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10

Sep
2019

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II Encontro Nacional de Organizações Culturais Comunitárias do Chile: três dias de intercâmbios e reflexões

Em10, Sep 2019 | EmNotícias |

Em El Molle, comuna de Vicuña (Região de Coquimbo), reuniram-se de 6 a 8 de setembro 110 representantes de Organizações Culturais Comunitárias (OCC) provenientes de todas as províncias do Chile. O II Encontro Nacional foi organizado pelo Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio, através do programa Red Cultura, cujos funcionários/as encarregados em todo o país também foram convocados.

Este segundo encontro nacional foi um espaço de intercâmbio e reflexão em torno do aporte que as organizações culturais comunitárias vêm realizando em prol do desenvolvimento cultural do país. Durante as extensas jornadas de trabalho setorial, os representantes puderam trocar estratégias de incidência em nível local e regional a partir de suas experiências em cultura comunitária. Junto com isso, discutiram fórmulas de financiamento e autogestão para avançar em seus objetivos. Também houve espaço para dialogar acerca de como o fazer cultural das OCCs se vincula com a política cultural vigente, especialmente no que diz respeito aos conteúdos materializados através do programa Red Cultura.

Francisco Varas, seremi da Região de Coquimbo

O seremi (secretário regional ministerial) de Culturas, Artes e Patrimônio da Região de Coquimbo, Francisco Varas, destacou durante o encontro que as conversas desenvolvidas, relacionadas aos processos culturais nos territórios, serão insumos importantes para as autoridades do ministério, como orientação para “como ir implantando nos territórios e como apoiar para que cada uma das comunas, tanto do país e em especial da Região de Coquimbo, vá se desenvolvendo harmonicamente”.

Varas também ressaltou que “a nova institucionalidade cultural, o ministério, é a melhor oportunidade para seguir construindo uma melhor identidade. São vocês os que constroem a identidade cultural de cada um dos territórios que representam, e é dever do Estado, do governo e dos que estão encabeçando os serviços públicos, poder criar as ferramentas para que possam desenvolver aquilo que necessitam…. Esta nova institucionalidade segue se construindo e fomentando. De uma maneira ou outra, através deste encontro, cada um de vocês aporta um grãozinho de areia”.

 

Conquistas, expectativas e conclusões

Uma conquista importante alcançada durante o encontro foi a formação de uma mesa nacional autônoma de Organizações Culturais Comunitárias, a que se somaram 14 das 16 representações. Essa nova referência de cultura de base comunitária pretende ser uma contraparte frente ao Estado para representar as demandas do setor.

Uma das participantes do encontro foi Manuela Cepeda, representante do Centro Cultural El Cahuín de Molina e da Mesa OCC do Maule, rede que há cerca de quatro anos vem trabalhando de maneira colaborativa, mediante processos de articulação, tratando de incidir em nível local, provincial e regional. “Participamos da elaboração, da implementação e da execução dos planos municipais, do Pladeco. Também trabalhamos com Red Cultura, participando do orçamento do ano… Fazemos três encontros regionais por ano, para nos reconhecermos e mantermos nossos vínculos. Trabalhamos na base da confiança, de maneira horizontal”.

Manuela Cepeda assistiu ao encontro para compartilhar sua experiência em nível nacional, para reconhecer-se e enriquecer-se com seus pares. “Creio que este encontro nacional é uma instância necessária de articulação, porque podemos nos reconhecer e encontrar para discutir coisas que são válidas e são problemáticas, e que correspondem a todos. A cultura comunitária é a base do desenvolvimento dos povos e onde encontramos temáticas que nos unem e afetam a todos. Temos que fazer parte delas e assumir nossos papéis também para defender nosso território e trabalhar neles e a partir deles”.

Mesa nacional autônoma de Organizações Culturais Comunitárias

 

A encarregada nacional do programa Red Cultura, María José Muñoz, comentou que as expectativas que se tinham com este encontro eram altas. “Acredito que se cumpriram, sobretudo a de reunir a maior quantidade de representantes das regiões que têm voz própria, um relato que tem a ver com o trabalho de participação cultural nos territórios, que nos parece importante dialogar, reflexionar e trabalhar em conjunto”.

A respeito das conclusões, María José disse que “efetivamente estamos fazendo um trabalho importante na incidência das organizações como agentes locais no planejamento cultural, e no acompanhamento deste planejamento, que como ministério estamos instalando nos territórios, numa elaboração conjunta. A ideia de democracia cultural está sendo levada a cabo de uma maneira ou outra, em alguns territórios com mais força que em outros, e este diagnóstico também nos permite, através deste encontro que acabamos de ter, reconhecer onde estão as fraquezas e as forças para seguir planejando desde o programa o trabalho com as organizações, e seguir em conjunto esta meta comum que temos, que é o desenvolvimento cultural territorial”.

Como representante do IberCultura Viva, quem participou do encontro foi Tania Quevedo Valencia, servidora do Ministério de Cultura e Patrimônio do Equador, que destacou a importância que teve para seu país o ingresso no programa. “Começamos a participar não só das convocatórias, mas também dos processos de construção de política cultural. Criou-se um intercâmbio técnico, o que nos permitiu construir conceitos de maneira coletiva com as pessoas”. Ela também ressaltou a importância de realizar encontros entre países, regiões e organizações. “Estamos muito contentes que este encontro esteja alcançando resultados maiores do que esperávamos… O contato cara a cara, afetivo, que abraça, discute, debate e constrói, é fundamental para o exercício cidadão”.

 

Um trabalho coletivo voluntário e solidário

No Chile, são chamadas de Organizações Culturais Comunitárias aquelas que realizam ações de caráter coletivo, com sentido artístico e cultural, associadas ao desenvolvimento do território que habitam, articulam e movimentam. Trata-se de um trabalho coletivo voluntário e solidário, preferencialmente com atividades gratuitas em que prevalecem conteúdos associados a diversas práticas artísticas e culturais. As OCCs promovem o desenvolvimento local a partir de estruturas de governança e, com isso, influenciam no investimento público em cultura.

O Departamento de Cidadania Cultural fortalece a participação cultural tanto das pessoas como das organizações formadas por elas, através de distintos dispositivos e programas, como Red Cultura, que fomentam o desenvolvimento cultural local a partir de linhas de trabalho como “Fortalecimento de Organizações Culturais Comunitárias” (convocatórias públicas), os Encontros de Formação Cultural Comunitária e a formação de Mesas Regionais de OCC em todo o país.

 

 

  • Texto publicado originalmente na página web do Ministerio de las Culturas, las Artes y el Patrimonio:  http://bit.ly/2m9KLcF 

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