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Centro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundoCentro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundoCentro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundoCentro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundoCentro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundoCentro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundo

Por IberCultura

Em31, Oct 2017 | Em | PorIberCultura

Centro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora: janela para um novo mundo

  Fotos: Hugo Provoste

No morro de Achupallas — onde vivem 40 mil pessoas, a segunda maior população da cidade de Viña del Mar (Chile) — , as quadras de esportes estão todas fechadas. Não há praças, não há consultórios, não há guardas, não há bombeiros. Até três anos, também não havia água potável neste setor nascido no fim dos anos 60. No ponto mais alto do morro, entretanto, há uma casa multicolorida que desde 2004 serve de entrada para um mundo diferente do que se vê do lado de fora: o Centro Cultural e Coletivo Teatral La Mandrágora.

Neste espaço autogerido, há um teatro para 120 pessoas, uma biblioteca comunitária com 3 mil exemplares, uma horta dentro de um micro-ônibus, um quintal cheios de crianças, jovens e adultos, um sorriso a cada canto. Entre as atividades ali desenvolvidas de forma voluntária e gratuita estão oficinas de teatro, máscaras, trapézio, malabares, acrobacia, reciclagem e acroyoga. As aulas são dadas de quarta-feira a domingo, com 15 a 25 participantes por oficina.

 

Além disso, La Mandrágora promove anualmente o Encontro Internacional de Teatro “Achupallas un Cerro de Cultura” (ETACC). Este ano em sua 13ª edição (de 26 de outubro a 5 de novembro), o encontro conta com a participação de companhias de teatro nacionais e internacionais que mostram suas obras, ministram oficinas e rodas de conversa de maneira gratuita aos moradores. Não somente no centro cultural, mas también nas ruas, praças e colégios das redondezas, nos setores de Santa Julia, Achupallas, Miraflores e Villa Independencia, entre outros lugares da comuna.

 

Carnaval ETACC 2017 (Foto: Esteban Kroff Cabrera)

O começo

La Mandrágora começou em 2001 como um grupo de teatro. Uma companhia formada por estudantes da Universidade Católica de Valparaíso que obtiveram personalidade jurídica, ganharam recursos do Proyecto Fondart, compraram um micro-ônibus e saíram a viajar pelo Chile, desde Coquimbo (norte) até a Região de La Araucanía, levando arte a lugares distantes, diferentes dos circuitos comuns das grandes companhias de teatro.

“Percorremos 40 comunas fazendo teatro. Não íamos ao centro das cidades, e sim às  comunas mais vulneráveis”, lembra o ator Cristian Mayorga Hevia, um dos fundadores de La Mandrágora, que acabou abandonando a carreira de engenheiro no último ano para dedicar-se somente al teatro.

En 2004, quando o coletivo decidiu se instalar em Achupallas, a ideia também era estar em um lugar distante do centro, entregando e construindo arte, buscando romper o ciclo de pobreza. E eles o fizeram com as próprias mãos, construindo pouco a pouco a casa onde vivem e trabalham, principalmente a partir da reciclagem. “Amamos o lixo. Graças a isso pudemos construir nosso espaço”, afirma Cristian. “Aqui não havia nada. E tudo que está aqui fizemos com autogestão.”

Cristian: “Amamos o lixo. Graças a isso pudemos construir nosso espaço”

 

Em etapas

Eles começaram pelos espaços mais básicos: o banheiro e a cozinha. (Sim, se dormia aí mesmo, a cama ficava na cozinha). Depois montaram a biblioteca. Fizeram uma pequena sala de teatro, ampliaram, elevando-a para incluir um trapézio, mas o vento ali é muito forte e, em 2009, o teto voou por completo. No ano seguinte, levantaram o teto de novo e ele voltou a voar. Daí a solução foi baixar o teto e levar o trapézio para o pátio, onde se mantém desde então.

O ônibus que compraram com parte dos recursos recebidos do Proyecto Fondart já estava velho e, como não tinham como mantê-lo, transformaram-no em uma sala de computação. Depois que a maioria dos vizinhos passou a ter internet nos celulares, e os computadores que receberam como doações ficaram obsoletos, o veículo passou a abrigar materiais recicláveis (vidros, plásticos, etc) e as mais variadas plantas. Há três anos está coberta de verde, inclusive com sementes de árvores como abacateiros, que eles atualmente plantam no morro, em um projeto de recuperação de espaços públicos.

