21 abril 2026

Pesquisa com território. O Seminário CaminAndar abriu, no marco do 7º Congresso Latino-americano e Caribenho de Culturas Vivas Comunitárias, um espaço em que a formação se afirma como prática em movimento. Na segunda-feira (20), primeiro dia do Seminário em Cali, a Rede Educativa IberCultura Viva impulsionou dois espaços pedagógicos simultâneos, reunindo experiências de distintos países para pensar organização, pesquisa, território e políticas culturais a partir da prática comunitária.

A mesa “Alcançando horizontes: gestão cultural comunitária e desenvolvimento territorial”, mediada por Diego Benhabib, consultor de Redes e Formação do IberCultura Viva, reuniu Luana Vilutis, da Universidade Federal da Bahia (Brasil); Daniel Zas, da Escuela Popular de Música da Asociación Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora (Argentina); e Juan Esteban Ruiz, da Universidad Sergio Arboleda (Colômbia). O diálogo conectou pesquisa, educação popular e prática territorial em torno dos desafios contemporâneos da gestão cultural comunitária.



As intervenções delinearam uma leitura situada do presente. Ruiz iniciou trazendo um olhar crítico sobre os modelos de gestão cultural, propondo sua revisão em contextos marcados por desigualdades, com ênfase nos processos de aprendizagem coletiva e nas relações com o entorno.

Vilutis propôs refletir sobre como medir as contribuições das organizações em seus territórios, abrindo questões sobre metodologias, indicadores e sentidos de valor na articulação entre cultura, diversidade e economia solidária.

Zas, por sua vez, destacou o papel das organizações como sustentação em contextos de crise, evidenciando sua capacidade de gerar respostas solidárias e inovadoras diante da precarização. Por meio de uma dinâmica participativa, as pessoas congressistas foram construindo coletivamente o diagnóstico e os aportes fundamentais que as organizações de base oferecem no acompanhamento de suas comunidades.

Os debates também visibilizaram experiências como o Consórcio Universitário Cultura Viva no Brasil, que fortalece o vínculo entre produção de conhecimento, políticas públicas e práticas comunitárias.





Raízes que se entrelaçam e se nutrem
Em paralelo, o espaço “Raízes e estruturas: modelos organizativos e participação social”, mediado por Nanda Barreto, consultora de Comunicação do IberCultura Viva, reuniu Isaac Peñaherrera, do Movimento de Cultura Viva Comunitária do Equador; Nancy Coronel, do Instituto Argentino de Promoção da Cultura Viva Comunitária; e Hipólito Lucena, da Comissão Nacional de Pontos de Cultura do Brasil. A partir de trajetórias diversas, compartilharam experiências de organização territorial, incidência em políticas públicas e construção de redes que sustentam o direito à cultura nos territórios.

Peñaherrera apresentou a Rede de Cultura Viva Comunitária do Equador como um tecido social que impulsiona políticas públicas desde o território, incidindo em decisões estatais e orçamentos participativos para garantir o direito à beleza.

Coronel, por sua vez, além de trazer a história das culturas vivas comunitárias na Argentina, abordou o conflito como uma potência transformadora: uma oportunidade educativa para construir relações mais justas e fortalecer práticas não violentas.

Lucena apresentou a trajetória dos instrumentos de participação no Brasil, que deram origem à Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) e resultaram na consolidação de cerca de 15 mil Pontos de Cultura reconhecidos em todas as regiões do país.

Conhecimento compartilhado e conectado – Experiências diversas e profundamente conectadas evidenciaram a força da articulação coletiva como motor de transformação. A jornada consolidou a Rede Educativa IberCultura Viva como um ator estratégico na construção de vínculos, no fortalecimento de capacidades e na projeção de horizontes comuns a partir da diversidade dos territórios.




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📷 Jaír Cerón | Anghello GM | Cultura Viva Comunitaria Colombia