimento de Cultura Viva Comunitária, realizado em Chepes (La Rioja), a Rede coordenou uma mesa de trabalho com mais de 60 representantes de organizações culturais comunitárias para identificar necessidades de formação em gestão cultural comunitária.
Ninguém sabe melhor do que os territórios o que precisam aprender. Com essa premissa, a Rede Educativa IberCultura Viva participou do 3º Congresso Federal e Plurinacional do Movimento de Cultura Viva Comunitária, realizado de 25 a 27 de setembro em Chepes, província de La Rioja, Argentina. A província integra a Rede de Cidades e Governos Locais do Programa, e sua secretária de cultura, Patricia Herrera, esteve presente nas atividades do dia anterior.
No sábado (26), no auditório da sede Chepes da Universidade Nacional de La Rioja, a Rede coordenou a mesa de trabalho «Propostas formativas na gestão cultural comunitária», conduzida por Alejandro Miraglia e Lucrecia Meossi, da Secretaria de Extensão da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), e Diana Mello, de El Culebrón Timbal. Participaram 63 representantes de organizações culturais comunitárias de diferentes províncias.
Na primeira parte do encontro, a Rede foi apresentada: seus propósitos, quem a integra, como novas organizações e universidades podem se somar e quais grupos de trabalho estão em funcionamento. Também foram compartilhados os avanços do mapeamento de ofertas formativas em cultura viva comunitária na Ibero-América, que vem sendo elaborado por um dos Grupos de Trabalho da Rede. As organizações apontaram propostas que não constavam no levantamento preliminar, como um curso técnico de nível superior em gestão cultural do Ministério da Educação da província de Buenos Aires. «Quando a gente abre esse espaço, começa a perceber que há milhares de coisas que não conhecemos. Os sistemas educativos de cada país não são lineares, então vamos seguir aprofundando», afirma Alejandro Miraglia.
A segunda parte teve formato de oficina. Em cinco grupos, as e os participantes trabalharam a partir de três perguntas: o que precisam aprender ou fortalecer para melhorar o trabalho de suas organizações? Que saberes e experiências de suas comunidades deveriam fazer parte de uma proposta de formação? E que dificuldades enfrentam hoje para se capacitar? «Mesmo com quase três horas de atividade, o tempo passou e eles queriam seguir dialogando. Disseram que acharam importante o jeito como a atividade aconteceu e que estavam com muita vontade de continuar pensando», contou Miraglia.
A troca também abordou os alcances da formação. «Surgiu a pergunta de até onde vai uma formação em cultura viva comunitária, o que pode incluir e o que não. Uma coisa é falar de cultura comunitária e outra de cultura viva comunitária: que formação precisa um movimento e que formação precisa um conceito?», propôs Diana Mello.
As contribuições serão incorporadas ao trabalho da Rede e ao desenho de futuras propostas de formação em gestão cultural comunitária, e poderão alimentar a construção de um curso virtual em colaboração com as organizações.


Uma rede entre saberes
Criada em abril de 2025, a Rede Educativa IberCultura Viva reúne 22 instituições de 7 países, entre universidades, centros de formação, escolas populares e organizações comunitárias comprometidas com o direito à cultura e o bem viver.
Sua missão é fortalecer as culturas vivas nos territórios por meio do intercâmbio de metodologias, experiências e estratégias de formação, articulando saberes acadêmicos, populares e ancestrais. A rede promove a circulação do conhecimento e o acesso às pesquisas acadêmicas, às tecnologias sociais e aos direitos culturais, com ênfase no reconhecimento das culturas tradicionais e populares.
Para o IberCultura Viva, construir sociedades mais justas e democráticas exige reduzir também as desigualdades no acesso aos saberes e na legitimidade que eles recebem. Por isso a rede funciona como ponte entre o mundo acadêmico e os territórios. Em 2026, sua coordenação está a cargo da UNC e da organização paraguaia El Cántaro Bioescuela Popular.