 

 

Uma referência

Os jovens integrantes do coletivo teatral foram os primeiros universitários que chegaram a Achupallas com a intenção de se instalar.  “As pessoas diziam: ‘eles são universitários, eles sabem tudo’”, brinca Cristian. Segundo ele, os vizinhos apareciam sempre que precisavam de algo. O filho ficou doente? Tinha que fazer uma tarefa? Queria construir uma casa? Tudo era motivo para ir à casa dos universitários. “La Mandrágora se transformou em uma espécie de referência”, afirma. “Se transformou na praça, na quadra, no centro de mães…”

Para Francisco Rojo, o “Pancho”, diretor de La Mandrágora, a boa relação com os vizinhos vem também do fato de os integrantes do coletivo morarem na comunidade (não estão fazendo uma  “intervenção”, e sim vivendo lá). “Temos um horário de funcionamento, mas é meio de fachada, porque as pessoas chegam de noite, um quer ajuda com o dever de casa, outro necessita alguém com quem conversar… Somos atores, psicólogos, pedagogos (risos)… Somos como uma família, e como esta é nossa casa, de certa maneira os problemas deles também são nossos.”

 

Pancho mesmo chegou a La Mandrágora como aluno e acabou ficando. Tinha 17 anos e vinha de Valparaíso para participar de uma oficina de máscaras, justamente quando o grupo organizava no morro seu segundo Encontro de Teatro. “Estava fazendo teatro no colégio, também interessado no movimento social, e este espaço me pareceu perfeito. Aí fui me envolvendo, comecei a vir um dia, dois, três, quatro, até que vim para morar”, conta. Hoje, aos 28 anos, é um dos professores, um dos sete que ocupam a parte residencial do centro cultural, além de representante legal da organização. “Tudo o que sei de teatro, circo, trapézio, gestão, aprendi neste espaço.”

Pancho: “Tudo o que sei de teatro, circo, trapézio, gestão, aprendi neste espaço”

Sem preconceito

Pancho se refere a Mandrágora como uma “escola”, “uma escola livre” onde todos são parte do processo de criação do que se quer fazer. Cristian, por sua vez, chama a atenção para o “espaço de liberdade” em que se transformou a organização: “Aqui não se discrimina ninguém por nada”. Pessoas com esquizofrenia, com obesidade mórbida, ou mesmo jovens homossexuais que se sentem discriminados em outros lugares, encontram em La Mandrágora um espaço de respeito, de proteção.

“Para minha familia, La Mandrágora foi uma janela”, compara Amanda Guajardo, moradora que vive na rua um pouco mais acima do centro cultural. “Aqui no morro não há um espaço para as famílias, uma pracinha, um lugar onde se possa dizer ‘vá jogar bola tranquilo’. Sabemos o que se passa do lado de fora,  crianças da idade do meu filho mais velho estão no crack. Por isso, quando escutamos umas vozes e tambores chamando a comunidade para participar da atividade, foi ‘oooh, aqui está, se abriu um mundo!”

Vai fazer um ano que Amanda e seus três filhos passaram a frequentar o espaço, participando de várias oficinas, inclusive nos fins de semana e nas férias. “Tem sido superimportante este laço que se formou. Esta é a nossa nova família com os garotos. Nunca houve discriminação, não nos questionaram nada, em nenhum momento nos olharam de maneira estranha. Éramos um a mais e assim tem sido até o dia de hoje”, ela assegura.

Amanda: “Para minha familia, La Mandrágora foi uma janela. Se abriu um mundo”

 

Meio ambiente

Eles ficaram tão próximos que Amanda hoje também faz parte de um dos projetos mais recentes do coletivo, o “Acupunturarte”. A iniciativa é realizada no morro atrás do setor de Achupallas, no acampamento Manuel Bustos, onde os integrantes de La Mandrágora ajudam a construir uma praça com horta comunitária e a levantar um centro cultural próprio do território, chamado Nendo Dango.

“Nendo dango” é o nome que se dá às “bolas de argila”, método das bombas de sementes utilizado para reflorestar zonas naturais degradadas, sem prejudicar o solo. E é assim, apostando no verde, nos conhecimentos adquiridos nas oficinas de meio ambiente e permacultura, que o grupo pretende ajudar a mudar a realidade do acampamento, um lugar marcado pela violência e pela drogadição.

A inspiração para “Acupunturarte” veio da ideia de inserir “pontos de cultura” nos lugares máis críticos do corpo (ou do “Do-in antropológico”, como dizia o ex-ministro Gilberto Gil, ao implementar o programa Cultura Viva no Brasil). A ideia nasceu com o amigo Ricardo Ribeiro (da companhia Coletores de Sonhos), um dos colaboradores brasileiros mais frequentes do Encontro Internacional de Teatro promovido em Achupallas.

