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Cuba

21

Mar
2019

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Rodando Fantasias: potenciando a criatividade audiovisual de crianças e jovens de Cuba

Em21, Mar 2019 | EmNotícias | PorIberCultura

Na cidade de Santa Clara (Villa Clara, Cuba) há um projeto comunitário que desde setembro de 2014 ensina crianças e adolescentes a realizar seus próprios filmes utilizando as novas tecnologías. “Rodando fantasias” é o nome desta iniciativa que conta com aulas de roteiro cinematográfico, fotografia, linguagem de câmera, produção audiovisual, edição, voz e dicção e atuação, dirigidas não apenas a garotos de 5 a 16 anos, mas também a seus pais e/ou tutores.

O Festival Rodando Fantasías, que este ano terá sua quinta edição de 21 a 24 de maio, é o momento culminante deste processo educativo. É o espaço onde se mostra o aprendido nas oficinas de “Cámara Chica” e se socializa com outros centros comunitários de Cuba e com realizadores profissionais que trabalham a temática infantil.

Rodando Fantasias é também o único festival infantil na América Latina e Caribe que inclui a criação audiovisual com dispositivos móveis e onde os pais compartilham saberes com as crianças fazendo o making of do trabalho realizado pelos filhos e filhas.

Ya comenzamos a Rodar Fantasías. Proyectos Cámara Chica de Cuba repitan conmigo bien alto. LUCES,CÁMARAS A RODAR FANTASÍAS. COMPARTAN Y DENME SUS CRITERIOS.

Publicado por César Ramón Irigoyen Milián em Segunda-feira, 8 de abril de 2019

O projeto tem como coordenadores o ator, diretor e roteirista César Ramón Irigoyen Milián e a pianista e cantora Gisell Perera González. Eles se somaram ao empenho do Conselho Nacional de Casas de Cultura, da Asociación Hermanos Saíz, do British Council (*) e do First Light (**) para começar a criar um receptor ativo desde cedo que possa dar um uso artístico-criativo às novas tecnologias, assim como sensibilizar pais e/ou tutores na educação audiovisual de pequenos e adolescentes.

A iniciativa se articula no âmbito da rede Cámara Chica de Cuba, que envolve cerca de 400 crianças e jovens (isso nas matrículas oficiais; das oficinas participam muitos mais). Os projetos Cámara Chica são realizados em centros comunitários de Cuba pelo British Council em parceria com a organização britânica de jovens cineastas First Light (agora chamada Into Film), e com a Faculdade das Artes dos Meios de Comunicação Audiovisual (FAMCA).

O projeto conta, ainda, com um programa de televisão no canal Telecubanacán, com o nome “Rodando Fantasías”, escrito e dirigido por César Ramón Irigoyen. “É um espaço para difundir a obra dos demais projetos Cámara Chica do país, desde a cidade de Santa Clara. Já saiu uma série de 16 programas e se estuda a possibilidade de que saia pelo canal nacional Cuba Visión e possa ser visto por toda a ilha”, comenta o coordenador.

 

Edição 2019

Este ano, o Festival Rodando Fantasias contará com oficinas práticas e mostras fílmicas. Pela primeira vez, serão realizadas gravações com celulares em externas e a comunidade poderá participar do processo. E assim como nos anos anteriores, serão concedidos prêmios nas categorias de animação, ficção, documentário e informativo.

“Sempre se entrega o prêmio Rodando Fantasias a um projeto Cámara Chica que tenha se destacado durante o ano no processo de criação; este ano ele vai o Projeto Arenas de Cárdenas Matanzas”, destaca Irigoyen. “Também se entrega o Prêmio Chicuelo a um menino ou menina menor de 12 anos do Projeto Rodando Fantasias, por sua destacada participação na criação audiovisual durante o período de um ano. Nesta ocasião, será dado a um menino de 7 anos, Yordan Yoel Castellanos Díaz.”

Além disso, a programação do festival será dedicada aos 35 anos de Telecubanacán, aos cinco anos do festival La Espiral e ao 15º aniversário da criação da Brigada de Instructores de Arte José Martí.  

