Alfabetização midiática e inteligência artificial, um inventário de marcos normativos sobre direitos culturais e o fortalecimento da rede de cidades na Argentina marcam o início do ciclo de projetos 2026 da Rede, que segue recebendo novas propostas até 20 de julho
A Rede IberCultura Viva de Cidades e Governos Locais, que hoje reúne 38 governos locais de oito países, já começou a tecer seu ciclo de projetos de 2026. As três iniciativas aprovadas pelo Conselho Intergovernamental do Programa nasceram dos próprios integrantes e compartilham um mesmo horizonte: fortalecer as políticas culturais de base comunitária por meio da cooperação, da troca de saberes e da construção coletiva de soluções para os territórios.
Os projetos foram pensados para gerar diálogos entre cidades, setores e redes, produzindo conhecimentos e metodologias capazes de inspirar outros contextos da Ibero-América. Para a secretária técnica do IberCultura Viva, Flor Minici, as propostas refletem a maturidade alcançada pela Rede. “São projetos de grande qualidade, construídos de forma coletiva e que geram contribuições que transcendem cada território”, destaca.
Cultura digital – O município argentino de Comodoro Rivadavia realizará uma nova edição do curso Cultura Viva, Alfabetização Midiática e Inteligência Artificial. Em sua edição anterior, a iniciativa alcançou 255 agentes culturais de 182 municípios de 19 países. Diante da alta demanda e dos resultados obtidos, o curso retorna com o propósito de fortalecer capacidades em alfabetização midiática e informacional, contribuindo para que gestores, agentes e organizações comunitárias possam compreender criticamente os desafios e as oportunidades trazidos pela inteligência artificial e pelas tecnologias digitais. A formação será virtual, com atividades síncronas e assíncronas, tutorias de acompanhamento e certificação da Municipalidade e do Programa.
Inventário de direitos culturais – Concepción (Chile), Guadalajara (México), Niterói (Brasil) e Quilmes (Argentina) desenvolverão conjuntamente o projeto Criação de inventário de marcos normativos locais com enfoque em direitos culturais na América Latina e no Caribe. A iniciativa prevê uma primeira etapa de identificação e catalogação de legislações e instrumentos normativos que reconhecem a cultura como direito, começando pelos territórios que já contam com cartas de direitos culturais. Em seguida, será criada uma plataforma para reunir e sistematizar essas informações, dando visibilidade a experiências já existentes e oferecendo uma ferramenta de apoio às cidades que desejam avançar em seus próprios marcos legais.
O projeto também inclui um encontro em Quilmes com os governos locais da Unidade Temática de Cultura da Mercociudades, em continuidade ao realizado em Niterói, além de dialogar com o Fórum Internacional de Direitos Culturais que será apresentado em Guadalajara. A proposta permanece aberta à participação de outros governos locais interessados em se somar ao processo.
Modelar o comum – O terceiro projeto, Modelar lo común, é impulsado pela Rede Argentina de Governos Locais e propõe um percurso em torno da cerâmica e das políticas públicas de base comunitária, valorizando a diversidade cultural e as territorialidades presentes nos municípios do país. A programação inclui dois encontros presenciais, de abertura e encerramento, além de um ciclo de reuniões virtuais em que governos locais da Rede compartilharão experiências, metodologias e aprendizados. O projeto se desenvolve em articulação com a Rede Educativa IberCultura Viva e dará lugar à produção de materiais de sistematização e de reflexão sobre o percurso realizado.
Novas propostas até 20 de julho
Os três projetos inauguram, mas não encerram, o ciclo de iniciativas da Rede em 2026. Outros governos locais integrantes ainda podem apresentar propostas até 20 de julho, informa o consultor de Redes e Formação do Programa, Diego Benhabib. “Dessa forma, a partir da Unidade Técnica, poderemos acompanhá-los para que estejam em condições de ser apresentados na próxima reunião da Rede, que será realizada em agosto.”
Mais do que apoiar ações pontuais, os projetos da Rede de Cidades e Governos Locais fortalecem aquilo que está no coração do IberCultura Viva: a cooperação entre territórios, a construção compartilhada de conhecimento e a convicção de que as políticas culturais de base comunitária ganham potência quando pensadas e realizadas em rede. As cidades seguem demonstrando que, quando caminham juntas, seus horizontes também se ampliam.