Intercâmbios

O dramaturgo brasileiro Anderson Feliciano é outro dos “embaixadores” de La Mandrágora que há anos vai e volta ao alto do morro. Ele foi o primeiro a participar da Residência Mandrágora, iniciativa que prevê alojamento gratuito (por período de 3, 6 ou 12 meses) para um estudante ou profissional que queira realizar de forma voluntária intervenções socioartísticas educativas para a comunidade. Inseriu-se tão bem no grupo que não perde uma oportunidade de voltar para uma oficina ou uma apresentação. “É sempre uma alegria estar aqui”, garante Anderson, de volta ao ETACC pela sexta vez.

“As companhias que vêm para os encontros de teatro fazem intercâmbio também com as famílias. Alojam-se nas casas dos vizinhos, e nós ajudamos com a alimentação. Há companhias que têm mais conexão com estas famílias do que a gente (risos). Há uma parte mais afetiva que nasce aí e que é o mais maravilhoso do intercâmbio cultural”, comenta Cristian. “Algumas famílias nos perguntam: por que na casa da vizinha se hospedou uma companhia e na minha não ficou ninguém? Temos um cômodo aí, podemos desocupar…”, completa Pancho com uma risada.

 

O exemplo

Ainda que La Mandrágora tenha conseguido uma certa visibilidade na região, especialmente pela maneira com que trabalha a partir da autogestão, Cristian ressalta que há muitas outras organizações nos morros de Viña del Mar e outras zonas que, como eles, “estão em uma dinâmica de construção cultural” e não recebem nenhum financiamento para isso. “Somente em Viñas há 19 espaços que fazem o mesmo que a gente.”

Para ele, mais além do âmbito artístico-cultural, é compensador ver o sorriso de uma criança, saber que a maioria dos alunos que tem passado por La Mandrágora hoje são jovens que estudam, trabalham e têm suas famílias. “Aqui no setor ninguém ia à universidade, e agora alguns já vão. Famílias que nunca haviam tido essa possibilidade, ao participar de La Mandrágora, viram se abrir um mundo completamente diferente.”

Saiba mais:

www.mandragora.cl

www.facebook.com/www.mandragora.cl/

 

 

 

“Escuela Artística Comunitaria de Lo Espejo”: um espaço aberto e de fôlego longo“Escuela Artística Comunitaria de Lo Espejo”: um espaço aberto e de fôlego longo“Escuela Artística Comunitaria de Lo Espejo”: um espaço aberto e de fôlego longo“Escuela Artística Comunitaria de Lo Espejo”: um espaço aberto e de fôlego longo“Escuela Artística Comunitaria de Lo Espejo”: um espaço aberto e de fôlego longo

Por IberCultura

Em07, Oct 2017 | Em | PorIberCultura

“Escuela Artística Comunitaria de Lo Espejo”: um espaço aberto e de fôlego longo

Fotos: Escuela Artistica Comunitaria

 

Na comuna de Lo Espejo, na zona sul de Santiago (Chile), existe uma escola que funciona somente aos sábados e de onde os alunos parecem não querer sair. “Esta é a única escola que nós temos que expulsar os alunos”, brinca uma de suas fundadoras, Rosa Núñez. Criada em 2012 como uma instância formativa desde e para a comunidade, a Escuela Artística Comunitaria vem trabalhando com 90% de autogestão, oferecendo oficinas gratuitas a crianças, jovens e adultos da região. Quando começaram as atividades, eram umas 25, 30 pessoas. Este ano, havia mais de 400 alunos inscritos nos cursos.

Há gente de todos os tipos nas aulas de música, dança, teatro, circo, entre outras manifestações artísticas que se oferecem no espaço de março a dezembro. Eram cinco oficinas no princípio, hoje em dia são 18. Algumas mais longas, outras mais curtas, pontuais. As atividades são realizadas com ou sem recursos governamentais.  “O capital está na comunidade”, ressalta Hugo Melo, outro de seus criadores. “Estamos em nosso próprio espaço, somos da população. Nosso ponto de partida é o conhecimento popular, a experiência acumulada em nós mesmos.”



A motivação inicial


A Escuela Artística Comunitaria surgiu como um projeto da Corporación Cultural La Feria, impulsionada pelo movimento estudantil chileno, que em 2011 e 2012 protagonizou os protestos por uma educação pública gratuita e de qualidade no país. Na verdade, surgiu não como um projeto de escola, e sim como um bloco de carnaval deste grupo de vizinhos da comuna de Lo Espejo que buscava acompanhar o movimento estudantil com um pouco mais de energia, vitalidade e criatividade.

“Fomos nos encontrando nas marchas, íamos acompanhando a luta dos jovens, mas quando voltávamos para nossa comunidade, a única coisa que tínhamos era uma panela”, lembra Rosa Núñez. “E não era possível que fôssemos apoiar o movimento estudantil, em meio a tanta criatividade no centro, e voltássemos para a comunidade com uma panela e uma baqueta. Começamos então a nos conectar, a conhecer as pessoas da comunidade que estavam nisso, fomos nos encontrando, um aparecia com uma maraca, outro com um tamborzinho… E assim foi surgindo o bloco.”

