De Aracruz al espacio iberoamericano: cooperación, derechos culturales y estrategias comunitarias construidas desde los territorios en la 6ª Teia Nacional
A Cultura Viva avança para além das fronteiras. De 19 a 24 de maio, Aracruz, no Espírito Santo, sediou a 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura pela Justiça Climática, principal encontro de incidência política e celebração da cultura comunitária brasileira. O evento reuniu pontos e pontões de cultura, gestores públicos, pesquisadores e movimentos sociais para refletir sobre estratégias, disputar agendas e fortalecer redes. Em meio a uma programação extensa e diversa, o IberCultura Viva marcou presença com uma agenda própria e articulada, conectando a experiência ibero-americana de cooperação cultural aos debates que floresciam em cada roda de conversa, mesa de diálogo e corredor da Teia.
No dia 19, o Conselho Intergovernamental do Programa realizou sua 16ª Reunião Ordinária, reunindo representantes dos países membros para fazer um balanço das ações em curso e construir perspectivas para o futuro. A presidenta Márcia Rollemberg sintetizou o espírito que atravessaria toda a semana: “A interação com a sociedade civil é condição para a legitimidade e a eficácia das políticas culturais.” Mais do que um protocolo institucional, a reunião foi um exercício de governança compartilhada, com a definição dos próximos passos da estratégia de integração regional.
Na mesma ocasião, o Conselho debateu a atualização da Carta Cultural Ibero-Americana, em processo de renovação após duas décadas, e discutiu a constituição do Grupo de Trabalho responsável pela elaboração do Plano Estratégico Trienal. Para a secretária técnica Flor Minici, a Teia ofereceu ao Programa uma oportunidade rara de escuta e reposicionamento: “Estar na Teia nos permite calibrar o que estamos construindo com aquilo que os territórios estão vivendo. É nesses ambientes que surgem as perguntas que orientam o nosso trabalho no Programa.”


Educação, pesquisa e território
O encontro Cultura Viva Educativa – Ensino, Pesquisa e Extensão na Cultura de Base Comunitária, realizado no dia 20, reuniu universidades, organizações comunitárias e representantes da gestão pública em três mesas de intenso debate, sem hierarquias entre os saberes. Diego Benhabib, consultor de Redes e Formação do IberCultura Viva, destacou a aposta central do Programa nesse campo: “Há mais de dez anos, o IberCultura Viva impulsiona caminhos de criação, registro e intercâmbio de saberes em políticas culturais de base comunitária.” Pós-graduações, publicações, bancos de saberes e redes educativas compõem essa trajetória, conectando territórios de toda a Ibero-América em dinâmicas permanentes de troca e aprendizagem.

Uma escola que nasce da colaboração
O dia 21 ganhou densidade com a realização do Seminário Internacional Cultura Viva Comunitária: Uma Escola Latino-Americana de Políticas Culturais, em sua segunda edição. Promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa, em parceria com a argentina Redes de Gestión Cultural e com apoio do IberCultura Viva, o encontro reuniu representantes do Brasil, Argentina, Colômbia e Espanha para refletir sobre gestão cultural crítica e cooperação regional. Márcia Rollemberg expressou uma das convicções mais compartilhadas entre os participantes: “Este movimento ultrapassa governos; é um movimento da sociedade. E a sociedade tem a capacidade de se organizar, de mostrar como realiza a transmissão de seus saberes e de integrar a academia e as escolas populares.”

Infâncias e audiovisual comunitário
A sexta-feira, dia 22, foi dedicada às infâncias. O Grupo de Trabalho Cultura Infância reuniu, em roda, organizações convidadas pelo IberCultura Viva de diferentes países para compartilhar experiências, trocar saberes e pensar propostas para a construção de uma rede ibero-americana de cultura e infância. O encontro integra um processo coletivo que busca formular estratégias para ampliar a presença das infâncias nas políticas culturais comunitárias da região.

A aposta é clara: meninas, meninos e adolescentes não são apenas destinatários de políticas públicas, mas agentes culturais capazes de criar, se expressar e transformar seus territórios. Com mais três encontros virtuais previstos até dezembro, o grupo apresentará suas propostas ao Conselho Intergovernamental ao final do ano, contribuindo para a construção do próximo Plano Estratégico Trienal do IberCultura Viva e para a definição das ações do Programa nos próximos ciclos.
No sábado, dia 23, a mostra Tesouros Vivos, Memória e Territórios exibiu curtas-metragens selecionados entre 75 inscrições de diferentes países da América Latina, celebrando cinco obras premiadas com US$ 3 mil cada. Das cosmologias indígenas às práticas tradicionais de cuidado, os filmes demonstraram que o audiovisual comunitário também é arquivo vivo e transmissão intergeracional de mundos que se recusam a desaparecer.
A Teia chegou ao fim, mas a rede segue sendo tecida por muitas mãos. O IberCultura Viva deixou Aracruz com agendas definidas, redes fortalecidas e a certeza de que as políticas culturais só conquistam legitimidade quando constroem seus alicerces nos territórios e nas comunidades. Em um tempo marcado por emergências climáticas, democráticas e sociais, a Cultura Viva Comunitária continua sendo uma das respostas mais concretas que os povos ibero-americanos têm sido capazes de construir coletivamente.