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Projeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimentoProjeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimentoProjeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimentoProjeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimentoProjeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimentoProjeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimento

Por IberCultura

Em24, Nov 2015 | Em | PorIberCultura

Projeto Árbol: comunicação participativa para fortalecer a identidade e o pertencimento

Era para ser uma tarefa simples: o entrevistador deveria ir a um bairro, parar um morador e pedir que ele respondesse a uma pergunta qualquer diante da câmera. E não é que foi difícil? “Eles diziam que não tinham nada de importante para dizer, que os que falavam na televisão eram outros. Isso foi fortíssimo, nos deixou muito impactados”, conta Juan Russi num dos programas Hacé y Mostrá, da TV Ciudad, a tevê a cabo da Prefeitura de Montevidéu (Uruguai).

Juan Russi fala no plural porque inclui na conversa duas colegas de TV Ciudad, Andrea Ostuni e Florencia Villaverde, com quem acabou criando um projeto de televisão comunitária para mudar aquela realidade: o Projeto Árbol. Desenvolvido desde 2003 em várias localidades do Uruguai, o projeto surgiu para dar aos moradores o papel de protagonistas, para fazer deles as vozes de seus bairros e mostrar que eles tinham sim muito o que dizer.

Juan, Andrea e Florencia decidiram criar o projeto depois de participar de um curso de vídeos comunitários proposto por um grupo de salvadorenhos, em 2002. Enviados pela TV Ciudad, onde trabalhavam, não faziam nem ideia do que iam encontrar e acabaram muito impactados com a experiência. E passaram então a encarar o audiovisual de outra maneira, a partir de uma perspectiva comunitária.

Primeiros vídeos

Na etapa piloto, iniciada com a colaboração do canal Ciudad, quatro organizações foram convidadas a produzir seus próprios audiovisuais (ainda se trabalhava com VHS) e contar histórias sobre a região em vídeos de 10 minutos. Mais que o resultado, o que importava era o processo, a mobilização, a integração da comunidade em torno da produção do vídeo. A recepção foi tão boa que em pouco tempo havia um monte de gente mobilizada em torno da iniciativa.

No primeiro ano eles trabalharam com organizações comunitárias, que produziram programas sobre os bairros montevideanos de Colón, Malvín, Cerro e La Teja. Em 2004 o edital foi ampliado a todos que quisessem participar. Cerca de 40 grupos manifestaram interesse e 10 deles se somaram aos que estavam trabalhando desde o ano anterior. E assim o projeto foi crescendo e chegando a outros pontos do pais, envolvendo um público  heterogêneo, desde meninos de escola até maiores de 70 anos.

Em 2009, além de começar a trabalhar em outras cidades uruguaias, não apenas em Montevidéu, eles fundaram a Organização Árbol, “um meio de diálogo e de encontro entre realidades diversas, um espaço aberto para a construção de subjetividades, a recuperação da memória e da cotidianidade, para a criação de estéticas e narrativas próprias”.

Entre 2009 e 2013, uns 100 grupos de diversas comunidades de Montevidéu e do interior do país realizaram audiovisuais comunitários e participaram de processos de formação em comunicação comunitária e todas as etapas da realização audiovisual, de forma aberta e gratuita.

O processo

A metodologia de trabalho do Árbol implica apoiar os grupos para que realizem seus vídeos. A proposta é para que cada curso enfoque um dos passos necessários para a realização de um audiovisual comunitário. Visualiza-se o tema a tratar,  a história, passando daí ao roteiro, depois aos elementos da linguagem audiovisual, narrativos e técnicos, até chegar às etapas de edição e difusão.

Uma vez realizado o vídeo, ele é exibido na televisão ou na internet. O processo, no entanto, não termina aí. É preciso voltar à comunidade onde se trabalhou e programar uma projeção no local, aberta a todos. Em uma praça, por exemplo, com todos juntos, sentados diante da tela. E é assim, com o autorreconhecimento, que começa de fato o diálogo entre os vizinhos. Ou seja, quando tudo termina é quando na realidade começa.

Além disso, participam dos cursos dois representantes de cada comunidade, que logo replicam o aprendido e experimentado nas aulas em suas próprias comunidades, para assim ir produzindo seus vídeos. Finalizada a etapa dos cursos, a equipe do Projeto Árbol continua em contato com os grupos participantes do processo, para assim poder acompanhá-los de forma mais personalizada e adaptada aos tempos e processos de cada grupo.

Sem recursos

Após a experiência de 2013, a equipe do Projeto Árbol não voltou a realizar cursos nas comunidades, porque isso requer recursos, e em 2014 eles não puderam contar com os antigos apoiadores da iniciativa. Seguem, no entanto, buscando novas formas de financiamento para poder dar continuidade e tocando a organização de forma voluntária, sustentando as áreas de formação, gestão, produção, os espaços de comunicação e o Coletivo, que é o órgão diretor da Organização Árbol.

A partir da área de formação, a equipe continua o diálogo com os diversos grupos, comunidades e pessoas que se aproximam por diferentes inquietações. Ainda que não realizem os cursos, eles continuam apoiando a realização de vídeos comunitários de outras maneiras, seja emprestando equipamento, juntando-se com grupos realizadores para poder trocar experiências, esclarecer dúvidas técnicas, etc, além de participar de outros projetos.

Hacé y mostrá

Este ano, em 2 de outubro, estreou a quarta temporada do programa Hacé y mostrá – Televisión comunitaria, que apresenta os vídeos criados durante o Projeto Árbol e outros conteúdos produzidos na região.

Nesta temporada de 2015 incluem-se os vídeos do Projeto Árbol 2013, que contou com dois ramos, quer dizer, dois processos de formação e apoio aos grupos para que produzissem seus vídeos. Eram dois ramos territoriais que reuniam diversas comunidades de dois bairros montevideanos: Goes (participaram murgas, bandas, coletivos locais como Radio Vilardevoz, etc) e Casavalle (Clubes de crianças, de adolescentes, policlínicas comunitárias, entre outros).

Serão exibidos, ao todo, 15 vídeos realizados em 2013 por grupos dos bairros Goes e Casavalle, assim como curtos documentários produzidos por Árbol sobre os processos de alguns destes coletivos. Também serão apresentados outros vídeos comunitários feitos de forma independente no Uruguai.

Os programas mostram bem o que representa para os vizinhos ver a própria comunidade em um video realizado pelos jovens do bairro. “Um orgulho”, afirma uma senhora após a projeção final na praça do bairro. “Uma experiência inesquecível, excepcional”, diz um jovem “diretor” sobre a participação da comunidade na produção. E assim, compartilhando e pensando juntos como contar suas próprias histórias, os vizinhos acabam chegando ao que realmente importa: o fortalecimento da sua identidade e do sentido de pertencimento.

Saiba mais:

http://www.arbol.org.uy

https://www.facebook.com/Proy.Arbol