O bloco de rua nasce em 2011 como uma agrupação musical formada por vizinhos estudantes e profissionais da área social e cultural, gente das artes cênicas, musicais, médicos, sociólogos, etc.  “Fomos nos conhecendo, conhecendo, e quando vimos já não éramos 3 ou 4, e sim 10, 20, 30, 40…”, comenta Hugo Melo. “Depois começamos a nos dar conta de que muitos estudavam arte na universidade ou eram artistas, ou eram pessoas, que tinham um compromisso social. Havia muito potencial, muita capacidade humana na comunidade.”



De bloco a escola

Segundo Rosa, os vizinhos levaram uns cinco, seis meses como bloco até que começaram a notar que também havia muitas crianças e jovens interessados em desenvolver áreas artísticas, e que poderiam ter um espaço para juntar-se uma vez por semana voluntariamente. “Era necessário gerar um espaço onde os jovens e as crianças pudessem estar de maneira mais sistemática aprendendo instrumentos musicais, coreografias de dança, aprendendo a cantar…”, destaca.

Juntou-se então um grupo de vizinhos que estavam interessados em ampliar este espaço, elaborou-se um rascunho e apresentou-se este projeto de escola para obter fundos do governo regional. “Marcamos a experiência como inovadora, distinta do que se faz ou se vinha fazendo nas comunidades”, ressalta a gestora. “Em geral fazem pequenas oficinas, experiências breves, e o que estamos aportando é fazer uma escola de fôlego largo. Um projeto que perdure no tempo, que vai do básico ao mais complexo”.



Um espaço aberto

Por outro lado, o projeto da escola buscava gerar um espaço aberto, gratuito, onde pudessem se juntar crianças, jovens, adultos, pessoas da terceira idade, mulheres,  homens… Como define Rosa, “um espaço de cuidado dos jovens, de proteção das crianças, onde se desenvolvam os direitos e a promoção de laços saudáveis e  afetivos; um espaço de criação, de desenvolvimento, de crescimento”.

A comuna de Lo Espejo é conhecida como um setor de alta vulnerabilidade social. Com mais de 100 mil habitantes, conta com uma série de problemáticas nos âmbitos de saúde, educação e habitação, além de um escasso acesso à prática e apreciação da arte. A Escuela Artística Comunitaria (também chamada de “la escuelita”) surge neste contexto, a partir de uma necessidade de estudantes e profissionais das artes, em sua maioria da comuna, de criar uma instância de formação artística no território.

 

Recursos humanos

Os fundos vieram, mas nunca foram a parte mais importante da história. “Vamos seguir com o projeto tenhamos os recursos ou não”, avisava Rosa em 2012, primeiro ano da escola, quando receberam financiamento para realizar oito oficinas artísticas, de julho a dezembro. Passados cinco anos, as oficinas dobraram e o pensamento segue igual. “A escola tem trabalhado sempre com uns 90% de autogestão, porque temos o recurso humano na população”, justifica.

Dinheiro para comprar instrumentos era o que mais faltava. Nisso puseram a maior quantidade de recursos que vieram dos fundos. Investiram em trompetas, trombones, um piano para a classe de canto e um piso especial para dança. “Investimos em uma educação artística de qualidade. Aqui os professores preparam as classes, têm uma certa formalidade”, conta.

Não é necessário um título acadêmico para que uma pessoa possa ensinar na “escuelita”. O espaço está aberto inclusive para estudantes do último ano de carreiras artísticas que queiram ter uma experiência de educação comunitária. Quem assiste às aulas pode avaliar se deseja ou não continuar. Nos últimos três anos, o número de alunos que termina o processo, assistindo o ano completo, não tem baixado de 150.

Um centro cultural


Outra conquista que deve vir em breve é a construção de um centro cultural para estes vizinhos que há seis anos se juntam para ajudar a mudar a realidade local. Ainda que os resultados sejam visíveis, nem tudo foi simples no processo. Nos dois primeiros anos, “la escuelita” realizou suas oficinas no Liceo B-133, um estabelecimento do sistema de educação pública. Mas estudantes e professores tiveram que deixar o lugar por determinação do governo local.  Desde 2014, estão no Colegio Sagrado Corazón (rua Lucila Godoy com Vallenar), em um espaço cedido por uma fundação.