Segundo o coordenador, para a quinta edição do Festival Rodando Fantasías estão convocados 60 meninos e meninas de nove províncias de Cuba, incluindo Villa Clara, a sede do evento. “Na hora das projeções, devemos alcançar mais de 300 meninos e meninas de diferentes escolas da comunidade no centro da cidade de Santa Clara”, estima. O júri será composto por crianças que antes do evento, no mês do abril, veem as obras e eles mesmos são os encarregados de conceder os prêmios.

 

Três perguntas// César Ramón Irigoyen Milián

 

Por que decidiram criar o Festival Rodando Fantasias?

Depois que as crianças, os adolescentes e seus pais terminavam de receber todas as matérias (o programa de aulas do projeto comunitário de realização audiovisual), eles sentiam a necessidade de mostrar seus materiais, para além da oficina, para a comunidade.

Em  2014, quando surgiu o projeto Rodando Fantasias, a Rede Cámara Chica ainda não estava organizada. Já existia o projeto Cámara Chica, mas não funcionava como rede. Então nos ocorreu realizar um festival que servisse de plataforma para que os oficineiros mostrassem seus resultados, seus trabalhos de cursos e teses. Assim criamos o Festival Regional Rodando Fantasias, com o apoio do Sectorial Provincial de Cultura em Santa Clara e a Asociación Hermanos Saíz, da qual sou membro na seção de audiovisuais e seu vice-presidente na província de Villa Clara.

Em 2018, o British Council começou a realizar ações com os projetos Cámara Chica de Cuba e criaram mais cinco. Antes (2013-2017) eles existiam em Pinar del Río, La Habana, Villa Clara, Ciego de Ávila, Granma e Guantánamo. Depois se somaram (em 2018) outros dois projetos mais em Pinar del Río, Artemisa, Matanzas e Holguín.

 

O festival nacional foi uma maneira de aglutinar as experiências de Cámara Chica desenvolvidas nas distintas províncias de Cuba? Tem tido bons resultados?

Pelo resultado mostrado em Pinar del Río, que criou uma rede e aglutinou outros municípios na realização audiovisual, se decidiu fazer o primeiro festival Cámara Chica, en fevereiro de 2018, nessa província, auspiciado pelo British Council e o Sistema de Casas de Cultura em Cuba.

Em abril de 2018, a equipe do British Council se comunicou comigo e comentou a possibilidade de apoiar meu evento, na quarta edição do Festival Rodando Fantasías. Estes festivais, tanto o de Pinar del Río como o Rodando Fantasias, é uma maneira de estender a realização audiovisual infantil a toda a ilha de Cuba. Ambas as ações (Festival Pinar del Río, 2018 e 2019, e Rodando Fantasías, de 2015 a 2018) vêm tendo uma aceitação muito boa.

 

É um projeto que trabalha só com celulares e meios alternativos. Sempre foi pensado assim, como uma proposta que pudesse ser mais includente?

Sempre foi pensado assim. No último censo populacional realizado em Cuba antes de 2014, nos demos conta de que em quase todos os lares cubanos existia ao menos um celular como via de comunicação. Em Cuba as crianças passam muito tempo brincando nos celulares e isso acaba isolando, não deixa que socializem, é uma realidade que nos atinge fortemente. Não podemos proibir a tecnologia aos garotos, pois ela é necessária.

Nem todos temos a necessidade de ter uma grande câmara de vídeo ou fotos, ou uma câmera de cinema, e sim um celular. Decidimos projetar este programa para que as crianças utilizassem a tecnologia com um fim artístico-educativo e começassem, junto a seus pais, a alfabetizar-se tecnologicamente, além de apoiar o processo de informatização que o Estado cubano leva a cabo. E é claro que, ao trabalhar com celulares, ele se converte em um projeto inclusivo, por isso se aceitam celulares, Ipad, tablet, tudo o que tenha uma pequena tela e possa gravar e possa gravar.

Spot del Festi Rodando Fantasías. Trabajo a 3 manos, El Muke, José Raúl y un servidor. Espero que les guste y lo compartan. En mayo Santa Clara se convierte en la capital del audiovisual infantil en Cuba.