As aulas de dança, por sua vez, ocupam desde 2013 um lugar que estava abandonado ao lado do colégio. “Um espaço que a junta de vizinhas tinham em comodato, mas nunca havia feito nada, estava arrendando para estacionamientos”, explica Carolina Arcos, professora de teatro da escola. “Fizemos o trâmite pertinente e depois de um longo tempo, no final de 2016, nos disseram que o espaço estava disponível para construir nosso centro cultural.”

 

A importância de seguir

Hugo e Rosa sabem que é importante seguir fazendo. Estiveram nos movimentos sociais desde sempre – “desde a ditadura, nas ruas, trabalhando com cultura, participando”, ela ressalta – e aprenderam muito com a experiência.

“Não fazemos escola somente para os garotos da comunidade que querem aprender, mas também para os próprios artistas. Afinal, em que lugar se ensina a ser artista desde o comunitário ou com o comunitário, se não a experiência direta?”, questiona Rosa. “Nesta escola os professores se encontram em igualdade de condições com os estudantes. Daí fazemos o processo de ensino-aprendizagem. O vínculo, o aprendizado que têm os estudantes, os artistas e os não artistas, é fundamental”, constata.

 

A força do carnaval

Segundo Hugo Melo, os vizinhos que chegam atualmente à escola não são apenas os dele, os que vivem naquela localidade. “Partimos em uma população e agora estamos em toda a comuna. Antes fazíamos cartazes, agora não necessitamos mais deles. Chegam de toda a região, a maioria participa da Escuela Carnavalera”, comenta.

Como a escola está muito vinculada com o carnaval, muitos dos novos alunos acabam chegando pela festa. Em 2012, fez-se na comuna o primeiro carnaval pela memória de Victor Jara. (O músico, cantor, compositor, professor e diretor de teatro chileno foi assassinado pela ditadura militar encabeçada por Augusto Pinochet, em setembro de 1973. Seu corpo foi encontrado no muro do Cemitério Metropolitano, na comuna de Lo Espejo, junto ao do diretor de prisões da época, Littré Quiroga, e de outros três corpos).


Em 2013, houve ainda mais atividades nas ruas de Lo Espejo e no lugar onde foi encontrado o corpo de Víctor Jara, para marcar os 40 anos do golpe militar e homenagear as vítimas. E assim foi-se alargando a festa, o bloco, as lutas. “Depois de muito esforço conseguimos ter este espaço como um lugar de memória onde a cada ano, no mês de setembro, fazemos um grande carnaval. Partimos da Escuela Artística e chegamos a este lugar”, diz Carolina.

No último 24 de setembro, a Escuela Artística Comunitaria realizou, com outras duas organizações, o “6º Carnaval Víctor Jara e Littré Quiroga”. O Memorial Victor Jara e Littré Quiroga, declarado monumento histórico em 2015, foi o ponto final deste carnaval que levou milhares de vizinhos às ruas para expressar seu compromisso com a memória e a dignidade dos executados políticos. E mostrar que sim, é necessário seguir fazendo.

6º Carnaval por Victor Jara e Littré Quiroga (Fotos: Julieta Melo Nuñez)

 

 

(*Texto publicado em 9 de outubro de 2017)

 

Saiba mais:

https://www.facebook.com/escuelaartistica.comunitaria/

Patio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestãoPatio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestãoPatio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestãoPatio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestãoPatio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestãoPatio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestão

Por IberCultura

Em29, Sep 2015 | Em | PorIberCultura

Patio Volantín: um espaço de encontro baseado na troca, na reciclagem e na autogestão

O que aconteceria se os moradores de um bairro se reunissem para criar um mundo alternativo onde tudo fosse baseado em reciclagem, troca e autogestão? No Cerro Panteón, em Valparaíso, Chile, um grupo de amigos conseguiu levantar um espaço de encontro onde se propõe e se pratica uma cultura alternativa à dominante por meio da gestão coletiva e autônoma: o Patio Volantín.

Aberto à comunidade, o Patio Volantín é um espaço que vai se erguendo num sistema de “soma de vontades”, em busca de uma economia solidária e sustentável. As pessoas envolvidas no projeto participam de diferentes maneiras, com alguma aula, alguma ideia, ou mesmo mão de obra, e aos poucos as atividades vão afetando as relações interpessoais de todos ao redor: os que dão os cursos, os que os assistem, os que moram nas casas vizinhas.

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O mural coletivo desenhado por Luna Calquin e Daniela Cortés

Além de ações de permacultura, jardins e reciclagem, desde 2011 eles oferecem cursos em diversas áreas de saberes, como artes cênicas, música, poesia, serigrafia, reiki para crianças, acrobacia, papel reciclado, massas… São muitos os ofícios e afazeres conforme a temporada. Os interessados em participar dos cursos entregam dois quilos de farinha, que são convertidos em pães e vendidos à comunidade à tarde. É isso que sustenta parte do projeto e o mantém funcionando dia a dia. 

“Desenvolvemos mais de 300 cursos nestes quatro anos. O interessante é que os cursos são por troca e convocatória aberta”, destaca Benjamín Briones, presidente da organização, padeiro, construtor e vizinho do Cerro Panteón desde 2001.

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Os pães: a farinha é dos “cursos por troca” e as mãos são voluntárias

 

A troca

Organizados por ciclos que duram de 5 a 8 semanas, os “cursos por troca” nunca são os mesmos, dependem das propostas de quem os oferece. Todos aqueles que queiram dar um curso podem participar dos editais, inscrevendo-se via formulário on-line. Uma vez definidos os cursos do ciclo, começa o processo de divulgação e os interessados em participar entregam os 2kg de farinha que lhes permitem completar a inscrição.

A troca, como eles explicam, é o intercâmbio que se realiza como retribuição ao conhecimento entregado por outro ser. Pode ser de caráter material (doação de alimentos não perecíveis, por exemplo) ou não (serviços, tempo e/ou conhecimento). O objetivo é que beneficie tanto o educador como o espaço, para que o projeto vá crescendo e se construindo cada vez mais coletivamente.

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Semeando a Comunidade: o projeto conta com ações de permacultura, jardins e reciclagem

O escambo é, portanto, um método de agir a partir da criatividade, da vontade e da cooperação. Funciona como um sistema econômico alternativo que ajuda a conscientizar sobre práticas sustentáveis e gera laços entre os diversos atores sociais, permitindo o intercâmbio de experiências e saberes.

Tendo em conta que as pessoas são parte de uma comunidade, que tem a ver com o território ao qual pertencem, o projeto busca valorizar “o desenvolvimento integral do ser humano em harmonia com seu entorno natural e social, promovendo instâncias de educação alternativas ao modelo econômico/social tradicional”. Além de melhorar as condições materiais, busca valorizar o compartilhar, a criação de laços de confiança.

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Cursos por troca: massas para crianças

Autogestão

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Chamada para a feira de vizinhos

“Autogestão, troca e reciclagem são os eixos transversais de trabalho que sempre se conjugam ao desenvolver as diferentes ações que empreendemos”, destaca Briones. A ideia de autogestão não apenas se refere à autonomia das ações, mas também à noção de fazer as coisas com o que se tem, tanto em termos de recursos como das vontades dos envolvidos no projetos.

Construção, para eles, é um processo constante, um eixo central de onde se materializa o trabalho em equipe, a união de forças. O espaço, levantado a partir de material reciclado e da energia disponível, também tem a intenção de contribuir com a  restauração e a transformação do bairro, por meio da construção coletiva.

Em abril de 2014, um incêndio destruiu mais de 3.000 casas nos morros de Valparaíso e deixou pelo menos 15.000 danificadas. Passado um ano, o Patio Volantín seguia trabalhando com as comunidades afetadas, buscando voluntários para fabricar e instalar telhas a base de tetrapak (para isolar as casas), além dos ecoladrilhos (criados com garrafas pet e dejetos plásticos). A proposta? “Nos encontrar e nos fazermos fortes construindo coletivamente, conscientes da existência de outros que apontam e caminham na mesma direção”.

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A festa do primeiro aniversário do projeto: junta de vizinhos 70A Cerro Panteón

 

Três perguntas para Benjamín Briones

 

1.O projeto nasce por uma iniciativa de amigos de construir um espaço onde se criasse vínculos com os moradores de Cerro Panteón. Quem são estes amigos? Havia algo na região que os incomodava especialmente?

Os amigos são Alejandra Arroyo, Tamara Aguila, Sebastián Tapia, Patricia Inostroza, Lizette Verdugo, Mario Saavedra, Manuela Saravia, todos habitantes de Valparaíso, Charly Cerda, Sebastián Valle e eu, vizinhos e gestores do Patio Volantín. Com o tempo, mais e mais vizinhos vão se incorporando. Atualmente, como consequência do trabalho comunitário em ação, funciona no mesmo quintal a unidade de vizinhança do Cerro Panteón, que congrega 200 vizinhos e da qual sou presidente.

O que nos move é o estreitamento de laços entre os vizinhos e o desenvolvimento do nosso bairro. Nos incomoda ver a estigmatização do bairro, por ser o centro da boemia da cidade, o lixo, o problema sanitário que gera e a deterioração da qualidade de vida e do bem-estar dos habitantes.

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Benjamin preside a organização

2.De que maneira o projeto tem mudado a vida da comunidade?

Quando começamos estávamos sozinhos, tentando dar vida ao lugar. Agora, contamos com mais de cinco espaços próximos e os vizinhos continuam se organizando a partir da colaboração e do lugar de encontro e autogestão que entregamos.