Publicado por César Ramón Irigoyen Milián em Terça-feira, 2 de abril de 2019

 

(*) British Council é uma organização britânica para as relações culturais e educativas que tem escritórios em Cuba desde 1998, permitindo estabelecer relações de cooperação com ministérios e instituições cubanas, governamentais ou não.


(**) First Light é uma organização com sede no Reino Unido que recebe fundos públicos para desenvolver habilidades em crianças e jovens entre 5 e 25 anos de idade por meio do cinema e da produção dos meios audiovisuais.

 

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28

Nov
2018

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Cuba ingressa no programa como país convidado

Em28, Nov 2018 | EmNotícias | PorIberCultura

O convite para que o governo cubano participe do programa IberCultura Viva durante o ano de 2019 foi um dos acordos firmados na 10ª Reunião do Conselho Intergovernamental, realizada nos dias 19 e 20 de novembro em Santiago e Valparaíso, no Chile. Conforme acordado, Cuba participará das atividades previstas no Plano Operativo Anual (POA) 2019 como país convidado, para que avalie se ingressará oficialmente no programa.

A 10ª Reunião do CI contou com a presença de Anays Córdova Otero, diretora de Relações Internacionais do Conselho Nacional de Casas de la Cultura (CNCC), que representará o Ministério de Cultura de Cuba nas ações do programa. As Casas de Cultura foram criadas em 1978 sob a máxima de trabalhar “com a comunidade, para a comunidade e a partir da comunidade”. Atualmente, a rede conta com 343 centros no país.

 

Visita a Cuba

Esta semana, Diego Benhabib, coordenador do Programa Pontos de Cultura da Argentina e representante da presidência de IberCultura Viva, está em Cuba. Convidado a participar das atividades realizadas durante os festejos pelos 40 anos de criação do sistema de Casas de Cultura no país, ele apresentou o programa IberCultura Viva em reuniões e visitou projetos comunitários em Havana. A programação seguirá em Pinar del Río e Matanzas.

A reunião de Benhabib com gestores no Conselho Nacional de Casas de Cultura

Para Diego Benhabib, esta visita é de vital importância para acompanhar e conhecer de perto o valioso trabalho de Cuba no desenvolvimento das políticas culturais de base comunitária, e também para reafirmar o interesse em seu ingresso no programa, em consonância com o trabalho que Enrique Vargas vem realizando na coordenação do Espaço Cultural Ibero-americano, na Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB).

“A missão de IberCultura Viva é reconhecer o valor dos processos de construção da cidadania e da diversidade cultural manifestados na participação social organizada, para a melhora das condições de vida e da convivência das comunidades. Ao fomentar seu desenvolvimento a partir do trabalho intersetorial, busca também contribuir para a consolidação do Espaço Cultural Ibero-americano e a integração regional”, ressalta Benhabib. “Esperamos que nossa visita contribua para seguir fortalecendo os laços da cooperação ibero-americana.”

Programação

A agenda em Havana começou na segunda-feira (26/11) com um encontro no CNCC com especialistas e diretores do sistema de Casas de Cultura, e um percurso pelo projetos comunitários Clave de Sol (projeto musical com crianças e jovens) e Cuenta Conmigo (projeto com pessoas com deficiência).

 

Na terça-feira (27/11), Diego Benhabib se reuniu com Rosa Teresa Rodríguez Lauzurique, diretora de Relações Internacionais do Ministério de Cultura de Cuba; Frank Téllez, especialista de organismos multilaterais, e Diango González Guerra, presidente do Conselho Nacional de Casas de Cultura. Nesta reunião foram repassados os acordos da 10ª Reunião do CI no Chile, e manifestados os aportes que Cuba pode oferecer ao programa em termos técnicos e de formação com sua experiência de mais de 40 anos em políticas culturais de base comunitária, como o Sistema Nacional de Casas de Cultura.  

Para a tarde de terça-feira foram  programados uma visita ao projeto comunitário Muraleando, um encontro na sede da Rede Cámara Chica, de trabalho audiovisual de crianças, e um encontro na Casa de Cultura “Justo Vega”, de Arroyo Naranjo, com projetos Cascabelitos e aficcionados das oficinas de manifestações artísticas.

 

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