Algumas das organizações irmãs são Ancora, Sitio Eriazo, Isla de la Fantasía (que ajudamos a formar e recuperar), Jardines para Nuestro Barrio, Libreteca Laurel, Unidad Vecinal 70A Cerro Panteón, Unidad Vecinal 68 Lord Cochranne e 70 de cerro La Loma.

3. Já podem ver os resultados do trabalho?

Vemos os resultados na recuperação de fachadas com murais pintados pela comunidade, nas áreas verdes recuperadas com árvores frutíferas, hortas, jardins, na formação de novas organizações e na vinculação mais profunda com as existentes. Nos coordenamos para gerar ações que permitam aos vizinhos sair de suas casas e contar com um entorno mais favorável para o seu bem-estar e desenvolvimento.

 

(*Texto atualizado em 29 de setembro de 2015)

Saiba mais:

www.patiovolantin.cl

 

Assista ao vídeo do primeiro aniversário do projeto

 

 

Entepola: o teatro como ferramenta de formação e transformação socialEntepola: o teatro como ferramenta de formação e transformação socialEntepola: o teatro como ferramenta de formação e transformação socialEntepola: o teatro como ferramenta de formação e transformação socialEntepola: o teatro como ferramenta de formação e transformação social

Por IberCultura

Em22, Sep 2015 | Em | PorIberCultura

Entepola: o teatro como ferramenta de formação e transformação social

Em 1987, num período difícil da história chilena, nasceu em Santiago um festival de teatro que cumpriu papel fundamental na luta contra a ditadura. O Encontro de Teatro Popular Latino-americano – Entepola, criado como um projeto da companhia La Carreta, surgiu como uma ferramenta para mostrar às pessoas que elas podiam ser protagonistas, que era possível dizer algo naquele momento, quando ninguém podia se expressar livremente.

Congregando muitas companhias que se expressavam por meio do teatro, o festival logo se transformou em referência de teatro comunitário para toda América Latina. Com o passar do tempo, foi crescendo, incorporando novas instâncias sob o teto Entepola. Transformado em fundação em 2013, hoje é parte de um projeto com três programas de intervenção social: Festival Internacional de Teatro Comunitário, Escola Latino-americana de Teatro Popular (Elatep) e Seminário de Pedagogia Teatral e Ação Social.

Sua missão é “potencializar e manter o movimento artístico comunitário, utilizando o teatro como ferramenta de formação e transformação no âmbito social, educacional e cultural”. Criar um protagonismo social real e vital das comunidades que não têm acesso aos bens e serviços culturais são os preceitos do projeto, que desde o ano 2000 se realiza de forma contínua em Pudahuel, na região metropolitana de Santiago.

“Há 10 anos, entramos em um processo pensando em contar com um espaço que contenha e aglutine esta experiência formativa com uma metodologia baseada em nossa própria experiência e conhecimento de trabalho teatral comunitário”, conta David Musa Ureta, criador e presidente da Fundação Entepola e diretor-geral do Festival Internacional de Teatro Comunitário.

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O diretor David Musa, à esquerda na foto, é também um dos atores da companhia teatral Entepola. Foto: César Gonzáles Aliaga

Escola

Antes da criação da escola, houve cursos dirigidos a diferentes faixas etárias, com maior presença de mulheres adultas e grupos de jovens. Transformados em grupos de teatro, eles realizaram suas obras de criação coletiva e inspiraram o surgimento de uma experiência formativa inserida na comunidade, transversal e inclusiva, para os vizinhos de Pudahuel e outros municípios da região metropolitana.

Os cursos de artes cênicas realizados na Elatep usam o jogo lúdico e expressivo para conseguir um trabalho harmônico e criativo, onde se desenvolvem temáticas, opiniões e críticas, que são compartilhadas em um espaço de conversação e depois passam para o palco. O objetivo é que os alunos tenham liberdade para criar, para se expressar, e que se sintam livres de julgamentos. Pela participação coletiva, eles descobrem suas próprias capacidades, respeitando as dos demais, para potencializar o trabalho coletivo e comunitário.

O conceito que eles promovem é o do teatro como uma ferramenta que consegue abrir portas em direção a uma mudança de paradigma, contribuindo de maneira transversal para a melhoria do entorno. Levando arte àqueles que não têm acesso, eles buscam, além de apresentar espetáculos de qualidade, provocar profundas mudanças sociais.

A Escola Latino-americana de Teatro Popular (Elatep) começou com cursos de teatro comunitário e logo ganhou atividades complementares de reflexão, intercâmbio e análise crítica, sobre a prática e filosofia do teatro comunitário (como o Seminário de Pedagogia Teatral e Ação Social e o Seminário de Pedagogia da Esperança Radical: Teatro e Comunidade, ambos inspirados nos pensamentos do brasileiro Paulo Freire), e sobre a metodologia de Augusto Boal, criador do teatro do oprimido. Esses seminários buscam ativar a esperança desde a raiz e mostrar como ser parte da mudança social, a partir das comunidades ou territórios.

Durante o Festival Entepola são realizados o “Populteatro”, um espaço de intercâmbio e exposição de experiências relevantes de arte comunitária da América Latina e de outros continentes, e a “Desmontagem”, onde são compartilhados diversos processos de criação, formação e gestão das companhias.

“Todas as nossas atividades estão dirigidas a artistas, líderes ou educadores comunitários, profissionais que estejam sensibilizados com esta ferramenta teatral ou pessoas que trabalhem em espaços em espaços de vulnerabilidade”, resalta David Musa Ureta.

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Convênios

Entepola transmite o sentido de proximidade, de irmandade. E com o passar do tempo vai se ramificando pela América Latina. Alguns encontros com as formas e os objetivos da iniciativa nascida no Chile foram feitos em países como Brasil, Equador, Porto Rico e Peru. Em 2014 foram firmados convênios com Argentina e México para a exportação do modelo de projeto do Festival Internacional de Teatro Comunitário. Esses convênios dão ao festival, como diz David Musa, “solidez e sobretudo dignidade a sua realização”.

Os Entepola vão se criando como redes, e em cada espaço o projeto ganha características próprias, conforme as necessidades e os costumes locais. Sua versão argentina é realizada na cidade de Jujuy, no noroeste do país. No México, na cidade de Aguascalientes, o segundo Encontro de Teatro Popular Latino-americano recebeu 33 montagens de seis países entre 21 e 27 de agosto.

Os festivais e encontros realizados fora do Chile contam com a assessoria de David Musa na coordenação. Diretor, produtor, professor e gestor cultural, Musa também é um dos atores da companhia teatral da Fundação Entepola (os outros integrantes são Rubi Figueroa e Enri Díaz). Além de trabalhar no resgate da dramaturgia latino-americana e fazer excursões teatrais por Chile, América Latino e Europa, ele realiza seminários, bate-papos e cursos de teatro.

No Chile, o Festival Internacional de Teatro Comunitário já teve 29 versões. Todos os anos, uma média de 25 companhias nacionais e estrangeiras, representativas das mais diversas tendências do teatro comunitário, participa do evento realizado em janeiro e fevereiro na região metropolitana e na “quarta região”. O programa integra atividades de interação entre a comunidade e as companhias, com itinerâncias, cursos, bate-papos e palestras que visam não apenas compartilhar saberes, mas também empoderar as pessoas, mostrando que “protagonistas somos todos nós”.

 

Três perguntas para David Musa Ureta

1. Entepola nasceu em um período difícil da história chilena, marcado pela ditadura. O teatro serviu como ferramenta para chegar até as pessoas, a lhes dizer que podiam se expressar, poderiam ser protagonistas?

Nasce no período final da ditadura. É um país que padece de uma enfermidade social e está culturalmente pulverizado. O projeto procura reestabelecer o tecido social, utilizando o teatro como pretexto e como uma ferramenta poderosa e efetiva, através de suas generosas técnicas, permitindo às pessoas que se comuniquem, se expressem, se relacionem, buscando um espírito crítico e reflexivo que os faça conscientes e protagonistas de seus processos individuais e coletivos.

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2. A ideia de se conectar com as organizações, com o espaço comunitário, vem desde o começo do Entepola, não? Em que momento sentiram necessidade de criar uma escola?

A ideia e o impulso de criar redes, de se associar com outras organizações, se convertem em uma ação natural e vital, para poder manter, criar fortes e criativos vínculos para avançar, projetar caminhos críticos e construtivos de democratização dos espaços ganhos. A formação faz parte da iniciativa, pois entendemos que o acesso aos bens e serviços culturais é uma forma de lutar contra as desigualdades sociais.

3. Vocês têm mais de 30 anos de história em Chile e são fonte de inspiração para outros projetos em América Latina. Sempre houve o objetivo de integração, de conexão com outros países?

O sentido profundamente “latino-americanista” do projeto é parte de um ideário político, pois como povos nos vemos historicamente atropelados por setores dominantes e opressivos que atentam contra os direitos humanos. Esta iniciativa não está ausente e é sensível a estes aspectos da vida dos povos latino-americanos.

(*Texto publicado em 22 de setembro de 2015)

Saiba mais:

www.fundacionentepola.org

https://www.facebook.com/Fundacion.entepola.chile